Capítulo 8 -Desconfiança

1296 Palavras
Em meio ao caos que havia se instalado na festa de Capitão, Martiniel aparece do nada como se nada tivesse acontecido. Zaroio se surpreende. - Pra onde tu foi, Martiniel? - pergunta Zaroio, entre aliviado e irritado. - Não sei.. - responde Martiniel, vagamente. Zaroio olha incrédulo para o amigo. - Tu tá tirando com minha cara, né? Vi tu sendo levado para atrás do palco pela... - Zaroio é impedido de terminar a frase pelo amigo. - Xiu! Cala a boca! Ninguém pode saber o que aconteceu! - diz Martiniel, reservadamente. - Mas eu sei! - retruca Zaroio, contrariado. - Por isso tu vai ficar de bico fechado, senão a gente morre! - rebate Martiniel, incisivo. - Você morre, porque não tenho nada a ver com isso! - devolve Zaroio, impaciente. Por esse momento, Pé-de-c***a surge com alguns homens. Capitão, Dente-de-onça e Cavalo ainda estavam no pé do morro fazendo varredura. - Chega aí, pivetes! Pirata declarou guerra pra nós! Vocês e os outros ficarão ficar de vigia!. - resolve Pé-de-c***a. Martiniel e Zaroio se entreolham, preocupados. - A gente tem que voltar pra casa! - responde Martiniel. - É! Nossos pais não sabem do que a gente faz! - completa Zaroio. Pé-de-c***a se aproxima dos dois, intimidador, embora calmo. - Vou mandar o papo reto pra vocês: entraram para o movimento, pertencem ao movimento e servem ao movimento! Aqui não tem caô de mamãe nem de papai não, tá ligado? - esbraveja Pé-de-c***a. Martiniel e Zaroio engole em seco. Zaroio parecia querer chorar. Pé-de-c***a percebe. - Olha, gente! O bebezão da mamãe quer chorar! - graceja Pé-de-c***a. Os homens de Pé-de-c***a gargalham juntamente. - Eu não queria estar aqui! - diz Zaroio, com voz embargada. Pé-de-c***a volta-se para o jovem. - Para você aprender a não ficar moscando por aí com esse seu amigo do dedo podre! - ironiza Pé-de-c***a. - A gente faz o quê agora? - pergunta Martiniel, mudando o foco de Pé-de-c***a. - Esperem Capitão voltar! - retruca Pé-de-c***a. Pé-de-c***a se afasta, vai até seus homens para aguardar Capitão voltar. Todos ficam em silêncio. Alguns minutos, Capitão, Cavalo e Dente-de-Onça chegam com os homens que foram com eles. Juntam-se ao pessoal que está com Pé-de-c***a. - Pirata pode estar armando agora outra chegada! A gente vai se espalhar pela comunidade! Não vamos deixar os caras subirem! - ordena Capitão. Cavalo fica irrequieto, olhando para os lados. Martiniel e Zaroio ficam desconcertados - Onde está Ju? - pergunta Cavalo. - Sua namorada, senhor? - pergunta um homem que estava por ali ao acaso.. - Sim! - responde Cavalo. .- Ela estava na festa. Depois que Pirata invadiu o morro, o povo fugiu e ela se escondeu não se sabe onde. - continua o homem. Pouco depois, Ju aparece, desnorteada. Cavalo vai ao encontro dela, apreensivo. -Tu tá bem? - pergunta Cavalo. -Tô sim! - responde Ju, aparenttando tontura. - Onde você estava? - pergunta Cavalo. - Eu ouvi os pipocos, e o povo gritando que estavam invadindo o morro, então corri para atrás do palco e fiquei embaixo dele até ouvir que vocês voltaram. Eu estava com tanto medo, tanto medo!- relata Ju. Cavalo a ampara, abraçando-a. Martiniel e Zaroio se entreolham, temerosos. - Vambora! - decide Cavalo. - Vamos! - concorda Ju. - Capitão, a gente se vê! - despede-se Cavalo. - Firmeza, irmão! Tamos nessa! - responde Capitão. Ambos se despedem com toque rápido de punho. Quando o casal se vira para sair, Ju lança uma olhadela para Martiniel, que estremece. Zaroio apenas observa, incrédulo. Capitão observa Cavalo e Ju e o seu pessoal indo embora. Quando eles já não estavam mais à vista, Capitão volta-se para Pé-de-c***a e Dente-de-Onça. - Pirata agora vai ter! Vamos nos dividir em quatro bandos! - resolve Capitão. - E os pivetes? - pergunta Dente-de-Onça. Capitão olha para os jovens. - Eles podem ir pra casa, são novos demais! - decide Capitão. Pé-de-c***a se incomada muito com essa decisão. - Capitão, eu já tinha mandado os pivetes ficarem de vigia no pé do morro! - interpela Pé-de-c***a. Capitão volta-se para ele. contrariado. - Que é que tu quer, Pé-de-c***a? Quer mandar no movimento mais do que eu? - pergunta Capitão. - Capitão, não é isso, é que pensei que... - Pé-de-c***a não termina a frase. - Você pensou, Pé-de-c***a! E isso vai ficar só no seu pensamento! Quem decide as coisas aqui sou eu! - exclama Capitão, imperativo. Visivelmente constrangido, Pé-de-c***a se afasta um pouco de Capitão. - Vamos em quatro bandos: o primeiro vai comigo para a Pedra da Bica, o segundo vai com Dente-de-Onça para a mata perto da praia, o terceiro vai com Pé-de-c***a para o Bairro da Curva e o quarto vai com Canivete e desce aqui no meio do morro direto! - planeja Capitão. Pé-de-c***a não gostou muito de ser mandado para o local mais próximo da sede de Pirata. - Capitão, posso trocar de ponto com Dente-de-Onça? - pergunta Pé-de-c***a. - Não! Dente-de-Onça já ta muito visado por aquelas bandas! - retorquiu Capitão. - Certo, Capitão! - responde Pé-de-c***a. - Só não dá pra entender uma coisa. Eu já tinha planejado descer amanhã para dar um toque em Pirata e ele pega a gente desprevenido.... Ele parecia saber de alguma coisa... Pé-de-c***a, a quem você contou minha ordem? - raciocina Capitão. - Capitão, repassei para todo mundo que estava com a gente na festa! - responde Pé-de-c***a. - Todo mundo, não, pois os pivetes não foram avisados! - retorquiu Dente-de-Onça. - Então eles estão livres... - completa Canivete. - Já foi! Vai pra casa, Niel, tu e teu amigo! Amanhã cês voltam! - decide Capitão. Martiniel e Zaroio saem do local em silêncio. Depois que os dois jovens desaparecem da vista deles, Capitão volta-se para Pé-de-c***a. - Ainda tem X9 no meio da gente, Pé-de-c***a! - pensa Capitão, tenso. Os homens de Capitão entreolham-se, inseguros. - Pode ser qualquer um, Capitão! - responde Pé-de-c***a. - Qualquer um, não! Dente-de-Onça, Canivete e você são de confiança! - Como vamos achar o X9? - pergunta Dente-de-Onça. Capitão lança um olhar ameaçador para todos os seus homens. Volta-se para Dente-de-Onça. - Ele vai aparecer quando vacilar, tá entendendo, Dente-de-Onça?! - responde Capitão, preocupado. - Já é, Capitão! - concorda Dente-de-Onça. - Agora vamos nessa! - ordena Capitão. E os homens se dividem e descem apressados pelo morro, separando-se em bandos, como Capitão tinha planejado. Quando Capitão se aproxima de uma mata densa, percebe sinais de movimentação adiante. Ordena parada. Pega o celular e liga para os outros chefes de bandos. - Pé-de-c***a! Como estão as coisas aí? - susurra Capitão ao celular. - Tá tudo limpo até agora, Capitão! - responde Pé-de-c***a. - Vejo movimento perto da mata da curva. Se não tiver nada por aí tu vem dar uma força aqui, tá ligado? - planeja Capitão. - Já é, Capitão! - concorda Pé-de-c***a, desligando o celular. Capitão liga para Dente-de-Onça. - E aí, Dente? - pergunta Capitão. - Tem uns caras subindo pela pista! A gente vai lá! - responde Dente-de-Onça. - Já é! - responde Capitão, desligando o celular. Capitão observa uma movimentação na mata, como que gente abrindo caminho por ela. Faz sinal para que seus homens fiquem alertas. - Estão subindo! Vamos bloquear eles agora! - sussurra Capitão. Então ele faz sinal e avançam em direção aos invasores. Houve troca de pipocos. Os homens de Capitão conseguiram derrubar uns sete de uma vez. Capitão faz sinal para avançarem mais. Quando estava se aproximando da baixada alguém que estava escondido na mata avança nas costas de Capitão e o pega pelo pescoço. Capitão tenta se livrar do agressor, que consegue pegar a trezoitão de Capitão e a encosta na cabeça dele. Capitão pressente que seria o seu fim.
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