Palhaço
Voltamos pra área onde tava rolando a festa e a Cecília foi logo enchendo o prato dela de carne.
— Tava amarrada era? — falei gastando com a cara dela.
— Você que me amarrou então.
Olhei pra ela com uma cara maliciosa e ela logo se tocou do que tinha acabado de falar.
— Não foi isso o que eu quis dizer, você me entendeu — falou toda vermelha tentando se explicar.
— Sei não em... acho que você tá querendo mais não tá sabendo pedir.
— Vai se lascar, Pedro — falou indo se sentar com o Moura.
A festinha tá dando bom. Nem tava tão animado no começo, mas agora que me resolvi com a Céci tudo começou a fluir.
Tava tocando um funk e a Cecília levantou pra dançar com a Nara. Papo reto, vários caras estavam comendo as duas com os olhos. Fiquei mais tranquilo quando vi o Moura rodeando elas, mas aí mudei totalmente a expressão quando vi o Cobra querendo encostar ao lado.
Levantei de cara feia e fui na direção deles. Olhei pra cara do Moura que logo me entendeu e levantou junto. Puxei a Cecília pela cintura e ela ficou toda assustada.
— Quer me matar do coração, maluco?
— Tá devendo pra tá tomando susto?
— Tô mermo.
— Bora ali me ajudar a pegar um engradado de cerveja.
— Chama teus parceiros, não tá vendo que eu tô dançando não? Mina cavala, parceiro...
Vi que ela não ia sair dali então fui na onda dela e fiquei dançando também. Começou a tocar um pagodinho maneiro e todo mundo animou. A Céci grudou na Nara e ficaram as duas sambando, enquanto eu e o Moura ficamos em volta fazendo gesto de pandeiro com as mãos.
— Bora bater os parabéns! — minha mãe chegou gritando.
Vi ela trazendo um bolo com a decoração de Dragon Ball, o que me fez soltar uma gargalhada. Logo todos começaram a cantar parabéns e os meus vapores começaram a dar tiro pra cima.
— Cadê o discurso do chefe? — gritou o LP com um copão de whisky na mão; o parceiro já tava trilouco.
— Tenho muito o que falar não. Só tenho a agradecer por mais um ano de vida e agradecer que minha família tá toda reunida pra comemorar junto comigo — falei, e logo eles começaram a gritaria.
Quando deu duas horas da manhã o povo começou a ir embora, e ficou aquela bagunça espalhada por cada canto da casa.
— Ei gente, tô partindo também. Mais tarde eu venho ajudar a limpar as coisas — falou a Céci, se levantando do sofá e se espreguiçando.
— Eu vou te levar até sua casa.
— Andando né?
— Ué, por que não de moto?
— Você bebeu e quer me levar de moto? Eu tenho amor à minha vida!
— Mó chatona, papo reto.
A maluca se despediu da minha mãe e logo fomos descendo o morro.
— Você e o Cobra voltaram a ficar?
— Não, por quê?
— Vocês dois estavam no mó papinho hoje mais cedo.
— Hum...
— Ciúmes, senhor Pedro Palhaço? — parou na minha frente cruzando os braços.
— Tá chapando é, filhona — falei empurrando de leve a testa dela.
— Se liga, feioso — veio empurrar minha testa também, mas eu puxei a mão dela fazendo com que seu corpo colasse ao meu.
Nunca tive ela tão perto dessa maneira. Seus olhos fixos nos meus e sua boca tão perto da minha.
— Vai ficar a madrugada toda me encarando é? — ela perguntou ainda sem tirar os olhos dos meus.
— É só se afastar... ou você não consegue?
Ela riu e passou a língua em seus próprios lábios, logo em seguida senti ela se afastando.
Tá doido que eu vou deixar essa oportunidade passar assim?
Puxei ela de volta pelo braço fazendo com que nossas bocas se encontrassem. Iniciei o beijo pedindo passagem com a língua e ela logo cedeu. O nosso beijo se encaixou perfeitamente e a sensação foi ótima, nossas línguas estavam em uma sintonia perfeita, mas tivemos que nos separar assim que a falta de ar se fez presente.
— Bora continuar o caminho porque já tá tarde, né — falou se virando e caminhando na minha frente.
A garota ficou tímida, vê se pode!
— Ficou tímida foi, neguinha?
— Não, só tô me prevenindo contra qualquer perigo noturno... tipo assalto.
— Tu tá se fazendo ou esqueceu que tá andando justamente com o dono dessa p***a toda?
— Um pouco dos dois — falou rindo.
— Percebi mesmo. Aí ó, tá entregue — falei parando em frente a casa dela.
— Você vai voltar sozinho?
— E pô, não faz medo nenhum não. Mas se tu quiser que eu durma aí contigo, não vou reclamar não.
— Tchau, Palhaço! Vai logo pra tua casa — falou me empurrando.
— Calma aí, mona! Isso é jeito de tratar seu futuro namorado?
— Sonha alto, bofe — falou cruzando os braços.
— Sonho que vai se tornar realidade, tu vai ver — falei gastando com ela.
— Tô vendo, pô — falou rindo.
Roubei logo um selinho nela pra ela ficar esperta e saí de lá mó bobo, papo reto. Quando penso nessa parada de relacionamento, só me vem uma coisa na cabeça...
"Senhor, tira isso de mim..."