Guilherme Três meses. Três meses trancado num buraco onde nem o sol entra. Não sei que dia é, que hora é, se ainda existe tempo lá fora. Aqui dentro só tem o barulho da minha própria respiração... e às vezes nem isso. Porque tem hora que a vontade de viver vai embora e tudo que fica é o silêncio pesado no peito. É tipo uma prisão. Mas pior. Porque na cadeia tu sabe por que tá ali. Tem número, processo, visita, advogado, nome na ficha. Aqui, não. Aqui é como se eu tivesse sumido do mundo. Como se nunca tivesse existido. Fui enterrado vivo, sem cova, sem vela, sem despedida. Os dias se repetem como castigo. Um prato por dia — frio, duro, às vezes azedo. Água com gosto de ferrugem. Banho? Só quando os filha da p**a resolvem, e ainda jogam balde de água fria como se tivessem lavando um

