Badboy marrento.

1756 Palavras
NARRAÇÃO, VERSÃO: M A Y A Juro que não sei o que está acontecendo com minha vida desde que sair de casa, tudo estava tão turbulento. Eu sabia que não seria fácil, que nada era pior do que ficar lá, mas... Assim, eu não imaginava. Esse cara, ele fica chamando minha atenção, me odeia? Me provoca? O que ele quer de mim? Acha que porque me protegeu pode se meter na minha vida? Eu não pedi ajuda dele. Sair furiosa do pub, e se eu não ganhar a diária, que se dane! Ele me chamou de p********a foi isso? Que escroto de m***a. Eu durmo até no esgoto mais não fico com um nojento daquele por dinheiro. O que ele queria que eu fizesse? O Malcon já me viu brigando com minha mãe e aquele mostro. Se eu respondesse aquele nojento que me ofereceu dinheiro por uma noite, seria demitida na hora. E ainda mais... Fui chamada pra conversar mais cedo. — Escuta Maya... Não vai dar pra dormir mais no quarto do descanso. Aquilo foi uma facada em mim, porque não tinha pra onde ir. — Eu não... Me calei, não quero a pena de ninguém. — Fala com a Kelly, ela mora com a mãe dela, talvez consiga dormir lá. Não respondi, eu não pediria ninguém... Era humilhação de mais. — Eu achei que vocês moravam juntos. — Não... A gente tem um lance sério, mas não moramos juntos. Ele solta o ar pesado. — Se quiser... Sei lá, eu te levo pro meu kitnet, consigo garantir uma dormida, não tenho muito espaço mas dá pra dar um jeito, chamo a Kelly, pra ir junto pra você se sentir melhor, sei lá. — Não, não... Eu vou pra casa de uma tia sem problema. Minto, não tinha tia nenhuma, mas tava na cara que ele estava fazendo por nervoso de dizer aquilo pra mim. — Beleza. E aquilo tudo aconteceu. Eu fiquei com medo do Malcon me demitir, já tinha cortado minha dormida lá, e agora perderia o trabalho, não, não podia responder aquele infeliz que me ofereceu grana. ... Depois de ouvir que ele era o chefão, meu nervoso entrou em colapso. Claro, lógico, burra! Como ele estaria ali toda hora se não era nada? E eu inocente achando que era só uma amigo do Malcon. Entro no pub de novo, vejo Kelly com o celular na mão, vou até ela que me vê e solta o ar aliviado. — Que susto garota, eu já ia te ligar, o que aconteceu!? — Ele é o dono daqui, Kely? O tal Oliver? Pergunto, ainda processando o que acabei de ouvir. — Ele comanda tudo aqui, o malcon só segue as regras, mas o nome do dono é Kauan. O Oliver é quem faz a engrenagem girar, Maya. Nossa... Isso não me ajuda muito. — Porque ele te contou? Ela perguntou curiosa. — Ele achou que eu fosse passar a noite com um b****a porque o doente me ofereceu dinheiro, eu perdi a cabeça. Olhei pro bar inteiro procurando o b****a da grana mas não consegui ver ele em lugar algum. — Eu soube, o Malcon botou ele pra correr, não pode ficar calada não, eles não aceitam esse tipo de coisa aqui, principalmente com a gente. Maya, na próxima, você fala! Acenei levando os cabelos pra trás da orelha. — Escuta, o Oliver é turrão, grosso como uma porta, mas tem um código de honra que poucos têm por aqui. Se isso acontecer de novo, fala com eles, isso aqui é intolerável. É... Estava vendo mesmo isso. — Ele disse que vai me adiantar o mês. Pra eu alugar um lugar. Kely para o que está fazendo e abre um sorriso genuíno. — Isso é ótimo! Significa que ele confia em você, do jeito torto dele. Relaxa, ele é um cara legal. Ela percebe meu silêncio e sua expressão amacia. — Aquele cara de mais cedo... o que entrou com a sua mãe. Ele mexeu com você de um jeito r**m, não foi? Você sabe que o que ele fez é crime, né? Desvio o olhar, sentindo o nó na garganta. — Eu não quero falar disso, Kelly. Por favor. — Tudo bem. ela diz, me puxando para um abraço rápido e apertado. — Quando estiver pronta, eu tô aqui. Pra ouvir, pra apoiar... ou até pra ajudar a ocultar o cadáver do infeliz se for preciso. Sorrio, aquilo não me machucava mais, não mais. A noite vai morrendo. O bar esvazia, as cadeiras são postas sobre as mesas e o cheiro de desinfetante toma o lugar do álcool. estava terminando de limpar uma mesa quando sinto uma presença às minhas costas. O ar fica denso. Sinto o hálito quente dele perto do meu ouvido e o tom grave da sua voz faz meu corpo todo reagir. — Vou te esperar lá fora. ele diz, baixo. O som da voz dele é másculo, carregado de uma autoridade que me deixa arrepiada. Ele sai sem esperar resposta. Só posso está louca... Me despeço da Kely e saio, encontrando ele escorado na moto, a imagem perfeita de um badboy marrento, com a luz do poste cortando o rosto dele. Ele me estende o capacete. Eu pego sem dizer nada e subo na garupa. Eu devia estar apavorada, mas a verdade é que, depois de tudo e saber que ele foi o único cara que me defendeu quando ninguém esteve por mim, me fazia sentir segura. ... A moto dele corre na pista fazendo o vento gelado me arrepiar. Uma leve chuva cai, uma garoa leve nos molhando. — Estamos perto. Ele diz abafado pelo vento.. — Quer parar? Nego como se ele pudesse me ver. — Não... Falo um pouco mais alto pra que ele escute. Ele acelera, sinto um nervoso e frio na barriga com a velocidade e acabo agarrando a cintura dele com meus braços, o abraçando mais forte. Quando ele para, a leve garoa fica pra trás, mas deixando umidade nas nossas roupas. Só então procuro o que não podia ter esquecido. Que d***a, minha bolsa! Esqueci minhas coisas... Minhas roupas. — Perdeu algo? Fico sem jeito de falar, então finjo que não esqueci nada. — Não. Ele acena pra que eu ande com ele, o sigo atenta a onde andava, vai que ele era um maluco. O elevador sobe rápido. Quando a porta se abre, eu perco o fôlego. Pelo visto eu só conhecia o lado f**o do mundo, as paredes descascadas da comunidade, o barulho constante. Porque o apartamento dele é... o oposto de tudo. É um loft de tons escuros, minimalista e incrivelmente luxuoso. Tudo integrado: sala, cama de casal enorme, cozinha impecável. E uma parede inteira de vidro que mostra a cidade como um mar de joias brilhantes lá embaixo. Aquilo é... Uma piscina? Como tem uma piscina aqui!? — Fica à vontade. ele quebra o silêncio, me fazendo olhar pra ele indo direto para a cozinha. Pega uma garrafa de água e bebe direto da boca, a garganta se movendo. Minha cabeça alerta: "tá olhando de mais Maya, olhando de mais!" Desvio e olho em volta, me sentindo pequena naquele espaço. Só tem uma cama. E um sofá. É o refúgio típico de um solteirão que não recebe visitas ou pelo menos, não visitas que ficam pra dormir. — Você... Gosta mesmo de preto. Olho pra ele de novo que tira a garrafa da boca. — Notou foi. Aquilo me faz sorri, esse cara... Ele não existe. — Se não se sentir à vontade com essas roupas, eu te arranjo um camisão, você me dá essa eu boto na secadora, amanhã tá pronta pra usar de novo. ele diz, me avaliando. Aceno que sim pois teria que usar ela amanhã. — Eu... eu posso tomar um banho? pergunto, quase num sussurro. — Claro. O banheiro é ali. Vou deixar a camisa na maçaneta. Vou até o banheiro que é um sonho. O chuveiro sai do teto, a água cai como uma chuva morna e perfeita. É, a gente não vive no mesmo mundo não... Vou até os produtos, abismada. — Nossa isso aqui é caro. Cheirei a essência, nossa, era bom. Uso os produtos caros dele, sentindo o cheiro de madeira e especiarias. Quando saio, vestindo o moletom enorme que bate no meio das minhas coxas, o apartamento está com as luzes baixas. Não vejo o ele de imediato. Caminho até a varanda e o encontro lá, olhando o horizonte. Caramba, aquela vista era mesmo de tirar o fôlego. — Qual foi o banco que você assaltou? comento, me aproximando com cuidado. Ele me olha de relance, um sorriso ladino brincando nos lábios. — Isso aqui é lindo. — É meu lugar de fuga. Claro, com certeza era... Isso aqui é incrível, meu Deus. — Foi projetado... Acenei perdendo as palavras, dava pra ver tudo dali. O silêncio volta, mas não é pesado. É carregado de algo que eu não sei nomear. Olhei pra dentro do loft, e tudo era tão aberto, não tem quartos privativos, nem privacidade. Literalmente um apartamento pra uma pessoa só, ou casal. — Eu... notei que só tem uma cama, então... digo, nervosa. — Você fica com a cama. Eu fico no sofá. ele corta, voltando a olhar para a cidade. — Eu não quero incomodar, sério... — Não foi uma alternativa, garota. Foi uma afirmação. Aceno, sentindo o peso da autoridade dele de novo. Ele passa por mim entrando de novo, o sigo deslocada. — Tá com fome? ele pergunta, entrando na sala. — Não, comi mais cedo no pub. — Tem coisa na geladeira. Se sentir fome, o microondas é ali. Agora... Ele se jogou no sofá, que já tinha travesseiros e até uma manta ali. — Eu preciso descansar. Amanhã tenho muita m***a pra resolver. O vejo virar as costas pra mim, suspiro olhando em volta, aquilo era estranho. Ele me ignorou? Ok... Isso foi estranho. Caminho até a cama, me sentindo uma intrusa, e me enfio debaixo do edredom. É tão macio. O ar-condicionado mantém o quarto fresco, algo que eu nunca tinha experimentado. Deito a cabeça no travesseiro e olho para as costas dele no sofá. Eu sei que ele é um estranho. Sei que é perigoso. Mas, pela primeira vez em meses, meu coração não está acelerado nem com medo. Pelo contrário, me sentia segura como nunca me senti. Adormeço com um pensamento estranho: "Para quem já passou pelo inferno, uma chama a mais não queima." ....
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