cap 02 ela está de volta

782 Palavras
Palhaço Acordei hoje já na atividade, cheio de bagulho pra resolver na boca. Antes de sair, tomei um banho, dei um beijo na minha coroa e saí de casa a mil em cima da minha moto. Cheguei entrando na boca principal, cumprimentei geral que tava lá e já fui adiantar o meu lado. -- Iai, Moura, o que temos pra hoje? -- Contagem da grana faturada do mês, e tem que mandar alguém descer pra cobrar dinheiro das drogas. -- Fé então. Peguei meu radinho e fui passar a ordem pra um dos menor. - Visão LP, tá na escuta? - Tô mermo, chefe. Qual é a boa da vez? - É pra ir cobrar uns cara de lá da viela principal. Aí tu sobe aqui e escolhe mais alguém pra fazer o serviço com você. - Já é. Esperei o LP chegar pra fazer a contagem do lucro da semana e tava tudo certinho. O esquema sempre tá fluindo, também só vendo parada de qualidade né, fii? Resolvi ir lá na pracinha ficar de marola e chamei o Moura para ir comigo, já que terminamos nossas obrigações do momento. O movimento da praça tava tranquilo, quase não tinha ninguém, só duas garotas que estavam de costa pra nós do outro lado da praça. -- A Cecília chega hoje de viagem. -- Tinha me esquecido que aquela maluca chegava hoje. A Céci foi pra São Paulo tem quatro meses por conta da faculdade de Direito que ela tá fazendo, aí teve essas paradas de estagiar e tudo mais. A n**a vai ser advogada criminalista, viu? Já tem dois anos que ela tá cursando isso aí. Quando entrou, tinha dezoito, fiquei mó orgulhoso dela quando ela conseguiu passar na prova com uma das melhores notas. Olha ela vindo ali. Levantei a cabeça e vi a Cecília vindo na nossa direção com o maior sorriso no rosto. Quando parou em frente a nós dois, cruzou os braços e aquele sorriso doce sumiu. -- Ódio de vocês dois, em! Me fizeram subir aquela ladeira toda pra chegar na boca e os meninos falarem que os bonitos tão na praça vendo o movimento. -- Ih, parceira, já chega assim encurralando é? - falei colocando marra. -- Tá se achando porque passou quatro meses em São Paulo - Moura falou rindo. -- Vão se lascar! -- Ô pretinha, tava com mó saudade de você - falei puxando ela e beijando sua bochecha. -- Eu não tava com saudade do Cecilião não - Moura falou negando com a cabeça. -- Me ama menos, seu marginal fuleragem. -- Iai, como foi lá? - Moura perguntou olhando pra ela. -- Foi uma experiência legal, aprendi várias paradas. Tivemos uma simulação de audiência e eu me saí super bem. -- Bom que se um dia eu ou o Palhaço cair na mão dos cana, nós temos uma advogada particular. -- Tá repreendido, em Moura - Céci fala com mó lapa de zoi regalada, o que me faz rir. - Qual foi, Céci? Não vai fazer a boa pros amigos não? - perguntei rindo. -- Vocês sabem que eu não gosto quando vocês ficam falando essas paradas de que vocês vão ser preso, porque se um dia forem, vão pegar vocês lá dentro pra maldade. -- É na resenha, Cecilião - Moura falou puxando uma mecha do cabelo dela. -- Quem chama, atrai. Fica aí. Ficamos rindo das bobagens da Cecília, mó cota, até que começou a ficar escuro e resolvemos ir cada um pra sua casa. (...) -- Cheguei, coroa. -- Já viu a Céci? -- Tava com ela agorinha. A senhora viu ela chegando? -- Eu vi sim. Parece que ela chegou dessa viagem mais bonita, né? -- A Céci sempre foi bonita, pô. -- Disso eu sei, meu filho. Daria um casal tão bonito vocês dois, seria meu sonho. -- É bom acordar então, Dona Ana. Somos amigos desde menor e é só isso. Ela negou com a cabeça rindo e continuou mexendo a panela. É como eu acabei de falar pra minha mãe: a Céci sempre foi gata. Cabelão preto liso, uma pele moreninha bronzeada, corpo bonito na minha visão. Mas o que mais me chamava atenção nela era o sorriso, pô... sem condições. A garota parecia ser descendente de indígena. Quando ela era menor, as pessoas chamavam ela assim de Índia, mas quando ela foi crescendo, as características dela foram mudando e o apelido já não combinava tanto assim com ela. Nunca fiquei com ela, mas tem muitas pessoas aqui na quebrada que acham que já, por conta de estarmos sempre grudados e tudo mais. Mas foi como eu disse: não passa de uma amizade de infância.
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