cap 14 pós festa

998 Palavras
Cecília Como prometido, assim que acordei fui ajudar a tia Ana a arrumar a bagunça que ficou da festa. Quando cheguei lá, agradeci muito por o Palhaço não estar por perto. — Na próxima vez vamos alugar algum lugar, porque aqui em casa eu não faço mais isso não — falou a Tia Ana enquanto pegava um sutiã do chão. Quando terminamos de limpar a casa toda, eu fui logo descendo pro salão. Hoje é domingo, dia de baile, e eu marquei horário pra fazer aquela hidratação babado e uma escova no meu cabelo. — Pensei que nem vinha mais — falou a Juju, a dona do salão, assim que me viu. — Eu nem tô atrasada — falei me sentando na cadeira. — Vai fazer o que hoje em, mona? — Só uma hidratação e uma escova. Ela começou a lavar meu cabelo e eu quase dormi, amo quando alguém fica mexendo nele. A Juju fez todos os procedimentos que eu pedi e logo me levou pra frente do espelho gigante pra eu ver o resultado. — Eai, gostou? — Adorei! Quanto foi que deu tudo? — Já tá tudo pago, n**a. — Ué, quem pagou? — O Palhaço. Achei estranho, até porque eu nem comentei com ele que iria arrumar o cabelo hoje. — Então eu já vou indo — falei me levantando. — Vai lá, gata. (...) Cheguei em casa e fui logo tomar meu banho. Fiz uma skincare enquanto ouvia Racionais. Tentei convencer minha mãe a ir comigo, mas não deu muito certo; a véia disse que ia ficar maratonando série, então vou descer só com a Nara. Coloquei uma saia colada preta, um body preto com decote entre os s***s e um tênis branco. Admiro muito as monas que conseguem ir pra esses lugares de salto, porque eu na primeira passada já tô querendo tirar. Fiz uma maquiagem mais básica: só pele, cílios e um ombré lips pra dar destaque na boca. Pra fechar, coloquei minha Pandora que ganhei de aniversário do Moura. — Céci, sua amiga tá lá embaixo — minha mãe falou entrando no quarto. — A senhora bem que podia ir fazer companhia pra Tia Ana, né? Assim nenhuma das duas ficava sozinha. — Fica na paz, nós duas já tínhamos combinado dela vim pra cá. — Então eu já vou descendo. Passei pela sala e já fui puxando a Nara pra fora. — Descer esse morro de salto é horrível — Nara falou fazendo careta. — Você que lute, não vou de salto pra baile nem que me paguem. Depois de um tempinho, chegamos na quadra onde tava rolando o baile e parecia que todo mundo resolveu aparecer hoje. — Bora ali pegar uma bebida. Pegamos e fomos pro meio da geral dançar. Chegou um carinha por trás da gente dançando; olhei e reconheci na hora. O cara é daqui do morro mesmo, um velho, e pra piorar é casado. Tô fora! Já ia me saindo, mas senti uma outra mão na minha cintura. — Perdeu alguma coisa aqui, parceiro? — perguntou o Palhaço com mó marra. O cara negou e saiu de perto da gente. — Nem precisava disso tudo, eu já ia sair com a Nara. — Fica quietinha, vai — falou e saiu me puxando pro camarote junto com ela. Tá achando que manda em mim, vê se pode... Assim que entramos, já vi de cara o Moura se esfregando em uma menina. A Nara foi logo fechando a cara, mas logo tratou de mudar a expressão quando avistou um boyzinho gato pra danada. — Vai lá, mona! Bota esse rabão pra jogo — falei apontando discretamente pro cara. Ela foi toda alegrinha em direção a ele. — Que isso, tá mó gata em, n**a — falou o Palhaço, me fazendo dar uma voltinha. — Você tá até apresentável. — Para com isso, eu sou é muito gostosa. — Se você diz né... — Tem uma atração surpresa hoje aqui no baile, por isso eu te trouxe pra cá pra cima, pra tu ter uma visão maneira. Já já ele entra. Bem que eu tinha visto aquele palco ali mesmo. — Já vai começar, ó! Se liga. Voltei a olhar pra frente e vi o Cabelinho entrando no palco. Papo reto, eu comecei a gritar igual uma louca. — CARALHOOO, QUE HOMEM GOSTOSOO! — Gritei e senti um beliscão forte no meu braço. — Olha a agressão, seu filho da p**a! — Respeita minha mãe, sua égua! Começou a tocar X1 e todo mundo foi à loucura. (...) Tava rendendo muito, o show fluiu bem até ele avisar que ia cantar a última pra encerrar. Começou a tocar 7 Meiota, e os vapores aqui do morro já começaram a levantar o fuzil pra cima. Até que chegou a parte que ele canta: — Deixei minha dona forte, silicone, abri um salão — cantei junto. — Comprei uma PCX pra ela — gritou o Palhaço. — Pra ela dar um rolé no morro — gritei apontando pro Cabelinho, mas logo senti o Palhaço me puxando pra ficar cara a cara com ele. — Ela é minha 01, rodei e me visitou em Bangú, minha preta dá de 10 a 0 nessas paty de olho azul — cantou enquanto sua mão segurava firmemente o meu pescoço, alternando o olhar entre meus olhos e minha boca. Eu tremi na base legal agora! Dei um sorriso de lado e quando fomos nos aproximando, os caras começaram a atirar pra cima, fazendo com que nós dois nos afastássemos de susto. — Todo mundo que tá atirando pra cima vai ficar de plantão hoje, quero nem saber! — falou o Palhaço todo boladão, o que me fez rir. Saí de perto dele e fui pro lado da Nara, que já me olhava com um sorriso de psicopata. — Eu vi em, gatinha — Nara falou rindo. — Você não viu nada não, fica quieta — falei bebendo um pouco da minha Ice.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR