cap 03 no meu terreno

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Cecília Uma semana depois Já tem uma semana que eu cheguei de viagem. Cada vez mais que eu avanço nos períodos da faculdade, mais eu me interesso pela advocacia. Acordei cedo e fui dar uma geral na casa. Eu moro com a minha mãe, porém ela trabalha no período da manhã e uma parte da tarde como secretária de uma empresa de eletrônicos. Eu tenho um mini estúdio onde faço maquiagens e as unhas das monas aqui da favela; esse foi o único jeito pra eu poder arranjar um dinheiro extra, já que todos os currículos que eu mandava nunca tinham retorno. Muitos devem estar perguntando sobre o meu pai. Bom, ele morreu quando eu tinha dezesseis por conta de um problema de saúde que o mesmo tinha. Foi doloroso quando aconteceu, mas eu já esperava por conta que sabia sobre as condições de saúde que ele tinha. Terminei de arrumar a casa e fui passar um café. Percebi que não tinha pão e fui na minha bolsa pegar dinheiro para poder ir na padaria, mas fui impedida quando a porta foi aberta com tudo. -- Boom diaa, Famíliaa! - Palhaço gritou assim que entrou dentro de casa. -- Trouxe pão aqui pra nós - Moura falou colocando a sacola em cima da mesa. -- Eu ia descer agorinha na padaria. -- Poupei seu tempo, tá vendo? Abri a geladeira, peguei presunto e queijo, depois sentamos na mesa e começamos a comer. -- Vai abrir o estúdio hoje? - Palhaço perguntou enquanto bebia um pouco de café. -- Mas é claro, preciso fazer o meu né não? -- Tá certa, pô. Depois que terminamos de comer, o radinho do Palhaço tocou. Ele se despediu e saiu. Já o Moura foi me levar lá no meu estúdio primeiro, agradeci ele e entrei. Hoje eu tinha cinco unhas marcadas e duas maquiagens de debutante pra fazer. A primeira unha é agora, 10:15. -- Bom dia, Céci delícia! -- Bom dia, Narinha. -- Se ligue, mana, hoje eu quero minha unha desse jeitinho aqui. Acha que consegue? - falou me mostrando uma foto. -- Só fazendo pra ver né, mona. Senta aí logo. Fomos fazendo e conversando um pouco. Nara é uma cliente antiga minha, garota é legal, uma das únicas nesse morro que eu não vejo rendendo pra qualquer um. E foi assim o resto da tarde, recebendo clientes. Nos intervalos, mexia no celular esperando as outras clientes chegarem. Quando acabei tudo, já era oito da noite. Eu estava morta de cansada. Fechei o portão do estúdio e fui subindo o morro com a minha mochila nas costas. Vi três homens que eu nunca vi por aqui sentados na praça e eu já fiquei imaginando como eu passaria ali sem chamar atenção. Estava passando em frente a eles e pude escutar uns murmúrios. Observei um deles apontando para mim com a cabeça e vi outro levantar e vim na minha direção, até que uma moto parou ao meu lado. -- Por quê não ligou pra mim ou pro Moura vim te pegar? -- Pensei que estaria ocupado. Vi ele encarar os caras que estavam sentados e depois encarou o que estava vindo em minha direção. -- Perdeu o cu na minha cara? -- Não senhor - o cara respondeu. -- É bom ficar esperto, menor. Chegou agora na quebrada e quer vim cantar de g**o no meu terreno? -- Eu só ia ajudar a menina, nada de mais. -- E quando foi que ela pediu tua ajuda? Acho bom você saber quem é quem aqui dentro desse morro pra depois não fazer merda e acordar com a boca cheia de formiga. -- Bora logo e deixa isso de lado. Ele concordou com a cabeça e deu marcha na moto, parando em frente a minha casa. Ele tava com mó carão. -- Tá bravo? -- Com você não, só tô pilhado por conta desses cara. -- Deixa disso, não vai fazer merda por minha causa. -- Não foi só você. Teve outra garota que tava subindo o morro depois do trampo e esse mesmo cara ficou insistindo pra poder acompanhar ela até em casa. A sorte dela foi que o mano LP tava de plantão na viela de baixo e viu a situação. -- Então você tem que ficar esperto com ele. -- Isso mesmo. E vê se na próxima me liga ou se não sobe com mais alguém. Concordei com a cabeça. -- Vai entrar? -- Vou nada, minha coroa fez aquele bolo de chocolate que eu gosto, tô indo lá agora. -- Trás um pedaço pra mim lá, namoral. -- Só amanhã, hoje eu não venho aqui nem que me paguem. -- A sua é essa né, Pedro? Beleza então. -- Larga de ser mimada, amanhã você passa por lá e pega, menina feia. -- Feia? Sorte sua se tivesse metade da minha beleza. Amanhã eu vou lá, é bom que eu vejo a sua mãe. -- Sua sogra né? - perguntou com um sorriso de lado. -- Sonha alto, n**o. Ele riu, e me deu um beijo na bochecha. Fiz o mesmo gesto e depois entrei porque tá fazendo um frio da p***a.
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