Capítulo 27

2832 Palavras
Sabryna abriu um portal para o quarto na estalagem qual se hospedava em Barboa, e lá encontrou as meninas e a Princesa Rammahdic a conversarem com uma pessoa de cabelos curtos e cacheados. — Naty? — disse Kitga. — Onde você estava? — Onde vocês estavam — corrigiu Rammahdic. — Fiquei preocupada, pensei terem se envolvido em alguma confusão. — E nos envolvemos — respondeu Sabryna —, mas tudo foi resolvido. Primeiro, cumprimentaram a colega, que estava perdida no Castelo de Barboa, ficou muito amiga do Rei Farabáz desde que chegou lá e ele deixou que ela estudasse os livros guardados numa ala especial da Biblioteca Circular, quase ela definhou de tanto ler. Depois Kitga e Sabryna contaram sobre a sua aventura no Reino de Par. Não demoraram muito, pois, estava quase na hora de Sabryna ir para o Reino de Ic e montaram um plano para o tal feitio, na verdade, Rammahdic planejou tudo sozinha, era ótima com aquilo. O que tinham que fazer era obedecer-lhe. Para passar o tempo, Rammahdic ensinou a Sabryna algumas magias avançadas, e depois seria a vez da Bia que também tinha um conhecimento vasto sobre o tópico, até mesmo sabia realizar um feitiço que não foi escrito em livro algum, nem mesmo no Livro dos Segredos da Magia do Universo. Ela revelou que o antigo Sumo-Sacerdote dos Trealtas havia lhe ensinado, e alegou que os próprios Trealtas passou o conhecimento. Sabryna se despiu na frente da sua equipe e mostrou o Traje Planária que usava, era uma roupa ligada ao corpo, toda por uma, tinha uma gola alta — tomava o pescoço —, as mangas eram curtas, e encobria até os pés como uma meia-calça. Admiraram as curvas da garota, era magra como uma modelo. Antes de colocar o plano em execução, Rammahdic dava os últimos conselhos à Sabryna em particular. — Princesa, por que tem coisas que a senhora não conta para ninguém, e outras que conta apenas para mim? — perguntou Sabryna. — Você é sábia, tem certeza que não tem a resposta? — Tenho, sim. Mas eu gostaria de ouvir a sua resposta, é bom ouvir a perspectiva de outrem. — Muito bem, há coisas, principalmente projetos, que não conto a ninguém para não haver falhas no resultado. Se eu conto um projeto para alguém, esse alguém recebe a informação e internaliza, a maneira como ele lida com a informação pode afetar a fonte que veio de mim, e quando eu conto para várias pessoas, todas elas ficam ligadas a uma mesma fonte. Por isso, há informações que divido com todas porque estaremos numa mesma linha congruente, outras não divido porque pode provocar instabilidades. O ato de dividir é perigoso nesta questão, por isso, temos que dividir com as pessoas certas. — Isso tem a ver com a Teoria das Trocas de Energias, não é? — Sim. Sabryna refletiu sobre aquele assunto, iria ajudá-la futuramente. Ela estava pronta para começar, era hora de pôr os planos em execução. Naty ficou encarregada de levar o bastão mágico de Sabryna para a instituição metalúrgica de Barboa para destruí-lo no fogo, era a única maneira, ela não poderia levá-lo de modo algum para Ic. A Allogaj entendeu que o bastão estava conectado a ela — era impregnado de Magia do Tempo Presente — e ele ressurgiria para ela no momento em que ela desejasse no seu âmago em tê-lo de volta. O Allogaj Cesar o destruiu uma vez quando estava em posse da Allogaj Valéria, mas ela acreditou que ele se foi para sempre, não lhe contaram as suas propriedades, e ele acabou não voltando para ela. Misteriosamente, ele voltou para o antigo quarto de Valéria no Castelo de Ic e uma das Feiticeiras Prodígios o descobriu e o diminuiu para dar à Naty que o levou para a Zingária quando foi entregar o Medalhão de Cronos ao Feiticeiro Mascarado, e assim parou nas mãos da Princesa Rammahdic que mandou entregá-lo à Allogaj Sabryna quando foram procurá-la na Terra. — Sabryna — falou a Princesa —, você agora está completa, tem um bastão indestrutível, um traje indestrutível e é indestrutível. Ninguém pode te deter. Agora estava pronta. Colocou o seu vestido por cima do seu traje, pôs o capuz e foi para a rua. Ela andou pelas ruas do Reino e deparou-se com dois guardas do Reino de Ic, deixou que a sua Emissão fosse liberada, ela controlava a intensidade e passou rapidamente por eles. Os guardas se olharam mutuamente e seguiram a Allogaj até um deles pegar no seu braço. — Ei! Senhora, venha conosco agora. — O que vocês querem? — perguntou Sabryna da maneira mais teatral que pôde, precisava parecer convincente. — Fazer umas perguntas oficiais. — Por quê? Eu não fiz nada de errado. — Não estamos dizendo que a senhora fez nada, só precisamos ouvir algumas respostas suas, se estiver tudo certo, te deixaremos em paz. Os guardas conjuraram um portal e atravessaram para uma cabana na floresta onde era a base dos Guardas e Imediatos do Reino de Ic. — Encontramos uma feiticeira das cinzas, pessoal — anunciou um dos guardas. — De qual escalão pertencem? — perguntou um homem que tinham umas insígnias diferentes no seu traje, parecia ser o maioral para Sabryna. — Ao escalão do Imediato Belidaum, Mestre Kodésilis. O homem chamado Kodésilis aproximou-se de Sabryna e puxou o seu capuz para trás, olhou nos seus olhos antes de reparar em todo o seu rosto. — Como encontraram esta feiticeira renegada? — ele perguntou distraído com a aparência da garota. — Ela não me parece uma simples plebeia de Barboa. — Ela passou distraída por nós, senhor, então a capturamos. Foi muito fácil. — Sem resistência, sem luta? — o mestre focou nos olhos de Sabryna novamente. — Quem é você, jovem renegada? Não sabe o que está acontecendo no Império de Umnari? — Não sou deste mundo, senhor — respondeu Sabryna. — Eu vim de Gorbis recentemente — ela não queria ser objetiva. — Está explicado. Levem-na para o Castelo de Ic para passar pelo interrogatório. — Vocês não têm o direito de fazer isto — disse Sabryna como se ela tivesse voltado a ser aquela garota tímida de antes. — Ah! Doçura, nós temos sim. Foi aprovado pelos Anciões a captura de feiticeiros renegados suspeitos de forjarem complô contra o trono do Reino de Ic para interrogatório. Levem-na. Antes de abrirem um portal, Sabryna gritou para o mestre: — Eu sei onde está Rammahdic. O mestre voltou a sua atenção para Sabryna. — Esperem! — ele andou para perto dela. — Quem é você? Você não veio de Gorbis mesmo, veio? — Sim, eu vim. O mestre dos guardas do Castelo de Ic agarrou o braço da garota e apertou. — E como você sabe sobre a princesa Rammahdic? Qual o seu nome, feiticeira? — Meu nome é Sabryna, leve-me para a sua rainha e eu contarei tudo o que sei. — E se você estiver mentindo? — Aí você me mata. O mestre sorriu pela frieza e seriedade daquela jovem n***a de cabelos brancos. — Você não é comum, eu sinto isto. Muito bem, eu mesmo vou te levar, e não se preocupem, guardas, voltem ao serviço, vocês receberão o mérito pela fácil captura desta garota. Mesmo se estiver mentindo em r*****o à Princesa Rammahdic, ela com certeza é feiticeira das cinzas. O mestre abriu um portal para o pátio externo do Castelo de Ic. ¶ Zadahtric estava sentada no seu trono, a sala estava repleta de pessoas, principalmente feiticeiros e feiticeiras das cinzas que eram mutilados para saberem se tinham sangue-azul como ela. Ou seja, ela mandava fazerem um corte na palma da mão da pessoa para ver o sangue escorrer. Algumas Prodígios assistiam à cena, mas não podiam demonstrar o quanto achavam aquilo tudo absurdo, havia outro método para saberem sobre o sangue, mas não queriam perder tempo. Desde o dia da Epifania, Lubini nunca mais foi deixada de lado pela Rainha, ela obrigou a garota a estar sempre onde ela estivesse. Na esperança de mudar o Destino e Lubini ter outra Epifania, mas isso nunca aconteceu. Assim que um prisioneiro saía da presença de Zadahtric para as masmorras para receber lavagem cerebral, outro aparecia para ela começar o interrogatório. Lordes e Ladys do Reino assistiam ao espetáculo que Zadahtric fazia para mostrar a sua autoridade e o seu poder. Até mesmo riam e vaiavam. — Coitados — sussurrou Brisanctis para Layranet. — Sim, coitados — respondeu Layranet como se estivesse distraída. — E a p***e da Lubini tem que ficar ao lado dela o tempo todo, isso é opressivo. — Sim, é opressivo. Bris encarou a sua amiga com curiosidade, depois olhou ao redor para ver se alguém reparava nelas e agarrou a mão dela para arrastá-la para um lugar mais reservado. — O que está fazendo? — questionou Layranet sem forças. — Anda, me explica logo o que está acontecendo? Desde o dia da Biblioteca que você ficou deste jeito. — De que jeito? — Assim. Falando como se não tivesse mais v*****e de viver. O que ela fez com você? Layranet arregalou os olhos, abriu a boca para dizer alguma coisa, mas deteve-se imediatamente e abaixou a cabeça. — Não há nada. — Foi Pacto de Sigilo? A prodígio não podia dizer que sim, mas não queria dizer que não, apenas virou o rosto para a direita a se recusar a falar. — Foi Pacto de Sigilo — afirmou Bris. — Não se preocupe, não vou mais falar sobre isso e não deixarei ninguém tocar no assunto. Layra olhou para a amiga com ternura e a abraçou. — Obrigada, amiga. — Zadahtric oprime todas nós, oprime o Reino, oprime pessoas, quando isso vai acabar? — Espero que seja logo, de preferência hoje, mas vamos voltar para a sala do trono antes que desconfiem de nós. Bris confirmou a ideia e voltaram para onde estavam, ao chegarem, perceberam que o mestre dos grupos de perseguição aos feiticeiros das cinzas, chamado Kodésilis, andou em direção à Rainha, a reverenciou e pediu permissão para contar-lhe alguma coisa em segredo, assim que ele cochichou no seu ouvido, Zadahtric ficou espantada, como se a morte estivesse diante dos seus olhos. — Parem o interrogatório — gritou Zadahtric enfurecida. — Saiam, saiam todos vocês, mandem os prisioneiros para as masmorras e fiquem aqui apenas quem é da Guarda Real. As prodígios, intrigadas, começaram a sair uma por uma, mas a Rainha mandou que elas ficassem, as considerava mulheres fortes e inteligentes. Ela chamou Layra para se aproximar dela. — Sim, Majestade. — Prepare-se para chamar o Ancião se alguma coisa der errado hoje. Layra sabia o que aquilo significava, só não entendia o porquê. Mas torcia para dar errado. — Por que, Majestade? — arriscou Layra em perguntar. Zadahtric relutou em respondê-la, mas respondeu pela força do ódio. — A porcaria da Epifania fez sentido agora. Pode ser verdade, pode ser mentira, mas eu preciso estar prevenida. Eu não vou perder o meu trono, não importa o que aconteça. Agora, vá. Layra se afastou das demais pessoas e ficou num canto, ao lado esquerdo de onde a Rainha estava sentada, para fugir do que quer que acontecesse, e chamar o Ancião que a ajudava e tinha poder suficiente para derrotar qualquer pessoa. — Tragam a menina — ordenou Zadahtric. Sabryna viu quando todos, que não fossem da Guarda Real, saíram do Castelo e fecharam os portões de ferro. Assim que viram a ordem da Rainha, dois guardas levaram a Allogaj até a presença de Zadahtric, cada um segurava num braço como se aquilo fosse impedi-la de fugir. "Isto está sendo tão fácil", pensou Sabryna devido à situação, nem mesmo amarraram as suas mãos, que era uma das partes fundamentais do corpo humano para se fazer magia. "No que eles estão se confiando?", questionou a garota consigo própria. Andaram um pouco, pois, o salão era tão grande que demorava para chegarem de uma extremidade à outra. A Allogaj ficou diante de uma mulher austera que se parecia muito com a Princesa Rammahdic, porém, muito mais jovem, mas a pele branca, os olhos azuis e os longos cabelos platinados eram idênticos. Os cabelos dessas princesas se pareciam com fios de prata, diferentes dos cabelos de Sabryna que estavam brancos como o gelo. — Quem é você? — perguntou a Rainha paulatinamente e carregada de drama. — Eu sou Sabryna Mendes — respondeu a garota. Enquanto isso, Zadahtric a analisava com os olhos. — Como você sabe onde ela está? — Porque ela sabia quem eu era, encontrou-me, acolheu-me e recrutou-me para a sua equipe de feiticeiras das cinzas. Zadahtric queria entender o que aquilo significava, mas uma coisa ela sentia no seu âmago, a garota Sabryna falava a verdade. — O que você quer dizer com isso? O que ela fazia? Sabryna falou bem alto dessa vez para promulgar a verdade. — A sua irmã, a Princesa Rammahdic, filha de Ic, a denominada Princesa Transfuga pelo Castelo, é e sempre foi o Feiticeiro Mascarado. A revelação gerou murmúrios por toda parte. — Calem a boca, idiotas. É óbvio que esta menina mente — ela se voltou para Sabryna. — Como ela fez isso, pode responder? Que Magia ela usou? — Não posso responder porque a fonte dela é a mesma que a minha, o meu sigilo é valioso. — Muito bem, renegada, e o que você é, além de uma feiticeira aberrante e causadora de desequilíbrio cósmico? Sabryna riu-se. — Eu sou uma Allogaj. Zadahtric ficou séria. Depois, paulatinamente, começou a rir e o seu pessoal a acompanhou com gargalhadas. — Eu precisava de sorrir um pouco. Como eu não percebi que estou falando com uma louca, não me admira ter cabelos brancos. Vejam, meus súditos, eis aqui uma garota louca e mentirosa. Fantasiou uma história na própria mente, baseando-se na história deste Reino e muito me admira ela ter aprendido alguma coisa. — Após zombar da garota, Zadahtric aproximou-se, agora de cara fechada, e falou: — A sua Emissão é tão fraca que eu quase não a senti. Como pode ser uma Allogaj? Se você tiver o grau nove de magia, seria o seu auge — ela pegou a adaga, segurou a mão da menina, e cortou a sua palma, mas não aconteceu nada, pensou que não cortou fundo o bastante e passou a adaga novamente, porém, ela viu a carne da garota se fechar instantaneamente e arregalou os olhos. Zadahtric ficou estatelada, engoliu as palavras ao olhar nos olhos de Sabryna e sentiu a sua Emissão ficar tão forte que foi insuportável ficar perto dela. A parte mais interessante foi que, do nada, um bastão mágico, n***o como a noite, desfragmentou-se bem diante dos olhos daquele pessoal e Zadahtric afastou-se, por medo, gritou: — Matem-na. Sabryna foi mais ágil, antes que desembainhassem uma espada, ela deu uma cotovelada no guarda à sua direita que voou para cima dos outros a fazê-los caírem e socou o da esquerda que também foi arremessado para longe. À Rainha Zadahtric tentou correr, mas Sabryna transformou-a numa estátua branca como gesso com o feitiço Gipso e rapidamente guardou-se numa cúpula de p******o. Uma enxurrada de raios cósmicos atingiram a cúpula, raios vermelhos de todos os lados, tanto que o ambiente ficou avermelhado pela luz intensa. Sabryna concentrou-se no seu cerne e começou a se transformar, agora estavam no seu estado de desdobramento, assim que abriu os braços, a cúpula explodiu e os raios cósmicos foram a virar poeira até sumir, pois, todas as pessoas ali dentro agora estavam desdobradas, no mesmo aspecto que Sabryna, e flutuavam pelos ares. — Um Transcendentis n******e fazer magia — avisou Sabryna. Ela pôs as mãos na cintura e observou se estava tudo sob controle. A Guarda, quase inteira, pois, tinha gente do lado de fora, flutuavam pela sala do trono e a Rainha não iria para lugar algum. — Foi mais fácil do que pensei. O pessoal que flutuava naquele aspecto amarelado e fantasmagórico não parava de falar. Sabryna queria usar o feitiço Silentu Voĉo para não emitirem mais nenhum som, porém, naquele estado não podia fazer magia. Ela voou para atrás do trono e começou a atravessar o chão, como Rammahdic havia lhe instruído, ela desceu até a ala onde ficava a Chama Branca e assim que os guardiões viram-na, a atacaram, obviamente não surtiu efeito algum, ela retirou uma pequena esfera do bolso do vestido e jogou na Chama, depois subiu a despedir-se dos guardiões com um "tchauzinho". A grande bacia dourada que sustentava a Chama Branca explodiu, deixando todos os guardiões feridos e inconscientes. Assim que Sabryna voltou para a sala do trono, a Princesa Rammahdic se transportou para lá com as demais feiticeiras quando um vórtice de fumaça cinza cheia de filetes de raios amarelos surgiu naquele meio. — Ora, ora, ora! — exclamou Rammahdic. — Aqui estou eu de volta à minha antiga casa.
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