Capítulo 13 - Campo Minado 3

1300 Palavras
Capitão já estava vendo Martiniel e Zaroio chegando. Zaroio para fora do barracão e Martiniel entra, deixando Capitão e alguns homens que estava com ele desconfiados. Capitão estava sentado, com uma grande mesa sem toalha diante dele. - Ô Vesgo! Chega aí! - brada Capitão. Zaroio olha para Capitão, timidamente. - Vou ficar aqui, Capitão! - responde Zaroio, inseguro. Capitão olha para Martiniel. tenso. - Por que o teu amigo não quer entrar? - pergunta Capitão. Martiniel apenas pensa por instantes. - Não sei, Capitão! - responde Martiniel, sem convicção. - Então foi ele! Foi o vesgo!- sugere Catraca, um dos homens que estavam com Capitão. Capitão olha para Catraca, surpreso. Zaroio sua frio. Martiniel teme pelo pior. - Como tu sabe, Catraca, se Papai Noel disse que foi outro? - interpela Capitão. Catraca apenas sorri, encabulado. - Olha o jeito dele! Está com medo de entrar no Barracão! - insiste Catraca. Capitão pensa por instantes, olhando para Zaroio, que engole em seco. Martiniel não sabia para que era aquela reunião. - Vesgo, se tu não entrar no Barracão agora, tu vai descer o morro no saco! - sentencia Capitão, impaciente. Zaroio e Martiniel se entreolham por instantes. Martiniel faz sinal de positivo com a cabeça para o amigo, que entra devagar no Barracão. - Vesgo, tu "tava" onde quando Pirata tentava subir o morro na noite da festa? - pergunta Capitão. Zaroio pensa por instantes. - Eu "tava" no Barracão, Capitão! - responde Zaroio. - E tu não viu onde "tava" Niel, o teu amigo? - insiste Capitão. Zaroio engole em seco. Olha por instantes para Martiniel. - Ele "tava" rangando na mesa... Enchendo o bucho, Capitão! - responde Zaroio, tentando passar convicção. Capitão e os seus homens se entreolham, desconfados. - Niel, por que tu não fez nada ao ver que Pirata "tava" subindo o morro naquela hora? - pergunta Capitão. Martiniel pensa por instantes. Não poderia dar um passo em falso. Estava em campo minado. - Não tinha o que fazer, Capitão! Eu "tava" sem equipamento, até porque a gente não podia estar equipado dentro do Barracão sem sua permissão.. - dizia Martiniel. - É verdade... - interrompe Catraca. Capitão olha aborrecido para Catraca. - Catraca, deixa o moleque terminar de falar, pô! - reclama Capitão, apontando depois para Martiniel para ele prosseguir. - Então fiquei com muita fome e ranguei ali mesmo! É só isso, Capitão! - conclui Martiniel. Capitão fita seriamente a ambos, a Martiniel e a Zaroio, olhando de um para o outro lentamente. Por fim, faz um sinal para Dente-de-Onça. - Dente-de-Onça, chega aí! - diz Capitão. Dente-de-Onça chega equipado até os dentes. - Fala, Capitão! - diz Dente-de-Onça. - Novidades da central? - pergunta Capitão. - O cara da moto preta não era da comunidade, Capitão! - responde Dente-de-Onça, lamentoso. - Eita! Como ele entrou na minha comunidade e ainda ficou no Barracão? Quem "tava" de ronda na entrada do lado da praia naquela noite? - pergunta Capitão, perplexo. - Garrafinha e Peteleco "tavam" fazendo ronda lá naquela noite, Capitão! - informa Dente-de-Onça. Capitão se aborrece ao extremo. - Dente-de-Onça, vai lá e traz os dois "pra" cá! - ordena Capitão, contrariado. - Já é, Capitão!- disse Dente-de-Onça, fazendo sinal para que dois homens o seguissem. Um homem com uma mochila aparece na entrada do Barracão. Capitão o reconhece e acena para que ele entre. - Fala, Doutor Zeca! Chega aí e trata a minha perna! - diz Capitão. Doutor Zeca era um médico que ajudava ao pessoal da comunidade. - Vim correndo assim que recebeu o seu toque, Captão! - responde Doutor Zeca. Capitão apenas sorri como resposta. Doutor Zeca olha a ferida na perna e tira o curativo que tinham deixado. - Vou cudar dessa ferida, Capitão! - avisa Doutor Zeca, retirando da mochila itens de primeiros socorros e cuida da perna ferida de Capitão. - Zaroio, Niel, o papo é o seguinte, hoje de tarde a gente vai dar um toque em Pirata, lá na entrada da praia do sul! - planeja Capitão. - Capitão! Pirata já tomou aquela área? - pergunta Catraca. - Ainda não, Catraca! Seremos os primeiros a tomar aquela área da praia! - responde Capitão. Na verdade, Capitão e Catraca combinaram entre si falar de uma forma insuspeita, para descobrir quem seria o X9. - Já é, Capitão! - respondem Martiniel e Zaroio. - Vou mandar mensagem "pra" vocês e vão se encontar com Pé-de-c***a na trilha do mato! Agora "tão" dispensados! - determina Capitão. Zaroio e Martiniel saem do Barracão, calados, no mesmo instante em que chegavam Dente-de-Onça e alguns homens trazendo Garrafinha e Peteleco. - "Taí" os pivetes, Capitão! - anuncia Dente-de-Onça. Garrafinha e Peteleco se entreolham, temerosos. Capitão lança um olhar de decepção e fúria. - "Cês" sabem por que estão aqui agora? - pergunta Capitão, sério. Garrafinha e Peteleco eram dois jovens de pouco mais de dezesseis anos que foram admitidos no movimento alguns meses antes de Martiniel e Zaroio, mas não conheciam aqueles dois. - Não, Capitão! - responde Garrafinha, timidamente. Capitão sorri, irônico. - Eu sabia que um de vocês responderia desse jeito! Todos os trairas que pegamos sempre disseram que não sabiam do porquê serem chamados "pra" um papo reto comigo, não é pessoal? - pergunta Capitão, olhando para os homens ao redor, que concordavam com ele. - Teve aquele carinha que mandava mensagem "pro" Pirata... - comentava Pé-de-c***a, sendo interrompido pelo olhar fulminante de Capitão. - Pé-de-c***a, isso aí já é passado! - fulmina Capitão, olhando severamente para Pé-de-c***a, que se encabula. - Foi m*l, Capitão! - desculpa-se Pé-de-c***a. Capitão volta-se para os dois jovens. - Eu soube que, naquela noite da festa no Barracão, vocês vacilaram na ronda no pé do morro que dá para a orla da praia, deixando um cara montando numa moto preta entrar sem a autorização minha ou de algum dos generais aqui! - conta Capitão, apontando para Pé-de-c***a e Dente-de-Onça ao fazer menção da função deles. Garrafinha e Peteleco suavam frio e tremiam como vara verde. - A gente achou que não tinha nada de mais por ser só um cara na moto! - responde Garrafinha com voz sumida. Capitão sorri com raiva olhando a todos ao redor. - O que eu sempre falei? "Pra" não vacilar! "Pra" que dei celular "pra" cada um? "Pra" eu ficar sabendo o que "tá" acontecendo!- fala Capitão. Garrafinha e Peteleco tremem. - Capitão! A gente não vai vacilar mais, não! - implora Peteleco. - É, Capitão! Da próxima a gente não vacila! - completa Garrafinha. - Vacilar vocês não vão mais porque não terão outra vez para isso!- responde Capitão, secamente. Doutor Zeca levanta-se. - Pronto, Capitão! Já fiz umas coisas que farão a ferida sarar! - informa Doutor Zeca. - Valeu, Doutor Zeca! - agradece Capitão. - Já é, Capitão! - devolve Doutor Zeca, deixando o Barracão enquanto Capitão, extremamente decepcionado, continuava fitando os dois jovens. - Dente-de-Onça! - chama Capitão. Dente-de-Onça se aproxima de Capitão. - Fala, Capitão! - responde Dente-de-Onça. - Quebra o pescoço de Garrafinha! - ordena Capitão. Garrafinha tenta correr, mas é apanhado pelos homens de Capitão. Dente-de-Onça se aproxima e dá uma forte gravata em Garrafinha, que cai desacordado. Peteleco entra em choque ao ver o amigo desfalecido no chão. Dente-de-Onça observa o jovem caído por instantes, volta-se então para Capitão. - E o outro? - pergunta Dente-de-Onça. Capitão olha para Peteleco em choque. - Deixa eu mandar a real "pra" ele, Dente-de-Onça!- diz Capitão. Dois homens se adiantam e pegam Peteleco, cada um em um braço, e o levam para mais perto de Capitão. - Tu vai me dizer agora se alguém molhou tua mão "pra" deixar o cara da moto subir "pra" minha festa! - inquire Capitão. Peteleco gagueja. Qual será o fim do jovem vacilão?
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