Lobo narrando Eu estava pelo morro todo, num ritmo que parecia não ter fim. O mesmo tipo de limpa que o Muralha fez quando retomou a nossa favela do Coringa eu estava fazendo aqui, nessa terra que até ontem era do Gordo. Corria de um lado para o outro, botando ordem em cada esquina, checando cada ficha, cada vapor, cada movimento suspeito. As amantes do Gordo surgiam de todos os cantos, desesperadas, chorando, algumas dizendo que estavam grávidas, outras carregando crianças no colo, todas contando histórias de sofrimento, arrependimento e promessas. O padrão era sempre o mesmo: quando um vagabundo cai, vem um enxame de dramas tentando garantir algum benefício ou proteção. Mas eu não estava ali para consolar ninguém. Eu não estava ali para ser ouvido de confissão de amante. A única coisa

