Estavam no grande pátio externo do Castelo, havia várias pessoas e quem as viu aparecer as olhou com curiosidade. A Criatura Primeva que representava aquele Castelo era a Doninha, justamente o Grande Primevo do Desdobramento.
Elas caminharam para os portões, a figura da Doninha estava em toda parte, e as cores que decoravam o ambiente, em abundância, eram o amarelo e o marrom. Antes que entrassem, um dos guardas reais abordaram as garotas.
— A entrada é somente permitida para a nobreza e realeza, a plebe só poderá entrar no segundo dia da semana.
— Eu sou uma Transcendentis — disse Sabryna bem alto. — Se eu quisesse, já estava aí dentro sem precisar olhar para a tua cara.
O guarda não gostou da ousadia da garota, mas os abençoados pelos Primevos tinham passe livre pelo Castelo, até certo ponto, ainda mais uma Transcendentis, já que o Primevo que a abençoou era o símbolo do Reino.
— Você sabe que isso é crime contra o Protocolo dos Reinos de Dorbis e automaticamente conta a Organização Mundial da Magia do Universo?
— Por isso eu não fiz — Sabryna estava blefando, mas aquele homem não sabia do blefe, apenas não gostou da petulância dela e a importunou, porém, não podia passar-se por ridículo na frente dos outros guardas se ela estivesse a falar a verdade.
— E digo mais, você não é poderosa o suficiente para atravessar barreiras mágicas, sua boçal. Prove que é uma Transcendentis, porque até onde eu sei, só existe uma no mundo inteiro e o seu nome é Nabyla.
— Agora são duas — rebateu Sabryna.
De repente, Sabryna mudou o aspecto da própria matéria na frente de todos e todas, era uma raridade de feiticeira.
— De longe eu senti a Emissão da bênção desta garota, Beralto — gritou um guarda que assistia a tudo.
— Eu também, senti, mas tive dificuldade de entender a bênção, esta garota é muito misteriosa — enquanto eles falavam, Sabryna voltava ao normal. — Tudo bem, você pode entrar, mas a sua amiga não.
— Se quiserem, eu levo as duas para a minha casa — flertou o outro guarda.
Sabryna desdenhou ao revirar os olhos, mas Kitga sorriu, queria corresponder o flerte. A Allogaj arrastou Kit para um canto para murmurarem sobre o plano de pegar o Traje Planária sem causar guerra.
— Vai me levar de volta para a estalagem em Barboa? — perguntou Kit. — Ou eu posso te esperar na casa daquele guarda charmoso.
— Não e não, você vem comigo.
— Você ouviu o guarda? Não posso entrar.
— Eu tenho memória fotográfica, vi o interior do Castelo e vou te transportar para uma sala fechada, depois voltar e passar pelos portões para a minha entrada ser registrada.
— Precisa mesmo deste protocolo? Eu não posso ficar aqui fora te esperando?
— Não, estou te ocultando e a minha magia não faria efeito com você longe de mim, ainda estou a desenvolver esta habilidade, descobririam que você é das cinzas e você seria denunciada para o Reino de Ic.
— É verdade, a sociedade sempre contribuindo com o preconceito contra a nossa categoria.
— Então vamos lá.
Sabryna entrou em estado de desdobramento e transportou Kitga para dentro do Castelo de Par, para o quarto fechado onde somente havia quadros e mais quadros, depois voltou para o lugar de onde saiu e caminhou para os portões novamente.
— Qual o seu nome? — perguntou o guarda que a abordou da primeira vez.
Para Sabryna ele era melhor que o outro, não tinha tempo para flerte e também não sabia lidar com aquilo.
— Sabryna Mendes.
— É um pseudônimo? Nunca ouvi falar de nenhuma Sabryna.
— É o meu nome.
O guarda mandou que um escriba anotasse o nome dela e assim que ela passou pelos umbrais, a sua entrada foi registrada, também, ela teve que entregar o seu bastão mágico para um guardião guardá-lo num armário, era a medida de segurança.
— Bastão diferente — disse ele ao entregar à Sabryna uma combinação numérica que era a mesma do bastão para não levarem bastões dos outros.
— Não vai ser necessário, o meu bastão é o único, pelo menos, neste continente.
O guarda queria seguir Sabryna, achou ela bastante suspeita, mas não podia sair do seu posto. Mesmo ela sendo uma Transcendentis, estava sem o seu bastão mágico, então, significava que ela não poderia fazer nada criminoso ali dentro, contudo, não tinham noção de quem era aquela garota de verdade.
Sabryna foi para a sala dos quadros para recuperar Kitga e a encontrou admirando cada um deles. Depois saíram de lá através da quarta dimensão e dirigiram-se ao salão do rei.
O extenso local estava repleto de nobres e ricos que as olhavam como se fossem simples camponesas. Elas procuravam pelo Rei e encontraram um rapaz jovem e bonito de olhos azuis e cabelos castanhos sentado no trono a conversar com uma mulher loira, muito alta, com cabelos trançados e raspado na lateral, e muito musculosa. Era a sua escudeira.
— Aquele é o rei? — sussurrou Sabryna, fez uma pergunta retórica.
— Parece que sim — sussurrou Kit de volta.
— Pensei que fosse mais velho.
— Eu também.
— E quem é aquela guerreira que parece uma lutadora de MMA?
— Nunca a vi na minha vida, não conheço nada sobre o Reino de Par.
A guerreira usava uma armadura cor de cobre e tinha a gravura da Grande Doninha, mas ironicamente era uma Immortalis, abençoada pela Grande Harpia. Aquela mulher era uma guerreira temida no Reino de Par e Mandante dos guerreiros do Castelo.
As meninas se aproximaram do rapaz e apenas a Kitga o reverenciou.
— Saudações, Majestade — disse Kitga. — Eu te apresento Sabryna, uma Transcendentis que há muito tempo desejou visitar este Castelo, habitação do Primevo que a abençoou.
— Encantada — saudou Sabryna.
Assim que foi apresentada, o rapaz olhou para Sabryna com os olhos a brilhar, mas a guerreira ficou de cara amarrada e segurou o cabo da sua espada de maneira intimidadora para a Allogaj.
— Não interessa quem você é, curve-se perante a Sua Majestade...
O rapaz a interrompeu com um gesto com a mão, ele ainda olhava para Sabryna como se ela fosse a própria Criatura Primeva.
— Não seja tão hostil com a Transcendentis, Mandante Aoliriz — ele ficou de pé e beijou a mão da garota como um verdadeiro cavalheiro que era. — Seja bem-vinda ao meu Castelo, Milady, é uma honra recebê-la aqui, você é uma raridade. Pelas tuas vestes, sugiro que sejam de Barboa.
— Sim, meu rei — respondeu Sabryna.
— E a quê devo a honra da sua ilustre visita?
Sabryna pensou que Kit já havia dado aquela resposta, mas aproveitou o ensejo e aproximou-se mais perto para falar ao ouvido do rapaz.
— Você conhece a Saneturis Príliah?
O rapaz ficou sério.
— Era uma excelente alfaiate deste Reino, segundo o meu pai, o Rei Oubadohi. Ela é oriunda de Syanastiah. Realmente, vocês são de Barboa, é onde Príliah mora atualmente. O que tem ela?
— Ela me falou sobre um traje que fez há muito tempo para um Rei de Tawanarde...
— Shhh! Ela jurou não contar isto para ninguém — sussurrou o rapaz a interrompê-la. — Para quem mais ela contou? Nem mesmo a Organização Mundial de Magia sabe que está aqui.
"Todo mundo esconde alguma coisa da Organização Mundial de Magia", pensou Sabryna a achar graça.
— Acalme-se, meu rei, eu sou uma pessoa de confiança da Príliah, fui a única a ter esta informação da parte dela.
— E o que você quer com isso?
— Gostaria de ver o Traje.
O rapaz olhou para a sua guerreira e fez um gesto com a cabeça, depois mandou que Sabryna o seguisse. Andaram pelo Castelo, subiram um lance de escadas numa torre até chegarem a uma porta guardada por dois guardas que reverenciaram o rapaz e abriram a porta para entrarem. Kitga teve que aguardar do lado de fora, o rei não permitiu que ela entrasse.
Depois da porta, havia uma sala vazia com apenas um armário com uma porta de vidro e dentro estava guardado o traje. Ele tinha um aspecto de algas marinhas, era totalmente preto e tinha vários pontos brancos que reluziam como glitter, mesmo assim, não era tão extravagante quanto Sabryna pensou que fosse.
— Aqui está, o Traje Planária — apresentou o rei e Sabryna encostou no vidro do armário a admirá-lo. — Não sabemos como Príliah conseguiu fazê-lo, mas ninguém consegue vesti-lo.
Sabryna sabia como ele foi feito, Unomodo quem ajudou na fabricação da peça, ele tinha um propósito de chegar até à Allogaj, mas o Rei Oubadohi estragou os planos.
Inesperadamente, a Mandante Aoliriz colocou uma adaga dourada no pescoço de Sabryna e disse:
— Vire-se lentamente com as mãos para cima, se fizer qualquer movimento brusco ou começar a se desdobrar, eu te mato num piscar de olhos.
A adaga era feita do ouro se Novéanor, o metal cortava tudo, poderia cortá-la até mesmo desdobrada.
Sabryna sorriu de costas para eles, ela sabia que existia uma série de fatores que impediria que aquela guerreira a matasse, mas ela entrou no jogo, levantou as mãos para o alto e virou-se como a mulher pediu.
— Acha que sou algum i****a? — questionou o rapaz que usava uma coroa maior que a cabeça. — Acha que não sei da Epifania de Príliah: Uma Transcendentis de cabelos brancos seria a dona do Traje. Pensou mesmo que eu iria entregar o Traje para você?
"Transcendentis?", pensou Sabryna com uma sobrancelha erguida. Talvez a mulher tenha mentido para proteger o segredo da Epifania, e acabou a acertando.
— Óbvio que não, mas eu sei que ele será meu. As suas palavras podem parecer firmes, mas eu ouço hesitação, você está nervoso, jovem rei.
— Quanta petulância — vociferou a Mandante Aoliriz, tinha muita v*****e de cortar a garganta da garota que lhe olhou e riu de deboche. — Eu vou arrancar este sorriso da sua cara...
— Aoliriz, espere — ordenou o rapaz. — Garota, diga-me quem é você e por que eu devo entregar-lhe o Traje Planária? A depender da sua resposta, não haverá derramamento de sangue.
— Eu sou uma Allogaj, e eu vou derrubar a tirania do Reino de Ic — disse Sabryna sem cerimônia e os ouvintes pararam no tempo para absorverem a informação.
O rapaz, então, estalou os dedos e a Mandante Aoliriz guardou a sua adaga.
— Mais uma Allogaj surgiu neste mundo e veio para o Reino de Ic, de novo. O que há com este Reino? Qual o seu segredo? — o jovem rei ficou mais calmo com a presença de Sabryna.
— Estou indo descobrir estes segredos, Vossa Majestade.
— Então, quando descobrir, conte-me, se estiver viva, é claro. Aquele Reino é poderoso, como pretende derrotá-lo?
— Agora isto é um segredo meu, Majestade.
Depois de uma pausa, o jovem rei tirou uma chave do bolso e abriu o armário, que era selado com magia.
— Pegue, se conseguir, leve-o.
Sabryna chegou mais perto do Traje e estendeu a mão para tocá-lo, ele virou antes que ela pudesse fazer contato, e quando ela recuou um pouco, o Traje grudou-se em Sabryna como uma cola magnética, depois foi se espalhando pelo seu corpo até vesti-la por dentro do vestido qual ela usava.
— Preciso dizer mais alguma coisa?
— Não — respondeu o rei arrependido. — Desculpe-me pela demonstração de violência, eu só queria proteger o Castelo de qualquer ameaça.
— Eu sei.
— Fora que uma das maiores ameaças que existe, para qualquer Reino de Umnari, é o Reino de Ic. Eles se acham superiores a todos por serem visitados pelos Anciões e pelos Sacerdotes e pelos Magos, e agora que está infestada de Allogajs, se superaram. Zadahtric é uma ingrata, o meu pai a ajudou com a guerra contra a própria irmã Kanahlic, muitos dos nossos soldados morreram e agora ela retribuiu se constituindo como superior aos demais. Eu m*l posso esperar para ver a queda daquele lugar, e se você for contribuir para isto, tem o meu total apoio.
— Obrigada, Majestade.
— Hum! — exclamou a Mandante Aoliriz. — Eu acabaria com esta garota com um golpe.
— Está me subestimando?
— Quer que eu seja mais clara?
— Não, eu quero ser mais escura e mostrar-te que eu posso acabar com você com um só golpe.
Aoliriz chegou mais perto, sem dúvida era maior que Sabryna, também, era muito forte e muito poderosa, fora ser uma Immortalis, então, se garantia demasiadamente.
— Essa eu quero ver, Allogaj — Aoliriz desdenhou do título da garota.
Sem dúvida, não gostou dela e por nenhum motivo plausível. Ela ficou com ciúmes por o rei tratar Sabryna com muito prestígio ao ponto de pedir-lhe desculpas.
— Mulheres, eu já cancelei o clima de briga — interferiu o jovem rei. — Aoliriz, peça desculpas à Allogaj.
— Mas Majestade...
— Estou mandando.
A mulher olhou para Sabryna com furor e pediu desculpas bem rápido.
— Muito bem — disse o Rei —, quando pretende derribar o Reino e a tirania das Terras Encantadas de Ic? — ele debochou da rotulagem do Reino.
— Ainda hoje, Majestade.
— Hoje? — impressionou-se o rapaz. — Então deve partir logo, Sabryna. Precisa de alguma coisa?
— Não, Majestade, só quero o meu bastão e a minha acompanhante de volta, pretendo partir antes do crepúsculo.
— Então, se apresse, Allogaj.
Depois disso, Aoliriz abriu a porta para o Rei passar e foram para o salão de recepção do Castelo. O rei tratou Sabryna como se fosse da realeza, além de não ter parado de galanteá-la e Kitga ficou tão assanhada que provocou ainda mais o rei para falar coisas melífluas para ela.
— Sabryna, estou confuso com uma coisa, você é uma Allogaj e é uma Transcendentis. Como pode?
— Majestade, eu sou muitas coisas que te deixaria confuso, então, eu prefiro não relatar no momento, se não se importar.
— Assim seja, minha querida dama.
O rei a beijou na mão outra vez, mas assim que a soltou, para provocá-la e constrangê-la, Aoliriz deu um soco bem forte no seu ombro que a fez dar um passo para o lado.
— Ainda te espero, Allogaj...
Sabryna não esperou ela terminar a frase, deu um soco de direita no tórax da Mandante dos guerreiros do Castelo de Par e ela voou para longe, o som do choque da sua armadura pesada contra a parede chamou a atenção dos guardas e de quem estivesse por perto. Aoliriz caiu desacordada no chão e com o nariz e***********o.
— Ai! Meus Trealtas — exclamou o rei com as mãos sobre a cabeça.
— Não se preocupe, ela está viva, e diga a ela, quando acordar, para nunca mais pegar uma oponente desprevenida, é desonroso — Sabryna estendeu a mão telecineticamente o seu bastão mágico voou para a sua direção, ela o pegou. — Eu trarei notícias, Majestade — e foi embora do Castelo sem mais.
Os guardas estavam em prontidão para atacar Sabryna, mas o rei ordenou que a deixassem ir, e que socorressem a Mandante Aoliriz que foi humilhada na frente dos próprios guerreiros, mas foi reconhecido que ela provocou.
Kitga quem adorou toda a encenação, mas conteve as emoções para não parecer uma pessoa insensível. Com certeza falaria sobre os feitos da Allogaj com as demais garotas.