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2089 Palavras

Aurora Tava tudo quieto demais naquela noite. Até o vento parecia segurar o fôlego. Sentei na varanda como sempre, com a xícara de chá que eu nem sabia se queria. A Pretinha deitada no chão, Luna já dormindo — ou fingindo, porque ela andava esperta. O mundo parecia seguir... e eu ainda presa naquele mesmo dia. Naquela mesma notícia. Naquela mesma ausência. Encostei a cabeça no encosto da cadeira. Fiquei olhando o escuro. Era estranho. Não era tristeza. Ou pelo menos não só isso. Tinha algo errado. E eu não sabia dizer o quê. Era só uma sensação que ficava andando no meu peito. Como uma lembrança que a gente tenta esquecer, mas volta. Sempre volta. Desde o dia da notícia, eu escuto o nome dele como se alguém estivesse raspando uma faca no azulejo. Baixo, incômodo, sem forma certa. As

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