Nos dias seguintes, eu continuei a falar com Rafael. Não mencionei nada sobre o dia em que o Samuel veio aqui, não mencionei o que vi em seus olhos e nem o que senti com o que vi. Porque eu o faria? Por acaso eu tenho certeza de que aquilo não foi apenas fruto da minha fértil imaginação? Não iria permitir que eu me machucasse por vontade própria, porque é certo que seria isso que aconteceria. Durante toda aquela semana e a seguinte, eu não vi a Poly, havia riscos em vê-la, e por mais que o DR. Carter dissesse que com a proteção certa eu poria vê-la, eu preferi não arriscar. Os quinze dias seguintes ao trasplante era o período onde o paciente ficava mais vulnerável, mas tem sido duro ficar sem vê-la. lembrar de seu sorriso, lembrar da sua voz brincalhona e seu jeito tão espontâneo de ser.

