Capítulo 16 - Confissão 2

1299 Palavras
Martiniel e Zaroio são levados por Pé-de-c***a e quatro homens para fora do Barracão. Os dois jovens entreolham-se, temerosos. E não era para menos, pois estavam sendo injustamente entregues a Cavalo, Descem por uma trilha ao lado do Barracão. - Pivete, tu nem imagina o que te espera! - avisa Pé-de-c***a. Martiniel apenas fica calado. Mais algum tempo de caminhada e pipocos ecoam. Alarmados, Pé-de-c***a e seus homens ficam de prontidão. - Emboscada! Emboscada! - grita Pé-de-c***a. Uma saraiva de pipocos os deixa acuados, tanto que logo estão atirando a esmo. Martiniel e Zaroio tentam se proteger e acabam se afastando do grupo. Preocupados em se defender do ataque-surpresa, Pé-de-c***a e seus homens não percebem os dois jovens se afastando deles. Martiniel e Zaroio só se deram conta que estavam se afastando dos homens de Capitão quando já estavam mata adentro. - Martiniel! Nos livramos deles! - sussurra Zaroio. - Vamos fugir logo! - sussurra Martiniel. E assim os jovens correm mata adentro, fugindo do tiroteiro e dos homens de Capitão. Depois de minutos se defendendo, Pé-de-c***a dá falta pelos jovens. - "Cadê" os pivetes? - pergunta Pé-de-c***a, sem parar de soltar pipocos para o lado onde estão os agressores. - Pé-de-c***a, eles fugiram! - responde Catraca. - Catraca, vá com mais dois pela mata e ache os dois muleques!! - grita Pé-de-c***a, furioso. Nisso, Pé-de-c***a é atingido na perna direita e cai. Catraca e dois homens adentram a mata à caça de Martiniel e Zaroio, que estavam muito adiantados. - Vamos para onde, Martiniel? - pergunta Zaroio, ofegante. - Para o mais longe que puder daqui, Zaroio! - responde Martiniel, igualmente ofegante. Aproximam-se daquela ponte sobre o mangue, onde ocorreu o confronto entre Pirata e Capitão. Depois da ponte ficava a orla marítima. Agora Martiniel já não tinha mais dúvidas quanto para onde ir. - Vamos atravessar a ponte! - decide Martiniel. Zaroio olha surpreso para o amigo. - "Cê" "tá" louco, Martiniel? - Pirata controla aquela àrea! - retruca Zaroio, exasperado. Martiniel parecia despreocupado. - "Vamo" assim mesmo! Ele não espera que a gente apareça lá! - rebate Martiniel. E assim os dos embrenham-se mata adentro. - "Cadê" aqueles pivetes fpd? - brada Pé-de-c***a enquanto estava caído, ferido. Alguns de seus homens tentam ajudá-lo enquanto outros combatem os homens de Pirata e Cavalo. A batalha estava renhida. Dente-de-Onça se apressa em socorrer Pé-de-c***a para que saísse com vida dali. - Pé-de-c***a, corre para a mata do lado do morro! - grita Dente-de-Onça, correndo apressado juntamente com mais dez homens. Alguns deles caem. Pé-de-c***a, sendo suportado por mais outros dois homens, cada um de um lado, atende ao pedido de Dente-de-Onça e decide evadir-se dali. Alguns homens davam cobertura. Conseguem alcançar uma trilha estreita dentro da mata, que leva a duas grandes pedras ao pé do morro. A trilha secreta era um caminho entre essas duas grandes pedtras que levava a uma trilha maior que subia a encosta do morro e chegava ao Barracão de Capitão. Subitamente, pipocos são ouvidos de longe, afugentando os homens de Pirata e de Cavalo. Era a polícia militar, que havia chegado de repente, ironicamente, ajudando Pé-de-c***a e Dente-de-Onça a escaparem. Assustados, os homens de Capitão que estavam combatendo na área fogem para o atalho em que Pé-de-c***a e seus homens haviam fugido. - Pé-de-c***a, escapamos!!! - brada Dente-de-Onça, entre aliviado e empolgado. Pé-de-c***a apenas acena positivamente com a cabeça. Os homens se esforçam em chegar ao Barracão. Em chegando no Barracão, Capitão estranha a forma como seus homens chegaram. - E aí? Entregaram os pivetes para Cavalo? - pergunta Capitão, bastante ansioso. Pé-de-c***a e Dente-de-Onça ficam em silêncio. Capitão percebe que o seu braço-direito havia sido atingido. - Tu levou um tiro, Pé-de-c***a? - pergunta Capitão, surpreso. Pé-de-c***a apenas acena meneia posivito com a cabeça. - E os pivetes? - insiste Capitão. Dente-de-Onça e Pé-de-c***a entreolham-se envergonhados por segundos. - Eles fugiram, Capitão! - responde Dente-de-Onça, quase inaudível. Capitão fica transtornado. - Agora dançou! Cavalo e Pirata vão vir matando em cima da gente! - diz Capitão, revoltado. - Capitão, a gente foi pego de surrpresa pelos caras de Cavalo e de Pirata! - diz Pé-de-c***a, com dificuldade. - Muitos de nós caíram agora... - completa Dente-de-Onça. Ao ouvir isso, Capitão silencia-se, pensativo por instantes. - A polícia chegou e deu em cima dos caras de Pirata e de Cavalo! - continua Dente-de-Onça. Capitão se surpreende com o que o seu homem de confiança falou. - Mas quem teria mandando os policiais para lá? Não fomos nós! - questiona Capitão. Dente-de-Onça e Pé-de-c***a entreolham-se, surpresos. - Nem nós também! - responde Dente-de-c***a, perplexo. Silêncio no Barracão. Capitão, perplexo, corre os olhos pelo Barracão como que procurando uma saída. - Capitão, será que alguém nos ajudou? - pergunta Catraca. - Não faço ideia de alguém que quisesse ajudar a gente! - rebate Capitão. - Foi bom pra gente, Capitão! Armaram pra gente! Foi uma emboscada numa boa! Não daria "pra" sair de lá inteiro se isso não tivesse acontecido! - pondera Dente-de-Onça, assertivo. O celular de Capitão toca. Ele olha rapidamente para os seus homens antes de pegá-lo. Capitão reconhece o contato. - Cavalo tá ligando pra mim. - revela Capitão. Dente-de-Onça e Pé-de-c***a se entreolham, perplexos. - Ele vai dar um esculacho na gente, com certeza! - palpiteia Catraca, atraindo os olhares de reprovação dos outros. - Vira essa boca "pra" lá, Catraca! - repreende Dente-de-Onça. Capitão apenas olha aborrecido para os dois. - Fala, irmão! - atende Capitão. - Como tu tem a audácia de me chamar de irmão? "Cadê" os pivetes? - responde Cavalo, rancoroso. - Fugiram se aproveitando da emboscada que tu e Pirata armaram "pra" gente no pé do morro! O que foi aquilo? - pergunta Capitão, ofendido. Um breve silêncio seguido de uma risada sinistra no outro lado da linha. - Eu queria dar um fim nos pivetes antes de eles chegarem até o meu território... - responde Cavalo, cínico. - Tu e Pirata armaram uma emboscada na covardia, perdi alguns parceiros e o meu braço-direito foi atingido! - rebate Capitão. - Sei... Sei... Também quis aproveitar e atingir o teu pessoal, sabe, m***r dois coelhos com uma cajadada... - responde Cavalo, pausadamente. Capitão fica furioso. Os homens de Capitão pareciam revoltados. - Pois é, agora é com você! Tu vai ter que encontrar os pivetes tu mesmo! - rebate Capitão, raivoso. Um silêncio e alguns resmungos no outro lado da linha. -Tá certo, mas não precisava mandar a polícia "pra" onde a gente "tava" agindo, não, viu, seu traíra! - responde Cavalo, aborrecido. Capitão fica confuso. - Como assim? Não foi a gente quem mandou a polícia "pro" local, não! - retorquiu Capitão. Mais uma pausa silênciosa.. - "Tá" certo, Capitão! É o seguinte, o Pirata vai comigo subir até uma parte do pé do morro para pegar os pivetes que escaparam. Tu vai deixar a gente subir numa boa, "tá" ligado? - propôs Cavalo. Capitão ainda tinha um pouco de confiança em Cavalo, mas detesta Pirata, seu grande concorrente. Capitão pensa por instantes. Olha para os seus homens rapidamente. - Seguinte, deixo só tu subir. Não quero Pirata no meu território! - retruca Capitão. Alguns resmungos são ouvidos do outro lado da linha, o que foi estranhado por Capitão e seus homens. - Isso não vai rolar, Capitão! Pirata sobe comigo!- rebate Cavalo, impassível. Capitão resmunga, inaudível. - Então já foi! Ninguém sobe! - decide Capitão. - Tu vai se arrepender, Capitão! - ameaça Cavalo, desligando em seguida. Capitão guarda o celular de volta e olha a todos, preocupado. - Que foi, Capitão? - pergunta Dente-de-Onça. - Cavalo e Pirata querem suber o morro atrás dos pivetes, mas não deixei! - responde Capitão. E o que acontecerá após essa decisão, é imprevisivel.
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