Enquanto isso, Zaroio já estava na casa abandonada onde Martiniel havia se escondido.
- Toma, Martiniel! Trouxe comida "pra" tu! - diz Zaroio, estendendo um saco cheio de comida.
- Que é isso, Zaroio? Tu tirou comida da tua casa pra mim? Vou querer não! - revolta-se Martiniel, recusando o saco.
- Pega logo a comida ou vou te deixar sozinho aqui! - retruca Zaroio. Contrariado, Martiniel pega o saco de comida. Nele havia frutas, bolachas e sanduíches. Martiniel pega um sanduíche e come lentamente, contrafeito. Alguns pipocos são ouvidos ao longe.
- "Tá" ouvindo, Zaroio? - pergunta Martiniel, parando de comer.
- "Tô"! Deve ser Capitão e Pirata se trombando por aí! - responde Zaroio, preocupado.
- Será que encontrarão a gente? - cogita Martiniel, temeroso.
- "Vamo" sair daqui! - decide Zaroio. Os dois saem cautelosamente da casa abandonada. Adentram a mata devagar. Os pipocos ecoavam em pontos diferentes.
- "Vamo" pra onde, Zaroio? - sussurra Martiniel.
- "Vamo" tentar subir o morro pelo lado da praia! - responde Zaroio.
- "Cê" "tá" doido, Zaroio? Aquela é a área de Cavalo! - refuta Martiniel, alarmado.
- Relaxa, cara! Cavalo agora está com Pirata! E Pirata "tá" tentando tomar a área de Capitão! Eles não "tão" por lá! - retorqiu Zaroio.
- Tomara que isso não dê r**m, Zaroio! - diz Martiniel, desesperançoso.
- Fica frio, Martiniel! Vai dar certo! - retorquiu Zaroio, impassível. Caminham cautelosamente pela mata fechada. De repente, avistam a mata se abrindo mais adiante. Param e omeçam a suar frio.
- Zaroio! Tem alguém vindo! - sussurra Martiniel.
- Eu sei! Vamos se esconder ali! - sussurra Zaroio. Correm até uma grande pedra à direita. Diante deles passam seis homens armados, usando máscaras e roupas de camuflagem. Martiniel e Zaroio se esforçam em não chamar a atenção daqueles homens. De repente, eles param um pouco adiante.
- Já rastreamos a mata toda e nem sinal daqueles moleques, Afonso! - diz o homem que estava adiante daquela tropa.
- Eles têm que estar por aqui, Rivera! - retruca Afonso, impaciente. Outro dos homens acena para Afonso.
- Que tu quer, Alex? - pergunta Afonso, irritado.
- Vamos voltar! Já vistoriamos tudo e nem sinal deles! Já podem ter escapado para os bairros além da praia! - responde Alex.
- E tu acha que vou abrir mão da grana que o Pirata e o Cavalo ofereceram pelos moleques? Nem pensar! A gente pausa ao anoitecer! - responde Afonso, irritado. Os homens resmungam e prosseguem a busca, abrindo caminho na mata fechada. Depois de um tempo, eles desaparecem pela mata. Passados mais alguns minutos, Zaroio e Martiniel saem de onde estavam escondidos.
- "Cê" ouviu o que os caras falaram, Martiniel? - pergunta Zaroio, perplexo.
- Sim! Colocaram nossas cabeças a prêmio! - responde Martiniel, aflito.
- Quem mais estaria nos caçando? - questiona Zaroio, preocupado.
- Capitão com certeza! - responde Martiniel. Zaroio olha sério para Martiniel.
- Claro que Capitão "tá" caçando a gente também, né? Eu estou falando de alguém mais que a gente nem imagina! - retruca Zaroio.
- A milícia? - pergunta Martiniel. Zaroio arregala os olhos, assustado.
- Isso!- responde Zaroio. De onde estavam podiam ver o mar adiante, atrás do morro, bem como áreas nobres.
- Não acha que devemos fugir para o lado da praia? - pergunta Martiniel.
- Tu já saiu de lá, se lembra? Quer voltar "pra" lá de novo? - retruca Zaroio.
- A gente pode se enturmar com algum movimento por lá! - cogita Martiniel.Zaroio volta-se incrédulo para Martiniel.
- Não acredito que tu disse isso! - exclama Zaroio, irônico.
- Ué, que foi que fiz? - pergunta Martiniel.
- Tu vai trair Capitão indo "pra" outro movimento! - responde Zaroio, perplexo.
- Fomos expulsos de lá, não "tá" lembrado? - retruca Martiniel.
- "Tô" lembrado, sim, mas não é a deixa "pra" gente ir "pra" outro movimento, tá ligado?! - responde Zaroio. Martiniel pensa por instantes. Olha decidido para o amigo.
- Sabe de uma coisa? Vou descer "pra" praia! - diz Martiniel. Zaroio se assusta.
- Tu "tá" doido, Martiniel? Vou mandar a real, não vou com tu desta vez! - diz Zaroio, revoltado.
- Você quem sabe! - diz Martiniel, se afastando no sentido das encostas do morro. Zaroio, incrédulo, apenas observa o amigo sumir na mata. Depois decide voltar para casa. Enquanto isso, Pirata e Ju chegam em um território longe do morro da comunidade Vinte Léguas. Descem do carro e são recebidos por um sujeito corpulento que os revista.
- Vai com calma, Tanque! - diz Pirata, desconfiado.
- São ordens do Conde! - responde Tanque. Ao revistar Ju acaba tocando sem querer em suas partes íntimas, no que Ju reage, refutando a revista.
- Para com isso, seu troglodita! - reclama Ju, afastando as mãos de Tanque.
- São ordens do Conde, senhorita! - responde Tanque, ironicamente.
- São ordens do Conde passar a mão nas mulheres dos seus sócios? - questiona Pirata, irreverente. Tanque lança um olhar fulminante para Pirata.
- O senhor é sócio do Conde, mas o Cavalo não é! - responde Tanque, cinicamente, concluindo a revista em Ju.
- Eles estão limpos, senhor Conde! - diz Tanque, olhando para um canto à sua direita. Nisso, uma figura esguia e alta, vestida de fraque e cartola, sai de detrás de uma grande árvore.
- Muito bem, Tanque! - responde o Conde, satisfeito.
- Vou dizer para Cavalo o assédio que sofri aqui! - reclama Ju.
- Pode dizer o que quiser a Cavalo, senhorita, mas ele está tão na minha mão quanto o Pirata! - retruca o Conde, debochado. Pirata não gostou da fala do Conde.
- Ei! Eu não estou na sua mão! - rebate Pirata, inconformado. Conde apenas gargalha, debochado.
- Vai nessa, Pirata! Todos os que fazem negócios comigo estão na minha mão e você não é exceção, mesmo se achando independente e esperto... - retorquiu Conde, fazendo Pirata calar-se. Pirata e Ju se entreolham, temerosos. Depois de um tempo de silêncio, Conde ri por instantes diante da indecisão de Pirata.
- Não vai perguntar por que eu trouxe vocês aqui, Pirata? - pergunta Conde, debochadamente. Pirata olha para os lados. Haviam homens camuflados, com rostos cobertos e armados até os dentes em todas as direções. Eles estavam vestidos de camuflagem e com máscaras.
- Além de ter livrado a gente de Capitão? Não faço ideia, Conde! - responde Pirata, inseguro.
- Você está me devendo, Pirata! - diz Conde, friamente. Pirata engole em seco.
- Deixa de caô, Conde! "Tô" te devendo desde quando? - retruca Pirata, nervoso. Conde, calmo e ameaçador, se aproxima de Pirata.
- Vou refrescar tua memória: você prometeu que me entregaria todo o morro da comunidade Vinte Léguas se eu te repassasse uma grana considerável! - explica Conde.
- Sim, e vou cumprir o meu trato, mas agora "tá" difícil! Capitão descobriu a armação que fizemos e Cavalo voltou a ser sócio dele! - responde Pirata. Conde não se dá por convencido. Olha para Tanque e faz um sinal com a cabeça, Tanque concorda, se aproxima de Pirata e o segura pelo pescoço, por trás. Ju grita horrorizada. Conde se aproxima ainda mais de Pirata.
- Você tem até o fim de semana para cumprir o trato, tá ligado? - avisa Conde, pausadamente. Pirata, com muita dificuldade, concorda com a cabeça. Conde se afasta e faz sinal para que Tanque largasse Pirata. Ju olha para os lados, assustada com a quantidade de homens armados. Pirata se recompõe.
- Ouvi dizer que estão procurando pelos pivetes fugidos do Capitão! - diz Pirata.
- Isso é boato, Pirata! Minha preocupação é dominar toda essa região! - responde Conde. Pirata engole em seco. O que acontecerá com Pirata e Ju?