Lobo narrando O corredor inteiro parecia pulsar como um coração prestes a explodir. O som dos tiros do lado de fora ainda ecoava pelas paredes do hospital, misturado ao cheiro acre de pólvora e desinfetante. O cenário era surreal: macas encostadas às pressas, soro pendurado balançando no ar, papéis e prontuários espalhados pelo chão, e enfermeiros encolhidos atrás das portas tentando se proteger de uma guerra que não era deles. Eu tinha os olhos grudados no Cereja, mas sentia a tensão de cada homem meu à volta, cada dedo no gatilho, cada respiração pesada. Era a adrenalina no limite, o tipo de momento em que uma fração de segundo decide quem vive e quem morre. Lucas estava à frente, tentando segurar o moleque no fio da voz. O tom dele era frio, mas eu conhecia o olhar de quem já estava

