cap 09 ele pode está certo

869 Palavras
Palhaço Descobri que a invasão surpresa que teve aqui foi por motivos dos de lá de baixo quererem descobrir quem é o sub daqui do morro, porque eles pegando o sub seria mais fácil chegar ao dono. Eles cavaram a própria cova subindo aqui, nós só fizemos empurrar eles pra cair dentro. As notícias sobre a invasão não paravam... Dentro de um desses mortos foi o chefe de missão da BOPE, aí tá aquele maior drama de prestar homenagem e os caralhos. Passou a mulher dele dando entrevista falando que "ele tinha família e mataram ele na covardia". Engraçado que foram eles que subiram aqui querendo guerra. A mídia só procura saber o lado dos "bonzinhos". Teve homens meus que morreram e também tinham família, mas eles não tiveram compaixão, então porque eu e os meus temos que ter? -- A mina lá chegou, Palhaço. Eu tô andando muito estressado, então chamei aquela loira pra dar um trato... Tá ligado que opção é o que não falta, mas a maioria das mina daqui da quebrada já estão todas manjadas e eu precisava de alguém de fora. -- Sabia que você não ia demorar muito pra ceder - a loira falou entrando na salinha. -- Se ilude não, mina. É só uma ficada sem compromisso - falei enquanto puxava ela pra sentar no meu colo. (....) Tava de boa na mesinha, embalando os pacotinhos de pó encomendados até que a porta é aberta. -- Falta de educação entrar sem bater - falei encarando a maluca que entrou igual um furacão. -- Se toca, Palhaço, tu é p*u mandado meu. -- Ata, viu Cecília? Bonito tu entrar e eu tá peladão com alguma n**a. -- Relaxa, eu vim mais cedo, só que me falaram que você estava acompanhado, aí eu voltei. -- Quem te falou essa fita? -- Não importa quem me falou, o que importa é que eu tô precisando da sua ajuda... -- Lá vem, solta a voz. -- Libera o salão de festa pra tua amiga aqui. -- Pra quê tu quer o salão? -- Pra festinha de 1 ano da sobrinha da Nara. -- Hummm... pra que dia? -- Domingo. -- Beleza, aí tu vem pegar a chave. -- A mãe da menina disse que se tu quiser ir pode ir. -- Me sinto honrado por tal convite - falei ironicamente. Ela saiu em direção da porta me dando língua. Quem dá língua pede beijo. -- Vai se fuder, Palhaço - ela falou me fazendo rir. Terminei meus corres e fui pra minha goma. Tomei aquele banho e depois subi pra laje, bolei aquele fininho enquanto observava o movimento de final de tarde. -- Eai meu mano - Moura falou sentando ao meu lado. -- Qual é a novidade? -- A novidade que hoje a Céci tem um encontro. Assim que ele terminou de falar eu me engasguei com a fumaça do beck. -- Com quem? - falei encarando ele de volta. -- Um carinha da faculdade que sempre tá no pé dela, aí ela resolveu dar uma chance. -- E como você sabe? -- Ela me falou, pô. -- E porquê ela não contou pra mim? -- Talvez porque você estivesse ocupado demais fudendo a loira. Ele tem um ponto. Ela é adulta, sabe o que está fazendo. -- Realmente, mas você tá perdendo as chances que tem... -- Começa não em, Moura. Já te falei que eu e a Céci nunca ia dar certo. -- Motivos? -- Vou te falar o principal de todos: eu ser bandido - falei voltando a encarar o horizonte. -- Aah, Palhaço, não fode! Se ela se importasse com o que você faz nem sua amiga ela era. Você se paga de sonso, só pode meu parceiro. -- Tá perdendo o medo do perigo mesmo. -- E você perdendo a pouca inteligência que você tem. Levantei pra dar um c****e nele, mas o filho da mãe desceu as escadas correndo e se escondeu atrás da minha mãe. -- Que palhaçada é essa mesmo em? -- Ele que quer me agredir porque falei umas verdades na cara dele - Moura falou rindo. -- Sobre o quê? - Mãe perguntou encarando o Moura. -- Sobre ele ser tão burro ao ponto de não tentar algo com a Céci. -- Nesse ponto ele é burro mesmo - falou voltando a mexer nas panelas. -- Que isso, complô contra a minha pessoa? -- Meu filho, sobre esse assunto não tem o que reclamar. Eu sempre gostei da Céci, mas você insiste em ficar com essas relíquias do morro. E lá vem mais uma vez a véia batendo na mesma tecla. Resolvi descer pra comprar uns lanches, e vi a Cecília toda bonitona descendo o morro. Não vou mentir que fiquei um pouco incomodado em ver ela toda arrumada assim pra outro homem. -- Ei, Céci! - gritei indo até ela. -- Tá fazendo o que aqui? -- Vim pegar um lanche. E você vai pra onde que tá toda arrumada assim? -- Tô indo sair com um amigo da faculdade. -- Hmm... bom encontro pra você. -- Valeu. E se o Moura estiver certo? p***a c*****o meu, a Cecília é minha cria desde menor.
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