Lucas narrando A adrenalina martelava no meu peito como um tambor, tão forte que parecia que meu corpo inteiro tremia junto. Eu segurava o fuzil como se fosse a última âncora entre mim e o caos. Lá fora, os tiros comiam seco, ecoando pelo corredor do hospital e misturando o cheiro de pólvora com aquele cheiro estéril de álcool e desinfetante. Era tudo ao mesmo tempo: gente correndo, enfermeira gritando, paciente tentando se arrastar da maca. O inferno tinha invadido aquele hospital em pleno meio-dia, e eu ali, com duas vidas nas minhas mãos. — Entra vocês duas no banheiro. Agora! — eu falei, a voz saindo firme, mesmo com o coração disparado. Primeiro ajudei a mãe da Giovana a levantar. Ela estava machucada, o rosto marcado, o corpo inteiro doía só de encostar. Coloquei ela sentada den

