Capítulo 03

1415 Palavras
Bruno narrando A advogada me deixou com uma pilha atrás da orelha, e em um instante fez sentido o que ela me disse. Eu tinha sim assuntos não terminados, tinha uma questão não resolvida e que eu precisava resolver pra ficar em paz comigo mesmo. Entro no carro. Desço o morro e vejo os porteiros lá fazendo o trabalho deles. Saio da favela e vou até um bairro logo perto da favela, paro em frente a um portão preto. O coração quase saindo pela boca... Chamo pelo nome da minha tia. Eu perdi minha mãe, minha base,, a pessoa mais importante do mundo pra mim, foi como perder uma parte de mim, ou melhor me perder por inteiro, ela não me ensinou a viver sem ela, a não ter ela todos os dias na minha vida, mães deveriam ser eternas... O pior, o que mais dói é saber que 06 meses da minha vida eu passei longe dela, talvez se eu estivesse aqui, cuidando dela e convencendo ela a tomar todos os remédios dela certo eu não teria perdido ela assim. O que me resta é a dor da saudade e todos os ensinamentos dela pra mim, todo o amor e o carinho, tudo o que ela fez por mim, espero que um dia, aonde quer que ela esteja ela se orgulhe de mim. Ela sempre soube que eu entrei pra essa vida louca por não ter saída, fiz ela chorar muitas noites, ela sempre orou pra Deus me proteger de todo m*l, mas ela também sempre soube que tudo o que se planta se colhe, essa é a lei da vida... Paguei pelo que fiz e sei que ainda vou pagar muito mais... Bru: — Dona Neusa. – ouço o cachorro latindo. Ouço um barulho se aproximando do portão, então vejo a minha prima Gabrielly, de 16 anos, ela estava bem diferente desde a última vez que nos vimos. Gabrielly: — Bruno? – me olhou com cara de surpresa Bru: — Não papai Noel, cadê a sua mãe? Gabrielly: — Tá lá dentro, entra. – disse abrindo o portão. Ela ficou me olhando estranho pelo caminho todo até a casa. Chego na porta e vejo a minha tia na cozinha, como sempre, ela era a mais parecida com a minha mãe, meus olhos se encheram de lágrimas, mas me contive. Ela não sabia sobre a minha mãe e eu não sabia como contar a ela. Bru: — O que eu tenho pra falar é sério e triste, e eu tenho que ser direto. Dona Neusa: — Diga menino, alguma coisa aconteceu com Isabel tua mãe? Bru: — Minha mãe faleceu tem 4 dias... Um silêncio dolorido tomou conta daquela pequena cozinha. Dona Neusa: — Bruno.... Porque você só veio me contar agora? Eu não vi minha irmã ser enterrada, como você fez isso comigo? Bru: — Tia, eu te peço perdão por tudo, absolutamente tudo, eu errei muito com a senhora, mais minha mãe morreu e eu estava sozinho e eu não sabia o que fazer pra onde correr pra quem pedir ajuda, era só eu e eu, ela teve que ser enterrada no mesmo dia, o velório foi coisa simples, me perdoa, eu amo a senhora e eu tô aqui porque eu quero que a senhora venha morar comigo, porque eu quero cuidar de você e da nossa família, porque eu não quero perder mais ninguém tia, agora eu vi como isso dói demais. Dona Neusa: — Tudo bem, eu preciso pensar sobre a sua proposta e é lógico que eu te perdoo, sobre o que aconteceu no passado, isso já está morto e enterrado, e combinamos de deixar o passado no passado, eu posso te ligar pra falar sobre a sua proposta pode ser. Bru: — Tudo bem, tô deixando o meu número aqui tia, qualquer coisa me liga tá, te amo. – fui até ela e lhe dei um beijo no topo da cabeça. Sai de dentro da casa e a Gabrielly foi até o portão comigo, ela me olhava com uma cara estranha, mais pra ela eu nunca rendi papo, prima né, tem que respeitar. Entro no carro e volto pro morro, eu queria dar um conforto pra minha tia, queria arrumar a casa da minha mãe, e pra isso eu precisava de uma decoradora, pra arrumar a casa por dentro, mais eu não conhecia nenhuma. Entro em casa e vejo uma mensagem da advogada, eu precisava comparecer numa audiência hoje ainda, ou seja ia ter que tirar um dia de folga. Subo pra boca e falo com o Gustavo, o chefão me liberou porque hoje é dia de baile e ele tá alegrinho porque vai ver a pegete dele, não só dele, a de todo mundo. Desço o morro de caro novamente, coitado da minha gasolina já estava na metade do tanque. Passo da entrada do morro e falo com os meninos, depois pego o caminho que o gps apontou, até chegar no lugar da audiência, um tal de fórum. Eu vestia uma camisa Polo vermelha com detalhe preta, uma calça prata jeans e um tênis da Nike preto com vermelho. Assim que chego no lugar estaciono o carro e desço, vejo do outro lado da rua a minha advogada toda gata, com uma saia preta uma camisa social branca e um salto que se tacar em alguém fura todos os órgãos. Bru: — E ae doutora, suave? Yasmin: — Suave? Espero que você não fale isso perante o juiz. Você nem sabe pra que estávamos aqui né? Bru: — Não. Yasmin: — Eu consegui essa audiência pra prolongar em 4 meses o seu tempo aqui fora, aí daqui mais 2 meses eu vou tentar a sua liberdade de vez. Bru: — O que eu tenho que falar pro juiz? Yasmin: — Nada, absolutamente nada, deixa que eu cuido de tudo. Bru: — Tá bom então, já que a senhorita disse, tá falado. – ela me olhou com cara de quem queria furar meus órgãos com um de seus saltos Entramos pra audiência. 6:55 da tarde A audiência não demorou muito, o juiz fez um monte de pergunta, e ficou especulando coisas sobre a minha vida que se eu não estivesse nessa de falar absolutamente nada eu tinha falando pocas e boas para ele, juiz folgadinho. Bru: — Aí o advogada, tu conhece nenhuma decorada não? Preciso arrumar minha casa, minha tia vai ir morar lá no morro. Além do mais, tu tinha razão, eu tinha um assunto não resolvido e que agora eu resolvi, veleu pelo concelho. Yasmin: — Minha irmã é arquiteta de interiores eu te mando o número dela, pode ser? Bru: — É a mesma coisa? Yasmin: — Digamos que seja... Bru: — Então pode ser... Yasmin: — E sobre a nossa conversa... Te dei um concelho porque sabia que você precisava, agora vou te dar mais um... Evite ser visto pela polícia, não tem como limpar tua barra com você sujando mais ainda ela... Bru: — Pode pá, vou tentar, prometo nada não. Yasmin: — Se esforça pelo menos... Bru: — Ao Dr, cê curte baile? Yasmin: — Baile? Você acha que eu frequento baile Bruno? Bru: — Você quer uma resposta sincera? Yasmin: — Fala... Bru: — Você tem cara de quem gosta de beber e dançar, espero que eu não esteja errado... – ela ergueu a sobrancelha Yasmin: — Talvez eu goste de baile... Bru: — Talvez tenha um lá na minha favela... Yasmin: — Talvez isso não seja muito profissional da nossa parte... Bru: — Talvez eu esteja convidando a Yasmin e não a Dr... Yasmin: — É, talvez você consiga me convencer... Bru: — Vai me dizer que tá com medo do meu morro? Yasmin: — E eu não deveria? Bru: — Talvez... Se você entrar lá como Dr Yasmin, não vai ser bem vinda, mas se deixar essa postura de marrenta do lado de fora, vai conhecer um dos melhores bailes da região. Yasmin: — Que horas? Bru: — As 21:00. Se tu for quando chegar na entrada manda me chamar, se não tu não passa não com essa carinha de patricinha entojada. Yasmin: — Patricinha entojada?! Ok a gente se tromba lá então. Do um sorriso entro no carro vejo ela entrar no carro dela e sair, faço o mesmo e volto pro morro. Subo direto pra boca, os meninos estavam todos lá, contei sobre a advogada gata e eles não acreditaram que ela viria ao baile hoje.
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