Capítulo 22 -Vingança Fria 1

1299 Palavras
Enquanto isso, Zaroio já estava na casa abandonada onde Martiniel havia se escondido. - Toma, Martiniel! Trouxe comida "pra" tu! - diz Zaroio, estendendo um saco cheio de comida. - Que é isso, Zaroio? Tu tirou comida da tua casa pra mim? Vou querer não! - revolta-se Martiniel, recusando o saco. - Pega logo a comida ou vou te deixar sozinho aqui! - retruca Zaroio. Contrariado, Martiniel pega o saco de comida. Nele havia frutas, bolachas e sanduíches. Martiniel pega um sanduíche e come lentamente, contrafeito. Alguns pipocos são ouvidos ao longe. - "Tá" ouvindo, Zaroio? - pergunta Martiniel, parando de comer. - "Tô"! Deve ser Capitão e Pirata se trombando por aí! - responde Zaroio, preocupado. - Será que encontrarão a gente? - cogita Martiniel, temeroso. - "Vamo" sair daqui! - decide Zaroio. Os dois saem cautelosamente da casa abandonada. Adentram a mata devagar. Os pipocos ecoavam em pontos diferentes. - "Vamo" pra onde, Zaroio? - sussurra Martiniel. - "Vamo" tentar subir o morro pelo lado da praia! - responde Zaroio. - "Cê" "tá" doido, Zaroio? Aquela é a área de Cavalo! - refuta Martiniel, alarmado. - Relaxa, cara! Cavalo agora está com Pirata! E Pirata "tá" tentando tomar a área de Capitão! Eles não "tão" por lá! - retorqiu Zaroio. - Tomara que isso não dê r**m, Zaroio! - diz Martiniel, desesperançoso. - Fica frio, Martiniel! Vai dar certo! - retorquiu Zaroio, impassível. Caminham cautelosamente pela mata fechada. De repente, avistam a mata se abrindo mais adiante. Param e omeçam a suar frio. - Zaroio! Tem alguém vindo! - sussurra Martiniel. - Eu sei! Vamos se esconder ali! - sussurra Zaroio. Correm até uma grande pedra à direita. Diante deles passam seis homens armados, usando máscaras e roupas de camuflagem. Martiniel e Zaroio se esforçam em não chamar a atenção daqueles homens. De repente, eles param um pouco adiante. - Já rastreamos a mata toda e nem sinal daqueles moleques, Afonso! - diz o homem que estava adiante daquela tropa. - Eles têm que estar por aqui, Rivera! - retruca Afonso, impaciente. Outro dos homens acena para Afonso. - Que tu quer, Alex? - pergunta Afonso, irritado. - Vamos voltar! Já vistoriamos tudo e nem sinal deles! Já podem ter escapado para os bairros além da praia! - responde Alex. - E tu acha que vou abrir mão da grana que o Pirata e o Cavalo ofereceram pelos moleques? Nem pensar! A gente pausa ao anoitecer! - responde Afonso, irritado. Os homens resmungam e prosseguem a busca, abrindo caminho na mata fechada. Depois de um tempo, eles desaparecem pela mata. Passados mais alguns minutos, Zaroio e Martiniel saem de onde estavam escondidos. - "Cê" ouviu o que os caras falaram, Martiniel? - pergunta Zaroio, perplexo. - Sim! Colocaram nossas cabeças a prêmio! - responde Martiniel, aflito. - Quem mais estaria nos caçando? - questiona Zaroio, preocupado. - Capitão com certeza! - responde Martiniel. Zaroio olha sério para Martiniel. - Claro que Capitão "tá" caçando a gente também, né? Eu estou falando de alguém mais que a gente nem imagina! - retruca Zaroio. - A milícia? - pergunta Martiniel. Zaroio arregala os olhos, assustado. - Isso!- responde Zaroio. De onde estavam podiam ver o mar adiante, atrás do morro, bem como áreas nobres. - Não acha que devemos fugir para o lado da praia? - pergunta Martiniel. - Tu já saiu de lá, se lembra? Quer voltar "pra" lá de novo? - retruca Zaroio. - A gente pode se enturmar com algum movimento por lá! - cogita Martiniel.Zaroio volta-se incrédulo para Martiniel. - Não acredito que tu disse isso! - exclama Zaroio, irônico. - Ué, que foi que fiz? - pergunta Martiniel. - Tu vai trair Capitão indo "pra" outro movimento! - responde Zaroio, perplexo. - Fomos expulsos de lá, não "tá" lembrado? - retruca Martiniel. - "Tô" lembrado, sim, mas não é a deixa "pra" gente ir "pra" outro movimento, tá ligado?! - responde Zaroio. Martiniel pensa por instantes. Olha decidido para o amigo. - Sabe de uma coisa? Vou descer "pra" praia! - diz Martiniel. Zaroio se assusta. - Tu "tá" doido, Martiniel? Vou mandar a real, não vou com tu desta vez! - diz Zaroio, revoltado. - Você quem sabe! - diz Martiniel, se afastando no sentido das encostas do morro. Zaroio, incrédulo, apenas observa o amigo sumir na mata. Depois decide voltar para casa. Enquanto isso, Pirata e Ju chegam em um território longe do morro da comunidade Vinte Léguas. Descem do carro e são recebidos por um sujeito corpulento que os revista. - Vai com calma, Tanque! - diz Pirata, desconfiado. - São ordens do Conde! - responde Tanque. Ao revistar Ju acaba tocando sem querer em suas partes íntimas, no que Ju reage, refutando a revista. - Para com isso, seu troglodita! - reclama Ju, afastando as mãos de Tanque. - São ordens do Conde, senhorita! - responde Tanque, ironicamente. - São ordens do Conde passar a mão nas mulheres dos seus sócios? - questiona Pirata, irreverente. Tanque lança um olhar fulminante para Pirata. - O senhor é sócio do Conde, mas o Cavalo não é! - responde Tanque, cinicamente, concluindo a revista em Ju. - Eles estão limpos, senhor Conde! - diz Tanque, olhando para um canto à sua direita. Nisso, uma figura esguia e alta, vestida de fraque e cartola, sai de detrás de uma grande árvore. - Muito bem, Tanque! - responde o Conde, satisfeito. - Vou dizer para Cavalo o assédio que sofri aqui! - reclama Ju. - Pode dizer o que quiser a Cavalo, senhorita, mas ele está tão na minha mão quanto o Pirata! - retruca o Conde, debochado. Pirata não gostou da fala do Conde. - Ei! Eu não estou na sua mão! - rebate Pirata, inconformado. Conde apenas gargalha, debochado. - Vai nessa, Pirata! Todos os que fazem negócios comigo estão na minha mão e você não é exceção, mesmo se achando independente e esperto... - retorquiu Conde, fazendo Pirata calar-se. Pirata e Ju se entreolham, temerosos. Depois de um tempo de silêncio, Conde ri por instantes diante da indecisão de Pirata. - Não vai perguntar por que eu trouxe vocês aqui, Pirata? - pergunta Conde, debochadamente. Pirata olha para os lados. Haviam homens camuflados, com rostos cobertos e armados até os dentes em todas as direções. Eles estavam vestidos de camuflagem e com máscaras. - Além de ter livrado a gente de Capitão? Não faço ideia, Conde! - responde Pirata, inseguro. - Você está me devendo, Pirata! - diz Conde, friamente. Pirata engole em seco. - Deixa de caô, Conde! "Tô" te devendo desde quando? - retruca Pirata, nervoso. Conde, calmo e ameaçador, se aproxima de Pirata. - Vou refrescar tua memória: você prometeu que me entregaria todo o morro da comunidade Vinte Léguas se eu te repassasse uma grana considerável! - explica Conde. - Sim, e vou cumprir o meu trato, mas agora "tá" difícil! Capitão descobriu a armação que fizemos e Cavalo voltou a ser sócio dele! - responde Pirata. Conde não se dá por convencido. Olha para Tanque e faz um sinal com a cabeça, Tanque concorda, se aproxima de Pirata e o segura pelo pescoço, por trás. Ju grita horrorizada. Conde se aproxima ainda mais de Pirata. - Você tem até o fim de semana para cumprir o trato, tá ligado? - avisa Conde, pausadamente. Pirata, com muita dificuldade, concorda com a cabeça. Conde se afasta e faz sinal para que Tanque largasse Pirata. Ju olha para os lados, assustada com a quantidade de homens armados. Pirata se recompõe. - Ouvi dizer que estão procurando pelos pivetes fugidos do Capitão! - diz Pirata. - Isso é boato, Pirata! Minha preocupação é dominar toda essa região! - responde Conde. Pirata engole em seco. O que acontecerá com Pirata e Ju?
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