Capítulo 14 - Campo Minado 4

1299 Palavras
Os homens de Capitão trouxeram Peteleco para mais perto do chefe. Capitão não podia ficar de pé. - Peteleco, diz pra mim quem molhou tua mão "pra" deixar aquele cara de moto entrar no meu domínio! - exige Capitão. Peteleco tremia mais que vara verde. Capitão expressa apreensão com o silêncio do jovem. - Desembucha, Peteleco! - grita Capitão. Peteleco se estremece com o grito de Capitão. - Foi um cara.. Veio um dia antes da festa! Ofereceu duas mil pilas "pra" gente deixar o cara da moto chegar até o Barracão! - responde Peteleco. Capitão olha para Peteleco com um misto de raiva e alívio. - Tu vai me dizer quem era o cara? - exige Capitão. Peteleco titubeia antes de falar. - Não sei quem era, Capitão! Ele não era daqui! - responde Peteleco, ofegante. Capitão ainda não se deu por satisfeito. - Vai me entregar o cara se ver ele? - pergunta Capitão, tenso. Peteleco pensa por instantes. - Não me lembro como ele era, Capitão! - devolve Peteleco. Não era o que Capitão queria ouvir. - Tu não se lembra ou não quer entregar o cara? - insiste Capitão. Peteleco se estremece com a pergunta e se cala por longos minutos. - Chega aí, Dente-de-Onça! - diz Capitão, Dente-de-Onça para até onde estava Peteleco e os dois homens que o seguravam. - Fala, Capitão! - responde Dente-de-Onça. Capitão olha meio com pena e meio com ódio para Peteleco. - Leva o pivete "pro" pé do morro, no mangue! Tu sabe o que fazer com ele! - sentencia Capitão, sério. Peteleco se desespera. Tenta se livrar dos homens que o seguravam. - Não, Capitão! Não! - suplica Peteleco, às lagrimas. Capitão apenas o fita, impassível. Dente-de-Onça faz sinal para que os homens que seguravam Peteleco o levassem. - Já foi, Capitão! - responde Dente-de-Onça, acompanhando os homens que saíram do Barracão levando Peteleco. - Será que há mais X9 no meio da gente? - pergunta Capitão, para si mesmo. Catraca se aproxima. - Ainda falta saber quem se engraçou para a mina de Cavalo, Capitão! - lembra Catraca. Capitão respira fundo e por fim olha para Catraca. - Ainda falta esse bagulho pra resolver... - lamenta Capitão. Catraca pensa por instantes. - Tem alguma ideia de quem é o infeliz? - pergunta Catraca, casualmente. Capitão fixa o olhar para fora do Barracão. - Só aquele que Papai Noel me falou... Mas ainda está incerto isso... - responde Capitão. - Ao menos Vinte Léguas está tranquila. - devolve Catraca. - Falou, Catraca! Ninguém assalta alguém aqui, e ninguém de fora pode entrar sem eu saber! - responde Capitão. - E o meu plano? - pergunta Catraca. - "Tá" como o esperado, vamos ver quem vacila agora! - responde Capitão. - Já é, Capitão! Tenho umas coisas pra resolver na baixada, vou nessa! - despede-se Catraca. - Já é, Catraca! Até mais ver! - responde Capitão, Catraca sai do Barracão. Capitão permanece calado, olhando para fora do Barracão. Enquanto isso, Martiniel e Zaroio estavam perto de chegar na ruela que leva à casa deles na comunidade Vinte Léguas. - Capitão "tava" estranho hoje, Zaroio! - observa Martiniel. Zaroio olha enviesado para o amigo. - E tu acha que era "pra" ele estar como? Feliz? Cara! Descobriram que tu e a mina de Cavalo "tavam" num oba-oba danado e tu fica "sussa"? - reclama Zaroio. - Até parece! Se fosse você no meu lugar.. - resmunga Martiniel. - Se fosse eu no seu lugar não cairia na armadilha "pra" não ficar de m*l com Cavalo ou com Capitão! - retorquiu Zaroio. Martiniel olha aborrecido para o amigo. - Mas você não "tava" no meu lugar, então não sabe o que deu em mim naquela hora! - devolve Martiniel, impaciente. Zaroio olha para o amigo, compreensível. - Pode ser... - conforma-se Zaroio. Ao dobrarem uma esquina, Mirna e amigas desciam o morro. Os jovens param. - Martiniel! Zaroio! O que "tão" aprontando agora? - pergunta Mirna, simpática. Martiniel e Zaroio se entreolham surpresos. - Como assim, aprontando? - pergunta Martiniel. Mirna sorri, marota. Os rapazes ficam confusos. - Vocês "tavam" numa grande festa que aconteceu morro acima! - responde Mirna, brincalhona. Martiniel e Zaroio se entreolham, perplexos. - Como você soube disso, Mirna? - pergunta Martiniel, temeroso. Mirna olha desconfiada para as amigas, - Foi a Salete quem me contou! - responde Mirna, apontando para uma de suas amigas. - Rosali me contou, porque ela acha que ele é teu namorado! - devolve Salete, encabulada. Mirna olha perplexa para as suas amigas. - Quem disse que o Martinel é meu namorado? - pergunta Mirna, olhando, surpresa, para as amigas, que se entreolhavam dando risadinhas. - Todo mundo! - respondem elas, quase em unissono. Mirna se volta para Martiniel. - Difícil guardar segredo, não é, Martiniel? - pergunta Mirna, brincalhona. Martiniel engole em seco. - É... É, sim... - titubeia o jovem. Martiniel e Mirna trocam olhares insuspeitos. Os amigos percebem. - Vamos na frente! A gente se encontra depois, tá, Mirna? Vem com a gente, Zaroio! - diz Salete, chamando as outras amigas para que a acompanhassem. Zaroio, incrédulo, apenas acenou positivo com a cabeça e, sorridente, foi acompanhar as moças. Martiniel e Mirna se entreolham mais um pouco. - Que engraçado! - sorri Mirna, deixando Martiniel curioso. - O que é engraçado, Mirna? - pergunta Martiniel. Mirna olha ao redor antes de fitar o olhar em Martiniel. - Que já pensam que estamos namorando! - responde ela, ternamente, com um lindo sorriso que deixa Martiniel vulnerável. - E isso é r**m? - pergunta Martiniel, já envolvido pela beleza da moça. - Depende... - disfarça Mirna. Martiniel sorri. - Depende de quê? - insiste Martiniel. Mirna olha nos olhos de Martiniel. O jovem treme por dentro. - Depende de se for mesmo verdade! - responde Mirna. Ambos sorriem enquanto flertam. - Então vamos tornar realidade! - decide Martiniel. Enquanto ainda se olham nos olhos, Martiniel pega ternamente nas mãos de Mirna e se aproximam lentamente um do outro até que se beijam sem se darem conta. Depois do beijo, olham um para o outro entre admirados e envergonhados. - Desculpe, não quis forçar... - exime-se Martiniel. - Não foi forçado, eu também quis! - retruca Mirna, emanando felicidade. Martiniel sorri, aliviado. - Meus pais devem "tá" preocupados, Mirna! Tenho que ir "pra" casa! - diz Martiniel, lamentoso. - Sei como é... Também tenho que voltar "pra" casa depois de ir na feira lá embaixo... - lamenta Mirna. - Depois a gente se vê! - promete Martiniel. Trocam um selinho antes de irem para direções opostas. Já perto de casa, Martiniel encontra o seu pai esperando na porta, de braços cruzados. - Martiniel, diga "pra" onde você foi, porque "pra" uma peneira é que não! - cobra seu Onofre, bloqueando a porta. Martiniel olha aflito para o seu pai. - Pai, fui "pra" uma peneira, sim! "Cê" não confia em mim, não? - pergunta Martiniel, fingindo mágoa. - Perguntei a todo mundo e ninguém me disse de peneira nenhuma! - rebate seu Onofre, reticente. Martiniel, acuado, finge mágoa. - É que essa peneira é secreta, porque é muito concorrida, pai! Vale vaga "pra" um time grande! - arrisca Martiniel. Seu Onofre estranha. - Ninguém me falou de peneira secreta nenhuma! - retorquiu seu Onofre. Martiniel sorri, dissimulado. - É porque ela é secreta, pai! Se geral soubesse dela, não seria mais secreta, seria? - pergunta Martiniel. Seu Onofre olha incrédulo para o filho. - Não, não seria! - responde seu Onofre, secamente. Martiniel sorri cinicamente. - Então! Agora posso entrar? - pergunta Martiniel. Seu Onofre titubeia. Calado, deixa a porta livre para Martiniel. Martiniel entra e vai logo para o banheiro. Seu Onofre continuava desconfiado. Alguma hora ele descobrirá a verdade?
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