10 CONT YASMIN

1256 Palavras
Quando escutei que o pequeno tinha visto tudo que sofri por ele, por causa da mãe dele um ódio tomou-me conta, só que eu ali daquele momento não estava conseguindo tomar conta tem mim mesmo, chegou o momento que tive que tomar banho, olhei para os meus braços eu vi as marcas ali, só que quando a enfermeira me ajudou a tirar a minha camisola, e olhei o meu reflexo pelo espelho, ali olhei para que me olhava atenta, sem nenhuma expressão, e só com o meu olhar ela entendeu que eu queria ficar sozinha. Ali olhando a minha costa toda marcada, pelos fios que levei, pelos cortes que tinha ali, eu comecei a chorar, o meu corpo todo tinha marcas, estava roxo, o meu rosto tinha umas marcas roxa, já que levei bastante tapas ali dele, a minha sobrancelha estava com uma cicatriz dos pontos que levei ali, e quando passei o olhar por cada detalhe ali, eu caí de joelho chorando, deixei as lágrimas levarem tudo que eu estava sentindo, como seria a partir de agora, como seria minha vida, eu fiz todos que estavam ali do dia que fui resgatada não falarem sobre o meu abuso, em não me olharem com dó ou pena, olhei para o espelho mais uma vez, so que me virei e abri o chuveiro, deixei a agua cair, e os meus pensamentos tomou conta de mim, me sentia suja, era desse jeito que eu me sentia, eu não me arrependo de ter protegido o Luidi, mas me sinto um nada agora. O banheiro estava silencioso, exceto pelo barulho constante da água caindo. O vapor tomava conta do espelho, mas eu ainda conseguia ver parte de mim refletida ali. Hesitei, segurando firme a toalha enrolada ao corpo. Aos poucos, o tecido escorregou, revelando marcas que pareciam gritar histórias que eu preferia esquecer. Cicatrizes riscavam a minha pele, lembranças da violência e dor. Algumas já esbranquiçadas, outras roxas, recentes, ainda doloridas ao toque. Aproximei a minha mão trémula de uma delas, no braço, e engoliu em seco, pelo que a Doutora me falou eu fiquei uma semana desacordada. — Eu não consigo... — murmurei, a voz embargada, o peito apertado, e uma dor forte tomando conta de mim. O meu reflexo parecia zombar de mim. A cada marca, uma lembrança vinha com força: gritos, mãos que me bateram a sensação de impotência. O ar começou a me faltar. A respiração tornou-se curta, acelerada, o coração disparou. — Eles... eles destruíram-me... — sussurrei com lágrimas já descendo. — Eu não sou nada... não sou ninguém, o que será de mim agora. As pernas fraquejaram, e eu deixei-me escorregar até o chão, encolhendo-se contra a parede fria. Os soluços explodiram, o corpo tremia descontrolado, e o ar parecia escapar por entre os dentes. — Eu vou morrer... eu não aguento... eu não quero mais sentir isso... —eu repetia, em desespero. A porta se abriu devagar. A médica Celina entrou em silêncio, mas seu olhar foi imediatamente para mim, que parecia perdida no meu próprio corpo. — Yasmin... — chamou num tom baixo, mas firme. Aproximou-se e se agachou ao meu lado.— Eu estou aqui. Respira comigo, meu amor. Olha pra mim. Então eu ergui o meu rosto devagar, os olhos vermelhos, as lágrimas incessantes. — Eu não consigo... doutora... eu sinto que vou sufocar, que vou desmaiar... Eu não quero mais olhar para mim... eu me sinto podre. Celina segurou minhas mãos com cuidado, firme o suficiente para transmitir segurança. — Você não está sozinha. Eu estou aqui, agora. Vamos juntas, ok? Respira comigo... inspira fundo. Ela demonstrou, puxando o ar devagar. Eu fui tentando, falhei no primeiro sopro, mas Celina não soltou as minhas mãos. — Mais uma vez. Isso... solta devagar. Você está no controle agora, não as lembranças. Olha para mim, só para mim. O choro foi diminuindo, mas ainda vinha em ondas. Eu só balançava a cabeça, como se lutasse contra a própria mente. — Essas marcas... cada vez que eu vejo, eu lembro de tudo. Eu lembro da dor, das noites em que implorava para parar. Eu odeio-me por ter sobrevivido... odeio! — gritei entre soluços, batendo a mão contra o meu próprio peito_ Me sinto suja, sinto que não serei mais a mesma- falei Celina envolveu-me pelos ombros, impedindo que eu me machucasse. — Ei, não fala isso. Você não tem culpa, ouviu? O que fizeram com você não te define. Essas cicatrizes não são sujeiras, são provas de que você resistiu. Você está viva, Yasmin. Você não se quebrou, você se manteve de pé. — Eu não quero ser lembrada disso... eu só queria apagar tudo... — eu chorava, encostando a cabeça no ombro dela. — Eu me sinto fraca, tão fraca… Celina afagou os meus cabelos, a voz embargada, mas firme. — Fraca? Você não imagina a força que tem. Pessoas fracas não resistem ao que você resistiu. Pessoas fracas não estariam aqui, respirando, mesmo em meio à dor. Você é muito mais do que o que aconteceu. Eu respirei fundo, ainda trémula. Celina me ajudou a se levantar. — Vem, vamos tomar esse banho. Eu vou cuidar de você. Não precisa ter vergonha. Você está segura comigo. Com paciência, Celina ajustou a água morna. Eu hesitei ao entrar debaixo do chuveiro, abraçando o meu próprio corpo. — Eu tenho medo... medo de nunca voltar a ser eu mesma. Celina segurou a minha mão. — O medo é natural. Mas você não precisa enfrentar ele sozinha. Vamos uma etapa de cada vez. Primeiro, esse banho. Com delicadeza, a médica começou a lavar os meus cabelos, massageando o couro cabeludo. Cada gesto era calmo, quase maternal. Acabei fechando os olhos, deixando que as lágrimas se misturassem com a água. — Permita-se sentir que alguém cuida de você — disse Celina suavemente. — Você merece esse cuidado, merece ser amada, respeitada. Acabei soluçando, mas não recuei. Permiti que Celina terminasse, lavando a minha pele com cuidado, sem pressa, como se cada toque fosse também uma promessa de reconstrução. Quando terminou, ela me envolveu numa toalha macia, enxugando-me devagar. Vestiu em mim roupas limpas, leves, e guiou-me até o quarto. Eu me deitei, exausta. Celina ajeitou o cobertor, sentou-se ao meu lado e segurou a minha mão. — Eu vou ficar aqui até você dormir. — Você acha... que um dia eu vou parar de sentir esse peso? — murmurei, com a minha voz quase apagada. Celina apertou sua mão. — Não vai esquecer, Yasmin. Mas vai aprender a viver sem que isso te destrua. Vai transformar a dor em força. E eu vou estar com você nessa caminhada. Um suspiro cansado saiu dos meus lábios, e aos poucos os meus olhos se fecharam. O sono chegou pesado, mas acompanhado de um pouco mais de paz. Celina permaneceu alguns minutos, certificando-se de que eu estava realmente adormecida. Então, levantou-se em silêncio e saiu do quarto, mas eu ainda escutei as vozes ali, era o meu pai e o Dom Rafhael aguardavam, ansiosos. — Como ela está? — Teve uma crise de pânico forte — explicou Celina, com a serenidade profissional. — Mas consegui acalmá-la. Ela dormiu agora. — O mais importante agora — completou Celina — é que ela não enfrente isso sozinha. Vai precisar do apoio de vocês, todos os dias. Ela caiu hoje, mas cada vez que levantar... vai ser mais forte. E assim com eles ali conversando, eu pego do sono. NÃO DEIXEM DE COMENTAR E TEM DE VOTAR COM BILHETE LUNAR.
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