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2633 Palavras

Aurora Paloma chegou no fim da tarde, com um moletom largo e o cabelo preso no alto da cabeça, como quem veio só pra conversar. Nem precisou dizer nada — eu já sabia. Ela entrou devagar, e quando nossos olhos se encontraram ali na sala, o tempo pareceu prender a respiração. A gente não se via há um tempo... um tempo demais. Por isso quando ela ligou querendo vim aqui, eu estranhei. — Oi... — ela disse num fio de voz. — eu… posso? Assenti com a cabeça e abri espaço no sofá. Ela sentou devagar, ajeitando a manga do moletom e olhando pro chão, como se estivesse procurando as palavras. — Desculpa ter sumido — ela começou, sem nem me encarar. — eu fui covarde, Aurora. Me afastei porque tava doendo. Porque não sabia o que te dizer, nem o que sentir. — Eu senti sua falta. — ela fechou os o

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