Henrique O uniforme engomado apertava no meu corpo como um carcerário veste as grades. A manhã na delegacia amanheceu fria e cinzenta, refletindo o peso das escolhas que eu fizera para proteger minha filha. Duas semanas haviam se passado desde o acordo instável com o traficante que eu temia — e amava — tanto quanto a própria lei. Agora, sentado na sala de espera do 12º Distrito Policial, eu aguardava o momento de convocar Carol a depor, sentindo a adrenalina retorcer meu estômago em nós apertados. O corredor parecia interminável. Cada porta de metal rangia quando se abria, soltando vozes secas de detentos e murmúrios de oficiais cansados. Ninguém me olhava com respeito ali; para eles, eu era apenas mais um delegado que derrubara uma operação grande demais para as minhas mãos. A culpa de

