Capítulo 19 — Entre Desejo e Paciência

1187 Palavras
Luca roçava a boca na dela de maneira suave, lenta, e delicada, como se estivesse reaprendendo a beijá-la. Como se aquele fosse o primeiro beijo de um homem que agora entendia que era marido. Os lábios dele deslizavam sobre os dela com cuidado. Não havia pressa no início. Havia reconhecimento. Havia a necessidade de sentir, de confirmar que ela estava ali. Que não estava fugindo. Que não estava tremendo. Beatrice levou as mãos ao pescoço dele e ficou na ponta dos pés para alcançá-lo melhor. O gesto era simples, mas fez algo dentro dele se romper. Porque ela estava indo até ele. E Luca… que Deus o ajudasse. Ele queria mais. Muito mais. O beijo deixou de ser contido. Ele aprofundou a pressão, inclinou o rosto, abriu lentamente os lábios dela com os seus. A língua encontrou a dela, exigente, tomando espaço. Ele sentiu o pequeno suspiro surpreso que escapou dela, mas não houve recuo. E aquilo já era tudo. Mas não era o suficiente. O que ele realmente queria era sentir o calor do corpo dela colado ao seu. Em volta dele. Contra ele. Sobre ele. Queria senti-la inteira, sem barreiras, sem medo, sem interrupções. Queria consumi-la por inteiro. Luca a envolveu com os braços, uma mão subindo pelas costas dela até a altura da nuca, firme, segura. A outra desceu devagar, encontrando a curva macia do corpo dela, buscando seu traseiro, ousadamente. Ele a trouxe contra si com mais força, pressionando-a sem disfarçar o próprio desejo pulsando sobre a calça. Não se preocupou se ela perceberia o quanto ele a queria. Porque queria. Já fazia muito tempo. Tempo demais observando-a de longe. Tempo demais imaginando como seria tê-la assim, nos braços dele, na casa dele, na vida dele. Ela tinha deixado de ser a menina teimosa para se tornar uma mulher aos olhos dele. E ele nunca mais tocara outra desde que decidira que seria ela. Nenhuma o satisfaria. Nenhuma o provocaria daquela forma. Nenhuma o deixaria inquieto só com a presença. Ela parecia doce em seus braços. Pequena. Quente. Viva. Ele a queria inteira. Mas, mesmo com a mente tomada pela paixão e pelo impulso de possuí-la, Luca sabia que não seria naquela noite. Não daquele jeito. Não depois do que havia acontecido. Então ele faria o que podia. Gravaria cada detalhe. O gosto da boca dela. O jeito que ela respirava. O modo como os dedos se fechavam na camisa dele. Ele queria lembrar. Ela estava entregue agora. Correspondia ao beijo intenso, à saudade acumulada. No início, havia uma leve hesitação nas mãos dela, como se ainda não soubesse onde tocar, ou o que fazer. Mas, aos poucos, o corpo dela foi encontrando o ritmo dele. Pequenos sons escaparam dos lábios dela. Baixos. Inocentes. E doce. Aquilo o deixava fora de controle. Ela o deixava louco apenas existindo. — Beatrice… — murmurou ele, a voz rouca, carregada de desejo. Mergulhou as mãos nos cabelos longos e sedutores dela, sentindo os fios escorrerem entre os dedos. Desceu os lábios pelo maxilar dela, pelo pescoço, provando a pele quente e macia. Ela arqueou levemente o corpo para trás, oferecendo mais acesso. Aquilo foi um convite perigoso. Ele desceu mais. Lentamente. O beijo se tornando mais explorador, mais ousado. As mãos firmes segurando a cintura dela. Mas quando ele começou a se abaixar um pouco mais, os lábios se aproximando do colo dela, Beatrice deu um passo para trás. Não foi brusco. Foi consciente. — Não… sinto muito — disse, as mãos indo instintivamente ao decote, mesmo que nada estivesse fora do lugar. Ele ergueu os olhos para ela. — Eu não sinto. Ela piscou, surpresa com a sinceridade direta. — Luca… Ele se aproximou novamente, mas dessa vez sem tocar. — Eu não sinto. Eu quero você. Ela riu, um riso leve, quase nervoso. Ele nunca foi bom com palavras. Nunca precisou ser. Não sabia florear sentimentos. Nunca tinha precisado conquistar uma mulher. Dizia o que queria. E depois tinha o que pediu. Nunca teve pudor com as palavras. Mas então ela o surpreendeu. — Foi só uma maneira de falar. Ele franziu o cenho. — Como? — Eu disse “sinto muito”, mas na verdade não sinto. Foi apenas um jeito de falar. Ela estava calma. Impressionantemente calma. Muito diferente da mulher que tremia dias antes. — As pessoas dizem coisas assim o tempo todo… só pra preencher o silêncio. Pra suavizar o momento. Luca a observava com atenção. Começava a perceber que Beatrice não gostava de silêncio. Ele abriu a boca para responder, mas ela começou: — É como quando… Ele a beijou de novo. Direto. Firme. — Luca! Ele sorriu contra os lábios dela. — Às vezes o silêncio é uma coisa boa. — Para sua informação, eu falo muito menos aqui do que em casa com a Siena. — Disse sorrindo — Difícil de acreditar. — Luca! — Shh… Ele a puxou de volta para os braços e a beijou outra vez, dessa vez menos urgente. Mais lento. Mais consciente. E foi ali, entre risos e beijos, que a tensão pesada da semana começou a se dissolver de verdade. Mais tarde, ainda no quarto, Luca estava sentado na cama enquanto ela foi ao banheiro tomar banho. Ele passou a mão pelo rosto, tentando acalmar o próprio corpo. Ela estava ali. Na casa dele. Na cama dele. E sem medo. Isso já era mais do que ele imaginara ter naquela noite, e em sua vida. Ele pensou em ir até o banheiro. Pensou em abrir a porta, puxá-la para si sob a água quente. Mas sabia que ainda era cedo, não seria assim que iria conquista-la. Dormir ao lado dela seria suficiente. Por enquanto. Quando a porta do banheiro se abriu, ele ergueu o olhar. E parou. O baby-doll preto de cetim escorria pelo corpo dela como se tivesse sido feito sob medida. Delicado. Ajustado. A pele bronzeada levemente úmida refletia a luz suave do quarto. O perfume dela chegou antes mesmo que ela desse dois passos. O corpo dele reagiu instantaneamente. — Pequena… — ele murmurou, quase incrédulo. — Você me deixa louco. Ela sorriu, um pouco tímida. — Vem. Eu preciso dormir antes que você me enlouqueça assim na minha frente. Ele soltou uma risada baixa. Ela corou, visivelmente, o corpo inteiro. — Vamos dormir. Ela se deitou ao lado dele. Ele apagou a luz e a puxou para junto do peito. Beijou o topo da cabeça dela, sentindo o cheiro do cabelo recém lavado. Ela se acomodou contra ele com naturalidade. Como se aquele fosse o lugar certo. Como se sempre tivesse sido. Em poucos minutos, a respiração dela ficou mais profunda. Ela dormiu. Mas Luca não. Ele ficou ali, olhando para o teto no escuro, sentindo o peso leve do corpo dela sobre o seu. Passou os dedos devagar pelo braço dela, quase como se quisesse confirmar que não era um sonho. Ele tinha passado dias achando que a perderia. Agora ela estava ali. Na cama dele. Sem medo. Sem fugir. Ele estava começando a amá-la. E isso o assustava muito mais do que qualquer rejeição.
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