Ana Lis O almoço foi ótimo na casa dos pais do Theo. Foi leve, acolhedor, cheio de pequenos gestos que aqueceram meu coração sem que eu percebesse. Em alguns momentos, senti até saudades dos meus pais. Da nossa mesa barulhenta, das conversas atravessadas, da sensação de pertencimento que só a família sabe dar. Ali, na casa dele, pela primeira vez não me senti uma intrusa. Estamos indo para casa agora. No caminho, observo a paisagem pela janela do carro, mas meus pensamentos estão longe. Quero tentar com o Theo. Quero de verdade. Mas tenho medo. Medo de me machucar de novo. Medo de me entregar e descobrir que tudo não passou de uma ilusão construída pelo impulso e pela necessidade. Chegamos. Desço do carro e o ajudo com a bolsa. Ele me olha com aquele olhar intenso, profundo, que parece

