Gabriel O morro tinha cheiro de pólvora antes mesmo do primeiro tiro ser disparado. Eu já havia sentido esse cheiro outras vezes — quando a guerra vinha rastejando pelos becos como uma cobra silenciosa, preparando o bote. Só que naquela noite, havia algo diferente no ar. Um peso. Um aviso que não podia ser ignorado. Eu sou o dono da Rocinha, mas até reis sangram quando se distraem. Estava sentado na varanda da casa, observando o breu do alto do morro, o rádio descansando ao meu lado, ainda mudo demais para o meu gosto. Os homens estavam espalhados pelos pontos estratégicos, e Zulu — mesmo ferido — insistiu em continuar no comando da linha de frente. E Carol… Carol tinha sido usada. Isca viva. Um alvo pintado a tinta vermelha pelas mãos da facção rival que estava tentando fincar raízes

