Acordei antes dela. Na verdade, eu quase não dormi. Passei parte da noite observando Ana deitada ao meu lado, tentando entender como uma mulher podia ser, ao mesmo tempo, tão forte e tão frágil. O contrato ainda existia. O papel ainda estava assinado. Mas algo tinha mudado. Eu sentia. Levantei devagar para não acordá-la e fui para o banheiro. Precisava de um banho. Precisava organizar os pensamentos. A água caiu sobre mim, mas não levou embora a lembrança da noite anterior. Cada respiração dela. Cada olhar. Cada silêncio. Eu nunca tive medo de mulher nenhuma. Mas com Ana era diferente. Com ela eu tinha medo de errar. Desliguei o chuveiro e fiquei alguns segundos parado, respirando fundo. Quando saí do banheiro, vi seus olhos fechados. Fingi não perceber que ela estava acordada. Mas

