Aurora. Nos dias seguintes, algo em mim começou a mudar. Não era uma euforia. Era sutil. Como quando o ar muda antes da chuva — a gente sente, mesmo que o céu ainda esteja limpo. Comecei a dormir um pouco melhor. Me peguei sorrindo sozinha vendo a Luna fazer careta pro prato de fruta. O silêncio da casa já não me engolia, pelo contrário — ele me dava espaço pra respirar. Sentia, de um jeito quase físico, que as peças estavam se movendo. Devagar. Mas estavam. Fui voltando aos poucos pra minha rotina. Descia pra cozinha antes da casa acordar inteira, gostava de preparar o café com calma, sem pressa. Sentava na varanda com a xícara ainda quente e pensava em tudo. Em mim. Nele. Em nós. Treva tinha respeitado meu silêncio. E isso, de algum jeito, me aproximava ainda mais dele. Quando passa

