Capítulo 17 - Superação 1

1299 Palavras
Enquanto isso, Martiniel e Zaroio se escondem em uma casa abandonada no meio do mangue. Estavam entre aliviados e perplexos. - E agora, Martiniel? - pergunta Zaroio, ofegante. Martiniel faz uma pausa para poder recuperar o fôlego. - Tu volta e eu fico aqui! - responde Martiniel, pausadamente. - Tu "tá" doido, Martiniel? Se tu ficar aqui, tu morre! - protesta Zaroio, perplexo. Martiniel apenas olha cansado para o amigo. - Eles querem a mim e não a você, então você "tá" livre! - devolve Martiniel, conformado. Zaroio olha com pena para Martiniel. - Tá certo, Martiniel, mas vou sair pela orla da praia, pelo outro lado! Eu não posso voltar por onde viemos! - resolve Zaroio, saindo em seguida. Martiniel apenas olha o amigo fugindo apressado. Martiniel, sentindo-se opresso, tenta imaginar como sair daquela situação perigosa. Não podia usar o celular, porque a central de Capitão podia localizá-lo. Resolve adentrar o mangue cuidadosamente, com a lama chegando até a sua cintura, Martiniel olhava ao redor de quando em vez. A mata era densa o bastante para esconder o mangue a uma boa distância. O mangue dava na embocadura da praia com um rio que descia de detrás do morro e desaguava no mar. Lá ele estaria mais seguro, pois ali não era território nem de Capitão, nem de Pirata e nem de Cavalo. Enquanto isso, Seu Onofre estava sentando na porta de casa, com maus pressentimentos. Ele tinha ouvido os muitos pipocos de muito longe e temeu pelo filho. Reconhece Mirna descendo com algumas amigas. Seu Onofre ergue-se, aflito. - Mirna, boa tarde! - diz Seu Onofre, com voz embargada. Mirna sorri, surpresa. - Boa tarde, Seu Onofre! - responde ela, simpática. - Olha, eu sei que o Martiniel tem uma queda por você e achei que vocês estivessem saindo, então, sabe onde ele está agora? - pergunta Seu Onofre, cauteloso. Mirna olha confusa para Seu Onofre. - A gente não "tá" namorando! Quem disse isso? - pergunta Mirna, surpresa. Seu Onofre fica emcabulado. - A gente escuta eele chamando por você enquanto dorme... - conta Seu Onofre. Mirna fica feliz. - Eu não sabia... Mas a gente também não "tá" saindo junto, Seu Onofre! O Martiniel faz uns tempos está muito sumido! - conta Mirna. Seu Onofre pensa por instantes. - Ele "tá" indo para uma tal peneira exclusiva para um time grande da capital, mas desconheço tal peneira, você sabe alguma coisa sobre isso? - pergunta Seu Onofre. Mirna revira os olhos buscando respostas. - Seu Onofre, eu não sei muito da vida do Martiniel, mas todo mundo sabe que ele vive saindo com o amigo dele, o Zaroio! Quem sabe ele possa ajudar o senhor? - sugere Mirna. - Você "tá" certa, Mirna! Vou encontrar o Zaroio! Se você encontrar o Maritniel, diga a ele para que volte para casa! - recomenda Seu Onofre. Mirna sorri, solícita. - Pode deixar, Seu Onofre! - responde Mirna, sorrindo. Ela então prossegue com as amigas ladeira abaixo. Seu Onofre continuava parado na frente da casa, pensativo. Nesse instante, Zaroio passava bem adiante, numa ruela morro acima. Seu Onofre o vê e decide ir atrás dele. Seu Onofre apressa o passo para alcançar o jovem. Inicialmente, Zaroio não percebe que está sendo seguido por Seu Onofre. Quando já estava chegando em sua casa, três ruelas acima da rua de Martiniel, foi que o percebeu e apressou o passo. Ao vê-lo escapar, Seu Onofre apressa-se também, mas sente que não vai alcançá-lo antes de o jovem entrar na casa dele. - Zaroio! - brada Seu Onofre. Zaroio volta-se, assustado, e para. Seu Onofre se aproxima, urgente. - Zaroio! Sabe onde o Martiniel "tá"? - pergunta Seu Onofre. Zaroio titubeia em responder de imediato. - N-não, Seu Onofre! - responde Zaroio, temeroso. - Mas vocês vivem andando "pra" cima e "pra" baixo pelo morro, não é? - insiste Seu Onofre. Zaroio, acuado. pensa rápido. - Sim, mas hoje não vi ele, não! - responde Zaroio, secamente. Seu Onofre fita Zaroio severamente, encabulando o jovem. - Se ele aparecer, diga que eu mandei ele voltar "pra" casa urgente! - recomenda Seu Onofre..Zaroio, assustado, apenas concorda. Seu Onofre volta-se para casa e Zaroio espera o pai do Martiniel dobrar uma ruela e sumir da vista para entrar em casa. Enquanto isso, Martiniel alcança uma área próxima de um bairro nobre distante do morro. Sai cautelosamente e caminha pela grande avenida. Não pode retornar, nem fazer ligações com o seu celular. Duas viaturas da polícia passam aceleradas por ele, que disfarça olhando para o outro lado. Algo mais aconteceu. Martiniel vê uma passarela e vai até ela. Ao passar para outro lado da grande autopista, olha para os grandes edifícios e casas luxuosas. Não sabe o que fazer, a não ser seguir até onde puder. E adentra o bairro luxuoso por uma grande rua. Por esse tempo, Pirata, Cavalo e Ju se encontram em uma favela longe das vistas de Capitão. - E aí, parça? Vamos fazer o rapa agora? - pergunta Pirata para Cavalo, cumprimentando-o. - Ainda não, parça! Não tenho certeza de que esse é o momento... - diz Cavalo, indeciso, contrariando Pirata. - Como ainda não é a hora? Eles abusaram da tua confiança! Abusaram da tua namorada! Planejavam tomar o teu território na surdina e ainda tens pena dos caras? - pergunta Pirata, intransigente. - Não é isso, cara! É que a policia aparecer no lugar... Foi cabuloso isso!!! - conta Cavalo, pensativo. Pirata sorri, debochado. - Foi por causa disso? Dos policiais que apareceram no lugar? Isso foi coisa de Capitão, podes crer! - insiste Pirata. Cavalo pensa por instantes. Olha para Ju, que devolve um olhar estranho, desconfiado. - Sei não, parça! Capitão me pareceu sem caô quando disse que não foi ele quem mandou a polícia para onde a gente "tava"... - rebate Cavalo. Pirata desmancha o sorriso que tinha armado e olha sério para Cavalo. - Tu não vai ceder "pra" Capitão não, hein, parça? Acredita mais nele do que em mim? Quem te avisou do que fizeram com tua patroa, não fui eu?- insiste Pirata, ameaçador. Cavalo encara Pirata por instantes, confuso, depois olha de novo para Ju, mas ela já não devolveu o olhar para ele. - "Tá" certo, parça! Vamos seguir o plano! - conforma-se Cavalo. Pirata sorri maleficamente. Ju apenas sorria contidamente, olhando para o vazio, ao ouvir o desfecho da conversa. - Isso! É assim que se fala, parça! "Bora" organizar o bote em Capitão! Ele nem vai notar a pancada! - diz Pirata, debochado, abraçando Cavalo e gargalhando em seguida. Os dois seguem andando, com Ju os seguindo de longe. - Madrugada de amanhça, a gente junta o pessoal e divide em três bandos: um ataca seguindo o caminho secreto por entre as grandes pedras ao pé do morro e os outros dois bandos sobem do lado da praia, onde Capitão não tem força! - planeja Pirata. Cavalo apenas escuta o parceiro, indiferente, mas Ju tinha bons ouvidos. - E o pivete que escapou? - pergunta Cavalo. Pirata olha um tanto contrariado para Cavalo. - O pivete ja tem o destino dele selado! Cedo ou tarde ele vai pagar! Vamos pensar no plano! - responde Pirata. - E o que eu ganho com isso? - insiste Cavalo. - A gente vai te dar grande parte do território de Capitão e vou fazer igual a Salomé, te dar a cabeça do pivete em uma bandeja! Satisfeito? - propôs Pirata. Cavalo finge se conformar com a proposta. - Fechado, parça! - concorda Cavalo. Pirata sorri, debochado. - Então "vamo" comemorar nossa aliança, parça! - diz Pirata, acenando para alguns homens, que saem apressadamente e voltam trazendo uma mesa, três cadeiras e algumas bebidas e comidas. Montam tudo ali mesmo e se banqueteiam.
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