Pré-visualização gratuita cap 01 ele tem que mudar
Melinda...
Mel— p***a, NICOLAS!!! — gritei com meu irmão, que estava claramente sob efeito das drogas. — Eu já te falei pra parar de usar essas porcarias! Quando é que você vai me ouvir?! Quero ver é quando aparecerem aqui cobrando o pagamento dessas merdas que você usa! Porque eu sei que você tá devendo esses caras tem quase dois anos!
Nicolas— Qual foi, Melinda? Tu que não me dá o dinheiro pra pagar o bagulho e eu que vou ser cobrado? Já te falei pra me emprestar dez mil e tu não me empresta, pô. Se os caras me pegarem, eles me matam. Eu não sei controlar essa p***a desse vício — ele rebateu, nervoso.
Mel— Problema é teu, Nicolas! Se você não sabe controlar a p***a do teu vício, eu não posso fazer nada. Já parei de te dar dinheiro e escondi os meus. Não vou sustentar marmanjo de 17 anos viciado em droga! Eu é que sustento essa casa, e sei o que é melhor. Ou você para com esses bagulhos ou eu te interno numa clínica! — peguei meu celular e fui direto pro meu quarto.
Bom... vocês devem estar sem entender nada, né? Então deixa eu contar minha história desde o comecinho — ou pelo menos tentar resumir.
Quatro anos atrás, perdi minha mãe pro câncer. Foi um dos piores momentos da minha vida. Depois de um tempo, consegui superar e voltei a ser “feliz”. Meu pai — na verdade, padrasto — sempre bebeu, mas depois que a minha mãe morreu, ele começou a beber ainda mais. Todos os dias chegava em casa bêbado. Teve um dia que ele chegou ao ponto de abusar de mim. No dia seguinte, ele disse que não lembrava de nada.
Alguns meses depois, uns caras bateram aqui em casa avisando que ele tinha bebido todas, caiu, bateu a cabeça e foi levado pro hospital. Quando chegamos lá, já era tarde. A causa da morte: traumatismo craniano.
O Nicolas era muito apegado a ele, e acabou entrando em depressão. Um dia, cheguei em casa e peguei ele tentando se matar. Graças a Deus, ele me ouviu, e nunca mais tentou. Mas dias depois, fui limpar o quarto dele e achei várias drogas que ele tava usando pra “superar” a perda.
Conversei com ele durante meses, tentando evitar que ele se perdesse nesse mundo, mas ele não me ouviu. Adolescência é uma fase maldita mesmo. Ele saía de madrugada, quando eu já estava dormindo, pegava meu dinheiro escondido pra comprar droga... até que eu descobri.
Parei de emprestar grana quando percebi que ele já tava devendo meio mundo na Rocinha. Já fui parada na rua, escutei ameaça de morte contra ele caso não controlasse o vício. Isso me destruiu. Já perdi meus pais... perder meu irmão seria demais. Por mais que ele erre, eu o amo. No fundo, ele é meu irmão!
Sério... minha vida é uma merda. Queria ver alguém que tivesse uma vida mais fodida que a minha, papo reto. Desde os 14 anos trabalhando, e desde os 16 sustentando essa casa e o Nicolas. Ele podia estar trabalhando, me ajudando a manter tudo e colocar comida na mesa, mas e o medo dele gastar tudo com maconha?
O último trampo dele não durou porque ele levou os “clientes” dele pra vender dentro do local. Aí também não dá pra defender, né? O chefe dele tava certo.
Hoje é sábado e eu peguei uma folguinha. Provavelmente a Camila vai me mandar mensagem chamando pro baile de hoje. Sinceramente, não tô com vontade de ir, mas tô precisando relaxar. Não posso viver na merda todo dia.
Levantei da cama e fui tomar um banho pra desestressar. Lavei o cabelo, saí do banheiro, coloquei minha calcinha e um baby doll. Fui até a penteadeira, comecei a secar o cabelo. Passei um óleo, terminei, voltei pra cama e fui mexer no celular. Nem falei, né? Olha a mensagem da mona chegando...
Mensagem ON
Camila: Vai, sua cachorra! Eu sei que você tá de folga hoje, bora pro baile comigo pegar vários kkk
Eu: Tu quis dizer "pegar o Gordo", né? Você é muito otária, não percebe que ele não quer mais nada contigo?
Camila: Se manca, garota! O Gordo só não sabe o que quer. Você vai?
Eu: Sei não... mas acho que vou kkkkk
Camila: Passo aí na sua casa às 11! Vou tomar meu banho premium. Bjs kkkk
Mensagem OFF
Eu conheci a Camila quando a gente tava passando por coisas parecidas. A diferença é que ela perdeu só o pai. E, assim como o Nicolas, ela era super apegada a ele. O pai dela morreu por problemas de saúde.
Quando bati de frente com ela, só pensei em ajudar e seguir a vida, mas não foi bem assim. Já somos amigas há quatro anos.
Fiquei no celular mais um tempo e depois fui me arrumar. Peguei um vestido marrom e meu tênis velhinho, que me acompanha em todos os rolês. Me vesti, fiz uma maquiagem simples, passei um perfume e saí do quarto.
Na sala, o Nicolas estava dormindo no sofá. Ele me dá um trabalho do c*****o, mas eu amo esse moleque. Faria de tudo pra tirar ele dessa vida. Mas não sou eu quem tem que fazer isso — é ele. Não adianta eu falar, falar, falar... e depois ele voltar pro erro.
Pouco tempo depois, a Camila chegou aqui, toda arrumada. Ela tem umas roupas que me fazem até ter inveja, kkk.