Ayla se aconchegou no colo da irmã, sem perceber a tempestade que pairava no ar. Brincava com os dedos de Nayla, balançando as perninhas, inocente. — Eu fiquei com medo de você ir embora de novo, Nayla… — disse baixinho. — E agora você tem que cuidar de mim e do bebê… O silêncio que seguiu foi quase palpável. Michel arregalou os olhos, o corpo ficando rígido no mesmo instante. — O quê? — sua voz saiu grave, carregada de incredulidade. Nayla congelou. Sentiu o chão sumir debaixo dos pés. Olhou para Ayla, tentando, desesperada, pedir silêncio com o olhar, mas já era tarde demais. A menina repetiu sem pensar, como se fosse a coisa mais natural do mundo: — Do bebê que tá na sua barriga, Nayla. O ar ficou pesado. Michel piscou lentamente, como se quisesse se convencer de que tinha enten

