Raquel narrando - continuação Voltei pro quarto, o celular ainda na mão, o coração batendo descompassado. Sentei no chão, encostada na cama, e respirei fundo, tentando organizar tudo na minha cabeça. Mas não tinha jeito. Cada pensamento vinha em turbilhão, misturando raiva, dor, medo, e uma estranha sensação de alívio que eu não conseguia entender direito. Olhei pro celular de novo. Minha mão tremia, mas eu sabia o que precisava fazer. Era agora ou nunca. Abri a conversa com a patroa da loja. A mensagem começou seca, direta, mas as palavras ficaram mais difíceis à medida que eu digitava. “Oi, Ana. Eu preciso pedir as contas. Sei que é de última hora, mas é uma decisão que tomei agora. Agradeço muito por tudo, de verdade. Você foi uma chefe incrível, mas eu não posso mais continuar.”

