Enquanto subiam o morro, os homens de Capitão olhavam para trás, temerosos de que fossem emboscados pelos homens de Pirata porque, apesar do recuo deles, alguns teriam passado o mangue. Ao chegarem ao Barracão. encontram apenas o pessoal que trabalhava lá. Nem Dente-de-Onça e nem Pé-de-c***a haviam retornado do confronto com os homens de Pirata. Capitão se senta com dificuldade. Um homem veio e enfaixou a perna atingida de Capitão. Aturdido, Capitão olha para todos os que estavam com ele.
- Pirata vai pagar! Ainda acertei o fdp! - resmunga Capitão. Pouco depois, Pé-de-c***a aparece com alguns homens.
- Capitão! Cê foi atingido! - surpreende-se Pé-de-c***a.
- Como se tivesse sido a primeira vez, Pé-de-c***a! - retorquiu Capitão, chateado.
- Dente-de-Onça ainda tá lá embaixo contra os caras! - devolve Pé-de-c***a.
- Achei que ele tinha voltado. Não recebi toque dele nenhum antes de subir o morro agora. - relata Capitão, preocupado.
- Vou dar um toque para ele voltar! - emenda Granada.
- Não! Vamos aguardar! Ele pode estar detonando os caras de Pirata agora! - retruca Pé-de-c***a. Granada olha ofendido para Pé-de-c***a e em seguida para Capitão.
- Liga pra ele, podem estsar precisando de ajuda, mas não diga que fui atingido! - decide Capitão. Granada olha vitorioso para Pé-de-c***a que, visivelmente desconfortável, recua alguns passos.
- Dente-de-Onça! Tá frmeza aí? - pergunta Granada. Ruídos ininteligíveis são escutados.
- Os caras de Pirata estão tentando subir no pé do morro pro lado da praia! A gente tá cercado, sem sair!
- Certo! Capitão, Dente de Onça precisa de ajuda! -
- Já é! Vá com Pé-de-c***a dar uma força a ele, agora! - ordena Capitão. Pé-de-c***a demonstrava uma ponta de insatisfação que foi logo captada por Capitão.
- Pé-de-c***a! Fica ligado! Não vacila comigo! - ameaçou Capitão. Pé-de-c***a cerra os olhos antes de sair com Granada e uns tantos homens. Capittão imobiliza a perna atingida. Um dos homens de Capitão, um idoso de mais de sessenta anos chamado Papai Noel, porque, além de ter grandes barbas e bigode grisalhos, só realizava assaltos no fim de ano, se aproxima cautelosamente de Capitão, meneando a cabeça.
- Dessa vez Pirata caprichou... - lamenta Papai Noel.
- Que nada, velho! Quem vai caprichar sou eu! Pode apostar! - retruca Capitão. Papai Noel acena afirmativo com a cabeça.
- E que seja uma resposta boa! Isso foi só o começo, Capitão! E cadê que Cavalo veio te ajudar agora? - comenta Papai Noel.
- Eu que não chamei ele para me ajudar! Acha que não posso dar conta? - responde Capitão.
- Só acho que Pirata tá sabendo demais da tua área, Capitão... - insinua Papai Noel. Capitão faz uma expressão de preocupação.
- Então tem outro X9 no meio da gente! - raciocina Capitão, perplexo. Papai Noel concorda. Os demais se entreolham desconfiados.
- Eu vou descobrir quem é o infeliz que tá me traindo! - resmunga Capitão, olhando os seus homens.
- Alguns sumiram do Barracão quando Pirata estava subindo o morro durante a festa e voltaram depois que você e Cavalo retornaram do combate... - continua Papai Noel.
- E você sabe quem são eles? - pergunta Capitão, tenso de raiva.
- Sei, sim! O novato que entrou esta semana, a namorada de Cavalo, o cara que tinha uma moto preta e um cara que não era da comunidade! - responde Papai Noel, enfaticamente. Capitão, perplexo e chocado, olha para o vazio, pensativo.
- Niel? Como ele poderia fazer isso? Ele me passou a impressão de que queria muito entrar no movimento para sustenter a família dele... - divaga Capitão.
- Mas não sabemos com que real intenção ele entrou para o movimento, Capitão! - insinua Papai Noel.
- Vamos fazer o seguinte: estarei de olho no Niel, mandarei gente nossa olhar esses outros que você tem falado! - decide Capitão.
- E eu? O que faço, Capitão? - pergunta Papai Noel. Capitão olha sério nos olhos de Papai Noel.
- Você vê se não vacila e fica de bico calado! Já vi que tu fala demais! - retorquiu Capitão, aborrecido.
- Vai ser difícil... - resmunga baixinho, Papai Noel. Capitão ouviu o que ele disse.
- O que tu disse, Papai Noel? - pergunta Capitão, ameaçador.
- Disse que vai ser preciso... - responde Papai Noel, saindo em seguida. Capitão olha desconfiado para o velho saindo do Barracão.
- Vou ligar para Cavalo e dar a real para ele. - diz Capitão, pegando o celular.
- Fala irmão Cavalo! Firmeza? - pergunta Capitão.
- Tudo firmeza! E aí com vocês? - responde Cavalo.
- Rapaz, Pirata armou pra gente, tentou subir o morro e desci para barrar ele. Acabou que ele me deu um pipoco na perna e dei outro no ombro do fdp! - conta Capitão, animado.
- Mas que fdp esse Pirata, hein? Fala uma coisa, irmão, por que tu não me chamou? - pergunta Cavalo.
- Queria mostrar a Pirata que eu posso dar conta dele, mas ele parece estar esperto demais das minhas coisas, tá sabendo até onde pode invadir o morro! - devolve Capitão.
- Sabe o que acho irmão? Que tem outro X9 na tua turma aí! - raciocina Cavalo. Silêncio por segundos.
- Não é isso, irmão? Outro rato no meu domínio! Até tenho umas ideias de quem ele seja! - conta Capitão.
- Diz pra mim aí, irmão! - pede Cavalo. Mais segundos de silêncio.
- Agora não! Ainda tá embaçado pra mim! Espero contar na próxima que você vir ter comigo aqui no Barracão, tá combinado? - sugere Capitão. Silêncio do outro lado.
- Já é, Capitão! Aproveito para agradecer de o teu pessoal ter cuidado da Ju, quando ela se abrigou no Barracão na hora em que o fpd do Pirata tentou invadir tua festa! - externa Cavalo, agradecido.
- Qué isso, irmão? À vontade! Somos sócios, irmãos do mesmo negócio, um ajuda ao outro, tá ligado? - retribui Capitão.
- Já é, irmão! Tô desligando pra uma parada aqui perto, outro dia falo contigo! - finaliza Cavalo.
- Já é, irmão! Até mais! - retribui Capitão, desligando o celular e o guardando em seguida. Fica pensativo por minutos. O celular toca novamente. Era Dente-de-Onça.
- Fala! - diz Capitão.
- Capitão, a gente conseguiu barrar o pessoal de Pirata aqui perto da praia! - conta Dente-de-Onça, ofegante.
- Coisa boa! Coisa muito boa! E Pé-de-c***a e Granada? Eu mandei eles te darem cobertura, Dente-de-Onça! - questiona Capitão. Ruídos de correria e pipocos são ouvidos pelo celular, deixando Capitão apreensivo.
- Ainda não chegaram, não! - responde Dente-de-Onça, com dificuldade. Capitão se alarma. Pirata teria enboscado o seu pessoal? Tenta ligar para Pé-de-c***a e Granada. Sem resposta.
- Como estão as coisas aí? - pergunta Capitão, preocupado.
- Difícil, mas estamos barrando eles assim mesmo! - responde Dente-de-Onça. Capitão se alarma com a situação. O celular de Capitão volta a tocar. Era Pé-de-c***a.
- Pé-de-c***a, tu tá onde? - pergunta Capitão, urgente.
- Vimos uns caras correndo para a ponte e fomos atrás deles! - responde Pé-de-c***a. Capitão não gostou do que ouviu.
- Deixa eles, depois a gente vê o que faz! Dente-de-Onça está precisando de ajuda! Vá pro lado da praia dar uma força a ele como mandei! - ordena Capitão. Pé-de-c***a demonstra indecisão, o que irrita Capitão.
- Tô falando chinês agora é, Pé-de-c***a? Tu não me entendeu não, pô? - ameaça Capitão. Pé-de-c***a fica encabulado.
- É que não tem gente suficiente para descer! - balbucia Pé-de-c***a. Capitão fica enfurecido pelo comportamento de Pé-de-c***a.
- Faça o que eu mando! - ordena firmemente Capitão.
- Tá certo! - responde Pé-de-c***a, desligando em seguida. Capitão estranha o comportamento do seu braço direito. Começa a pensar no que fazer. Seria ele o traidor?