Capítulo 19 - Superação 3

1299 Palavras
Enquanto Martiniel esperava o amigo chegar, o dono do mercadinho o observava, cada vez mais desconfiado. Martiniel percebe e tenta se manter calmo. Como Martiniel permanecia perto do orelhão em atitude suspeita, o dono do mercadinho vai até ele. - Já fez sua ligação, jovem? - pergunta o dono do mercadinho. Martiniel sorri, simpatico, tentando quebrar a tensão do momento. - Já fiz, sim! Meu pai vem me buscar! - diz Martiniel, tentando passar confiança. - Você se perdeu? Então você não é daqui, é? - pergunta o dono do mercadinho. - Não, senhor, moro "pra" lá da ponte! - diz Martiniel, apontando para o horizonte. O dono não parecia estar convencido. Martiniel percebe e sua frio. - Está bem longe de casa, hein? - comenta o dono do mercadinho, desconfiado. - É, estou sim! Acha que é problema? - pergunta Martiniel. - Não, é normal se perder por aqui! É um bairro grande, tamanho de muitas cidades do país! - retruca o dono do mercadinho. Nesse tempo, um carro prata para em frente a eles. No banco do lado do motorista estava Zaroio. - Pronto, já chegou minha carona! - diz Martiniel, se aproximando do carro. - Mas você disse que seria o seu pai quem viria te buscar! - observa o dono do mercadinho. Martiniel abre a porta traseira e olha triufante para o dono do mercadinho. - Ah, é que o meu pai trabalha muito, sabe? Então mandou meu irmão me buscar de Uber! - responde Martiniel, embarcando em seguida. Zaroio apenas sorri, irônico. O dono do mercadinho apenas observa, atônito, o carro indo embora. Mais adiante, Martiniel, mais aliviado, procura pelo seu celular. - Perdi o celular no mangue, Zaroio! - diz, perplexo. - Martiniel, você escapou de Capitão, de Pirata, de Cavalo e até da polícia e vai se preocupar com o celular? Se toca, cara! - rebate Zaroio, revoltado. Martiniel cai em si. - Tem razão, Zaroio! - responde Martiniel, conformado. - Agora "tô" devendo o Uber! - diz Zaroio, desconfortável. - Ficou devendo a quem? - pergunta Martiniel. - Ao Isidro, meu vizinho! Eu disse que era para buscar uma namorada! - revela Zaroio. - Mas você não tem namorada ainda, Zaroio! - diz Martiniel. - Só assim para ele ser convencido! Ele ficou tão feliz que nem fez questão de me cobrar, mas vou pagar assim mesmo! - devolveu Zaroio, decepcionado. Aproximando-se da comunidade Vinte Léguas, o motorista para. - Por que paramos aqui? - pergunta Martiniel. - Foi onde pedi o Uber! Ele não pode subir o morro sem autorização você sabe de quem, né? - responde Zaroio. - Ah, é, eu tinha me esquecido... - conforma-se Martiniel. Descem do carro. Sobem a encosta do morro em um ponto longe do Barracão. Chegam até uma casa em ruínas no meio da mata. - Fique aqui! Vou ver se posso trazer um rango "pra" você! - diz Zaroio. - Obrigado, Zaroio! Te devo essa! - diz Martiniel. - Tu "tá" me devendo muito mais do que essa, Martiniel! - rebate Zaroio. Martiniel concorda. Zaroio sai rapidamente. Enquanto isso, os homens de Pirata e Cavalo estavam se aproximando de onde Martiniel estava escondido. Eles não sabiam que Martiniel estava por ali perto. Também não viram Zaroio sair, porque os caminhos eram diferentes. - Tem uma casa abandonada ali, na mata. Decerto, os pivetes podem ter se escondido lá! - raciocina Pirata. - Acho que o moleque não seria doido para tanto! Ele está sendo perseguido por meio mundo, não viria aqui tão cedo! - objeta Cavalo. Pirata raciocina. Cavalo apenas observa os seus homens se espalhando pela mata. - Tu "tá" certo, Cavalo! O pivete não é doido de vir aqui, mas foi doido o suficiente para traçar tua mina! - debocha Pirata. Cavalo se irrita com a piada e aponta uma arma na direção dele. - Olha o respeito, Pirata! - rosna Cavalo. - Brincadeira, Cavalo! Relaxa, homem! - ironiza Pirata. A muito custo, Cavalo baixa a arma. - Vamos logo terminar com isso! - diz Cavalo, irritado. - Tu que manda, Cavalo! - resigna-se Pirata, fazendo um sinal e os homens avançam morro acima. Um sentinela camuflado de Capitão solta fogos de artifício e os pipocos se sucedem. Os homens de Pirata e Cavalo são cercados por todos os lados. Martiniel, ouvindo os pipocos, arrisca-se a olhar o que estava havendo. Percebe a guerra acontecendo, mas não tinha nada a fazer. Estava sem celular e não tinha para onde correr. Resolve apenas aguardar. - Tu disse que seria fácil, Pirata! - reclama Cavalo, vendo seus homens sob fogo cerrado. - Não sei o que aconteceu!Até parece que ele sabia que a gente vinha "pra" cá! - rebate Pirata, perplexo. As baixas dos dois lados se sucediam até o limite do suportável. - Vamos recuar! - decide Pirata. Ele faz uns sinais e alguns homens se retiram, ainda atirando para todos os lados. Pirata e Cavalo tentam uma saída estratégica se separando. Passando perto da saída que dava na passagem secreta, Pirata é agarrado pelo pescoço por alguém forte. - Fica quieto ou quebro o pescoço! - diz Dente-de-Onça, Pirata percebe o quanto encrencado estava. Cavalo não o viu ser capturado, até porque a mata era densa o bastante para alguém ser ocultado a pouca distância. - Tu sabe o que "tá" fazendo, cara? - pergunta Pirata. - Vamos indo! - retruca Dente-de-Onça, arrastando Pirata para outra passagem, a que levava para o Barracão. Enquanto isso, Zaroio, já perto da comunidade, ouvia os pipocos ao longe. - Espero que Martiniel esteja bem! - pensa consigo Zaroio, apressando-se. No Barracão, Capitão escutava os pipocos com apreensão. - Estavam vindo "pra" cá, Catraca! - diz Capitão, surpreso. Catraca, preocupado, olha o celular. - Nenhum aviso ainda! Quer que eu desça para ver? - sugere Catraca. - Não! Fique aqui até eu dizer o que fazer! - retruca Capitão. Pouco depois chega um dos homens de Capitão. - Pegamos o Pirata! - diz o homem. Todos os que estavam no Barracão ficam surpresos. - Agora sim! Vamos nivelar o jogo! - comemora Capitão. - Vai fazer o quê com ele, Capitão? - pergunta Catraca. - Espere e verá, Catraca! - responde Capitão, triunfante. Pouco depois alguns homens e Dente-de-Onça aparecem com Pirata capturado. Pirata sorri debochado. - E aí, Capitão? Como "tá" tua perna? - pergunta Pirata. Capitão apenas o fita com ódio. - Pirata! Agora que "cê" tá na minha mão, vamos negociar! - diz Capitão, irônico. - Não tenho o que negociar com você, Capitão! - rebate Pirata, rancoroso. Capitão ri. - Tu não sabe o que está rolando, né? - ironiza Capitão. - Tu pode fazer o que quiser comigo, Capitão! Cedo ou tarde o meu pessoal vai virar este teu muquifo de cabeça "pra" baixo e tu não vai poder fazer nada! - ameaça Pirata. Capitão olha sério para Pirata, depois volta-se para Dente-de-Onça. - Cadê Cavalo? - pergunta Capitão. - Ele escapou, Capitão! - responde Dente-de-Onça. - Ele vai voltar, Capitão! Vai se vingar do que o teu pivete fez com a mina dele! - brada Pirata. Capitão olha debochado para Pirata. - Acho que não, Pirata! Eu tenho a prova de que o pivete é inocente! - rebate Capitão. Pirata gargalha debochadamente. - Tu não tem é nada, Capitão! - devolve Pirata, rancoroso. - Aguarde então! - diz Capitão pegando o celular. - Quem fala? - pergunta Cavalo. - Cavalo, é o Capitão! "Tô" com Pirata aqui! Também tenho prova do que aconteceu com tua mina naquela noite! - responde Capitão. - Certo, Capitão, que quer que eu faça? - pergunta Cavalo, tenso. - Vem aqui "pra" gente trocar umas ideias! - responde Capitão, desligando em seguida. Pirata engole em seco enquanto Capitão sorria raivosamente para ele. -
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