No barracão, Capitão se senta com dificuldade. Pé-de-c***a e Dente-de-Onça permaneciam de pé diante dele.
- Cavalo me disse que alguém aqui se engraçou para a mina dele quando Pirata tentou subir o morro! - revela Capitão, tenso.
- Quem seria esse infeliz? - revolta-se Dente-de-Onça.
- Se eu descobrirr quem é o fdp, virou ele do avesso! - complementa Pé-de-c***a, exaltado.
- Papai Noel me disse que viu Niel e a mina do Cavalo embaixo do palco dos DJs... - continua Capitão. Silêncio por instantes.
- O pivete é inocente demais para fazer uma besteira desssa, Capitão! - raciocina Pé-de-c***a.
- Ou por ser muito inocente, ele mordeu a isca... - complementa Dente-de-Onça.
- O que sei é que um X9, que tá solto no meio da gente, contou isso para o Pirata, que usou isso para tirar Cavalo da sociedade com a gente. - explica Capitão, abatido.
- Quem é esse tal de Papai Noel. que não conheço? - pergunta Pé-de-c***a. Capitão olha desconfiado para Pé-de-c***a, que engole em seco,
- Poucos sabem quem ele é, e é melhor que continue assim.... - responde Capitão, tenso.
- Que a gente faz agora, Capitão? - pergunta Dente-de-Onça. Capitão olha de um para outro por instantes.
- A gente vai fazer o seguinte: hoje de tarde vamos levar o movimento para o outro lado do morro, para as comunidades baixas que Pirata ainda não alcançou! - explana Capitão, mais calmo.
- Já é, Capitão, mas eu quis dizer é o que fazer com o pivete que se atracou com a mina de Cavalo? - insiste Dente-de-Onça.
- Vamos esfolar o traíra vivo, pra todo mundo ver! - intromete-se Pé-de-c***a. Capitão olha f**o para Pé-de-c***a, que se encabula.
- Pé-de-c***a, já te falei que quem dá as cartas no movimento das comunidades do morro sou eu! - intimida Capitão, calmamente.
- Certo, Capitão! Foi m*l! - retrata-se Pé-de-c***a. Capitão olha por segundos, pensativo, para o movimento de pessoas fora do Barracão. Volta-se para Dente-de-Onça e Pé-de-c***a.
- Deixem o Niel comigo! Papai Noel também falou de um cara em uma moto preta que ficou com a gente durante o apavoro de Pirata. Procurem saber sobre ele! - ordena Capitão.
- Jà é, Capitão! - responde Dente-de-Onça.
- Agora, me ajudem a sair desta cadeira... - pede Capitão, gemendo de dor. Pé-de-c***a e Dente-de-Onça se aproximam, um de cada lado de Capitão, e o levantam da cadeira. Enquanto isso, Martiniel estava se preparando para sair de casa. A casa estava escura, Natanaiel não queria acordar os seus pais.
- "Pra" onde você vai? - pergunta seu Onofre, preocupado, acendendo a luz da sala e assustando Martiniel. Seu Onofre estava à espreita em um canto escuro da sala. Martiniel respira fundo, tentando se recompor do susto.
- Vou "pra" uma peneira de novo, pai! - responde Martiniel, sem passar segurança.
- Que peneira é essa, que não conheço, Martiniel? - pergunta seu Onofre, tenso. Martiniel, a princípio, hesita em ir para a porta, mas cria coragem e se aproxima da saída da casa.
- É a peneira da baixada, pai! Só os melhores passam por ela! Agora,dá licenca? Estou indo! - diz Martiniel, abrindo a porta e saindo de casa sob os olhares tristes de seu Onofre. Martiniel desce a rua. Ainda não havia amanhecido completamente, embora os raios de sol tocassem o horizonte. Zaroio subia a rua para se encontrar com Martiniel.
- E aí, Martiniel? Vamos nessa! - chama Zaroio, dando meia-volta para que Martiniel o seguisse. E assim os dois sobem o morro.
- Pé-de-c***a não deu um toque "pra" gente ainda, Martiniel! Isso é estranho! - raciocina Zaroio.
- Ele pode "tá" ocupado, Zaroio! Tu não vê os perrengues que ele passa no barracão? - retruca Martiniel. Zaroio volta-se para Martiniel, preocupado.
- Será eles descobriram? - pergunta Zaroio, temeroso. Martiniel olha por instantes para o amigo, depois sorri, debochado.
- Vira essa boca "pra" lá, Zaroio! - rebate Martiniel. Pouco depois, Martiniel recbe um toque no celular. Era Capitão.
- Fala, Capitão! - atende Martiniel.
-Niel! Tu vem hoje direto "pro" barracão "pra" um papo reto comigo, tá ligado? - fala Capitão, com a voz carregada de rancor que fez Martiniel ter um calafrio na espinha. Martiniel arregala os olhos e para. Ao ver o amigo parar daquele jeito, Zaroio para e percebe não ser coisa boa.
- Já é, Capitão! - responde Martiniel, aguardando mais alguma mensagem de Capitão. Ouviu apenas o desligar do celular do outro lado.
- Que foi, Martiniel? - pergunta Zaroio. Martiniel guarda o celular, com uma expressão tensa.
- Capitão me chamou para ir direto ao barracão ter um papo reto com ele! - diz Martiniel, com voz sumida.
- Isso não é bom! Isso não é bom, Martiniel! - repete Zaroio, angustiado. Martiniel olha ao redor, preocupado.
- E eu não sei disso, Zaroio? - exaspera-se Martiniel.
- Eles descobriram tua escapada com a mina do Cavalo, viu? Eu te avisei! Eu te avisei! - rebate Zaroio, perplexo. Martiniel olha aborrecido para o amigo.
- E eu te dizendo "pra" virar essa tua boca "pra" lá e você martelando, martelando, agourando, agourando, agourando! - retruca Martiniel, aborrecido.
- Eu "tô" tentando te ajudar! Tu se engraçou para a mina do Cavalo pensando que ninguém "tava" vendo, Martiniel! Eu te avisei! Eu te avisei!- responde Zaroio, impaciente.
- Zaroio, você me ajudaria mais se parasse com essa ladainha de "eu te avisei"! - rebate Martiniel.
- Onde tu "tava" com a cabeça quando se atracou com a mina do Cavalo? - insiste Zaroio. Martiniel lança um olhar perdido para o horizonte.
- Não sei! Só sei que a gente se falou um pouco, depois me esqueci de tudo! - raciona Martiniel, instrospectivo. Os dois ficam pensando por instantes.
- Já sei! Vamos fugir! - propõe Zaroio. Martiniel ri, incrédulo.
- Cara! Tu sabe o que está falando? "Pra" onde a gente vai fugir de Capitão e de Cavalo? - pergunta Martiniel, incrédulo e perplexo.
- Nâo sei... Vamos para o outro lado da cidade, sair do estado, mudar de país! - raciocona Zaroio. Martiniel se ri da ingenuidade do amigo.
- Aqueles caras tem gente em todo lugar, acha que não vão pegar a gente? - entrega Martiniel. Zaroio se faz de ofendido.
- Então decide o que fazer você mesmo, pois foi culpa tua de a gente ficar nessa situação! - rebate Zaroio. Martiniel pensa por instantes.
- Vamos primeiro ver o que acontece, seguindo a ordem de Capitão... - pensa Martiniel.
- É essa a tua ideia? Ir ter o tal papo reto com Capitão? - rebate Zaroio.
- Tem ideia melhor? - retruca Martiniel.
- A gente nem ir no barracão agora! - argumenta Zaroio. Martiniel ri irônico.
- Tu sabe que, se a gente fizer isso, Capitão vai mandar o pessoal dele caçar a gente! - retruca Martiniel.
- Tá bom! Tà bom! Vamos "pro" barracão ver o nosso fim! - conforma-se Zaroio.
- "Bora" logo, ou vão buscar a gente! - exaspera-se Martiniel. Continuam subindo o morro, desconfiados. Nem sinal de Pé-de-c***a ou de algum dos homens de Capitão. Martiniel suava frio com medo de que qualquer homem que o olhasse pudesse ser alguém de Capitão ou de Cavalo. Veem o barracão de longe.
- Quando chegar lá vou ficar fora do barracão, pois se acontecer algo eu poderei fugir! - revela Zaroio. Martiniel ri um pouco.
- Cara, tu não entendeu a situação toda. não? -pergunta Martiniel, incrédulo.
- Tanto faz "pra" mim, mas vou arriscar fugir de qualquer jeito! - retruca Zaroio, impaciente.
- Você é quem sabe... - devolve Martiniel, lacônico. E assim se aproximam cautelosamente do barracão. Não havia ninguém ao redor. O que acontecerá com eles?