Raquel narrando Saí daquela casa com o coração pesado e a cabeça girando. Cada passo parecia mais difícil que o outro, como se eu carregasse o peso do mundo nas costas. O sol continuava forte, mas o calor que eu sentia vinha de dentro. Era a raiva, a confusão, a dor. O som dos meus passos ecoava pelas vielas. O morro, como sempre, tava vivo, mas pra mim tudo parecia abafado, como se o mundo tivesse diminuído o volume. Eu não conseguia ouvir nada direito, só os ecos das palavras do Russo, da Mel, e até as minhas próprias. Quando finalmente cheguei em casa, parei na porta e fiquei olhando pra entrada por uns segundos. A chave já tava na mão, mas eu hesitei. Era como se abrir aquela porta fosse mais do que entrar em casa. Era encarar tudo o que a gente construiu, tudo o que tava em jogo a

