Carol O esconderijo era pequeno, quase claustrofóbico: paredes de concreto cravadas na encosta, um único ventilador rangendo no teto e uma fresta estreita para entrada de luz. Ali, longe dos paralelepípedos molhados da favela e do grito distante das sirenes, eu me encontrava com Gabriel pela primeira vez sem máscaras. Aquele era o abrigo que ele criara para nos proteger enquanto tramávamos nosso próximo passo contra Roni. E, embora o calor úmido do morro ainda se infiltrasse pelas rachaduras, o ar interno parecia suspender o tempo. — Feche a porta — pedi, voz trêmula. — Não quero que ninguém nos encontre. Gabriel empurrou o bloco de metal que cobria a tranca e rodou o trinco. Atrás de nós, o corredor escuro voltava a ser silencioso. Ele se aproximou, tirou o casaco encharcado de chuva e

