Samuel narrando Hoje é dia de baile. Diferente, mas ainda sim era dia de baile. As meninas iam trazer algumas máscaras, hoje era dia de beijar na boca sem saber de quem era a boca que a gente estava beijando. Me lembro como foi o meu primo baile aqui no morro, me senti perdido, foi uma das primeiras vezes que eu coloquei uma arma na minha cintura, eu sentia muita vergonha de fazer parte dos meninos, vergonha pela minha mãe, por tudo o que a gente estava passando. Os meninos foram as melhores pessoas que surgiram na minha vida naquele momento, ir pra boca não foi uma uma escolha e sim uma necessidade, isso não foi planejado, eu queria estudar, fazer uma faculdade, ter um bom emprego, mas a fome apertou, no armário não tinha nada. Quando a gente é pobre, a gente é menosprezado, somos

