Capítulo 15 - Confissão 1

1295 Palavras
Martiniel toma um rápido banho e se dirige para a cozinha. Estava faminto. Dona Ozenilda se aproxima de Martiniel, preocupada. - Filho, você passou o dia fora de casa e não comeu nada? - pergunta dona Ozenilda, aflita. Seu Onofre entra e vai devagar até onde eles estavam. Seu Onofre e dona Ozenilda se entreolham, penalizados. - Filho, pode me dizer o que "tá" acontecendo? - pergunta seu Onofre, suplicante. - Somos os seus pais, Martiniel! Conte "pra" nós o que se passa! - insiste dona Ozenilda. Martiniel apenas olha para os dois, indiferente. - Não "tá" acontecendo nada de mais! É só um peneirão daqueles, muito concorrido! - retruca Martiniel. - E essa peneira vale tanto a ponto de você ficar sem comer o dia todo? - pergunta seu Onofre, irônico. - Vale, sim! Se eu passar, vou "pra" um time grande ganhar uma bolada e tirar a gente desse buraco! - responde Martiniel, contrafeito. Dona Ozenilda se volta, aflita, para se Onofre. - Vamos dar um crédito a ele, Onofre! - pede dona Ozenilda. Seu Onofre se mostra desfavorável. - Ozenilda, já perguntei a todo mundo e ninguém sabe dessa peneira que ele "tá" falando! - insiste se Onofre. - Eu já falei, pai! É um peneirão secreto porque tem poucas vagas "pra" um time grande! - retorquiu Martiniel, incomodado. - Então me diz "pra" qual time grande é esse peneirão! - desafia seu Onofre. Martiniel olha ofendido para o pai. - Se não acredita em mim é só dizer! - retruca Martiniel, saindo da mesa e indo para o quarto. Seu Onofre e dona Ozenilda se entreolham, decepcionados. - Ele está aprontando alguma! Vou descobrir o que é! - diz seu Onofre para dona Ozenilda. Dona Ozenilda reflete por instantes. - E se ele estiver falando a verdade, de que esse peneirão existe? Não é melhor esperar para ver? - pergunta dona Ozenilda. Seu Onofre apenas olha por instantes para dona Ozenilda, pensativo. - De qualquer forma, só vou ficar tranquilo quando ver que está tudo bem com o menino! - retruca seu Onofre, indo para o quarto em seguida. Preocupada, dona Ozenilda se volta para a cozinha. Meia hora depois, Martiniel sai do quarto apressado. - "Pra" onde você vai agora, Martiniel? Espere que o almoço está quase pronto! - diz dona Ozenilda. Martiniel faz pouco caso. - Não dá, mãe! Vai ter outro treino agora e não posso faltar! No intervalo eu como alguma coisa lá mesmo! - responde Martiniel, saindo apressado antes que o seu Onofre, que já estava saindo do quarto, o interpelasse. - Ele saiu de novo? - pergunta seu Onofre, surpreso, vendo a porta sendo fechada. - Sim.. E sem almoçar! - responde dona Ozenilda, penalizada. Após minutos se entrolhando em silêncio, seu Onofre volta vagarosamente para o quarto, desapontado. - Tem algo errado com esse menino! Ah, se tem! - fala consigo seu Onofre. Dona Ozenilda apenas observa, em silêncio, seu Onofre iindo para o quarto. - Quando o almoço estiver pronto eu te chamo, Onofre! - fala alto dona Ozenilda. - "Tá" certo! - responde seu Onofre, dentro do quarto.Enquanto isso, Martiniel descia o morro apressado. Tinha recebido um toque de Capitão para comparecer ao Barracão o mais rápido o possível. Ele estava certo de que Zaroio também teria recebido a mensagem. E não demorou muito para se encontrarem mais abaixo. - Tu vê como o Capitão "tá" urgente agora? - perguntou Zaroio. - "Tô", Zaroio! Vamos nessa! - retruca Martiniel. Depois de passarem por uma ruela de casas coloridas se encontram com Pé-de-c***a e mais cinco homens de Capitão. - Que demora foi essa, seus pivetes? - esbraveja Pé-de-c***a. Zaroio e Martiniel se entreolham, preocupados. - A gente veio assim que recebemos o toque de Capitão! - responde Martiniel. Pé-de-c***a não se satisfez com a resposta e empurra os dois para que seguissem mais rápido. - "Bora"! Andem logo! - resmunga Pé-de-c***a. Martiniel e Zaroio estranham a atitude do braço-direito de Capitão. - Tem caroço no angu, Martiniel! - sussurra Zaroio. - Parece que sim, agora fica quieto, Zaroio! - sussurra Martiniel. E assim Martiniel e Zaroio juntamente com Pé-de-c***a e seus homens. Ao se aproximarem do Barracão, percebem um certo alvoroço. - Que aconteceu, Pé-de-c***a? - pergunta Martiniel, preocupado. Pé-de-c***a se aproxima ameaçador de Martiniel. - Pivete, tu vai ter que se explicar é com Capitão! - diz Pé-de-c***a, forçando os dois jovens a entrarem no Barracão. Capitão, ainda se recuperando do ferimento na perna, estava sentado no lado maior da grande mesa de madeira sem toalha que estava ao fundo do Barracão, visivelmente irritado. - Niel, sabe porque "tô" te chamando? - pergunta sério Capitão. Martiniel olha timidamente para Capitão. - Não, Capitão, não sei de nada! - responde Martiniel. Capitão sorri, irônico. - O lugar onde a gente tinha marcado de dar um toque em Pirata foi tomado por PMs...Eles não encontraram nada e assumiram ser um trote... - conta Capitão, pausadamente. Martiniel e Zaroio se entreolham rapidamente. - A gente não foi lá porque não fomos mandados! - responde Zaroio. - Ou não foram porque sabiam que a polícia iria lá, não foi isso, seu pivete fpd! - fala Pé-de-c***a, enraivecido. Capitão olha contrariado para Pé-de-c***a, que se recompõe. - Pé-de-c***a, desse assunto cuido eu, "tá"? - avisa Capitão. Pé-de-c***a se conteve. - Foi m*l, chefe! - responde Pé-de-c***a, - O motivo que te chamei, Niel, foi que a mina de Cavalo contou o que rolou naquela festa... - conta Capitão, pausadamente. Martiniel engole em seco. - O que ela contou? - pergunta Martiniel. - Ela disse que, quando se assustou com os pipocos dos caras de Pirata, você se aproveitou para levar ela "pra" atrás do palco dos DJs para se agarrar com ela...- conta Capitão, ameaçador. Martiniel sua frio. Zaroio se apavora. - Não foi isso que aconteceu! Ela pegou o Martiniel e levou ele para trás do palco dos DJs! - desespera-se Zaroio. - Vesgo, só fale quando eu mandar, "tá" ligado? - retruca Capitão, irritado. - Capitão, foi como o Zaroio disse! Ela me levou para atrás do palco dos DJs! - exclama Martiniel, desesperado. - "Tá" dizendo que a mina de Cavalo está mentindo? - rebate Pé-de-c***a, revoltado. - "Tô", sim! Tem câmeras no Barracão! Olhem os vídeos! - insiste Martiniel. Capitão faz sinal para que Pé-de-c***a ficasse quieto. - Aí é que está, Niel! As câmeras estavam desligadas naquela noite, não se sabe por quem ainda... - revela Capitão. Martiniel não esperava por isso. Olha ao redor, ambiente desfavorável. - Tinha muita gente lá! Alguém mais pode dizer o que de fato aconteceu! - insiste Zaroio. Capitão meneia a cabeça negativamente por segundos. - Sabe quem me ligou agora a pouco, Niel? - pergunta Capitão. - Não sei, Capitão! - responde Martiniel, temeroso. - O Cavalo me ligou. Foi a ele que a mina tinha contado o que rolou naquela festa. Ele disse que a gente tem até o pôr-do-sol para te entregar a ele ou ele virá com Pirata e tomarão o morro! - conta Capitão, perplexo. Martiniel e Zaroio se afligem, - Mas Capitão! Não foi assim que aconteceu! - insiste Martiniel. - Eu te avisando para não vacilar... Foi perder a cabeça justo com a mulher do meu sócio? - revolta-se Capitão. - Eu não sei o que aconteceu! Só me deixei levar! - defende-se Martiniel. - Deixou-se levar pelo canto da sereia, pivete? Para com esse "caô"! - interveio Dente-de-Onça. - Agora a gente vai entregar vocês pra Cavalo!- decidiu Capitão. - Capitão! Espere! Alguém pode ter visto tudo! - insiste Zaroio. - "Tá" bom, Vesgo! - esbraveja Capitão. Martiniel e Zaroio são conduzidos por dois homens de Capitão para fora do Barracão. O que se sucederá a eles?
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