Henrique A chuva caía fina sobre o asfalto frio da delegacia como se fosse um coro triste, lamentando as servidões invisíveis do poder. Era quase meia-noite quando recebi a ligação anônima: uma voz rouca, sufocada pela culpa, oferecia provas do pacto ilegal de Gabriel Vitale com autoridades corruptas. No outro lado da linha, um traidor da própria base dele — alguém que jurara fidelidade com o sangue — dispunha-se a negociar informações em troca de proteção. Por instantes, o distintivo na minha lapela pareceu pesar toneladas. Meu coração, dividido entre a lei que jurara cumprir e o amor paternal por Carol, transbordou de uma angústia que corria mais rápido do que o tempo. Se aquilo era verdade, eu teria um golpe decisivo para retirar do morro o chefe mais temido da Rocinha. Mas, ao mesmo

