Muralha narrando A Bárbara tava estranha. Desde que cheguei, alguma coisa nela me incomodava. Um olhar perdido demais, um cansaço que parecia além do físico. Mas quando perguntei, ela disse que tava só exausta. Que tinha sido uma noite pesada, que a cabeça tava cheia. E eu… eu acreditei. Ou talvez tenha escolhido acreditar, porque eu também tava moído. Tinha acabado de torturar o Gordo até a morte, o sangue dele ainda tava seco na minha pele. A mente fervia. A adrenalina ainda me corroía o peito por dentro. Então subi. Precisava tirar aquela roupa imunda, aquele cheiro de morte que impregnava. Entrei no banho no modo automático, joguei a água no corpo, esfreguei sem pensar, com os dedos ainda trêmulos de tudo que tinha feito. Mas por mais que a água escorresse quente, o peso não saía.

