Carol Deitei-me de lado, o rosto afundado no travesseiro que cheirava a lençóis gastos e lembranças de outra vida. O corpo ainda ressoava do toque ardente de Gabriel, mas a mente martelava frases desconexas: “Ele vai cumprir?”, “E se meu pai trair?”, “Qual caminho escolho?” Respirei devagar, sentindo o arrepio que corria da nuca ao cóccix, mistura de excitação e medo. Lá fora, o morro dormia sob o silêncio tenso, apenas o chamado distante de uma coruja lembrando que estávamos longe de qualquer segurança. Fechei os olhos e, no escuro do quarto, revi a cena como um filme fragmentado: o aperto de mão suja de mim com meu pai, as balas voando no entroncamento, o corpo estendido do invasor, a sirene se aproximando. Era o retrato de um mundo em colisão, e eu, no meio, torcia por um milagre impo

