William processava as palavras dela em silêncio. No escuro, seus olhos brilhavam com uma possessividade que ele não conseguia — e não queria — controlar.
— Acostume--se, querida — ele sussurrou, a voz rouca vibrando contra o pescoço dela. — Eu vou ser "eu" muitas vezes. Não gosto quando cobiçam o que é meu. Aquele médico quer você, e isso me deixa maluco.
— Mas eu não o quero. Será que isso não conta? — ela respondeu, a sinceridade cortando a tensão como uma lâmina.
William segurou o rosto dela entre as mãos, os dedos mapeando as feições que ele decorara durante o coma. — Claro que conta. Mas não é óbvio que eu me sinta inseguro? Eu sou um monstro agora, Katherine. E você... você é linda, maravilhosa. É o sol e eu sou apenas a sombra.
— Você não é um monstro. Para com isso — ela pediu, buscando o toque dele.
Ele suspirou, sentindo o peso daquela mentira benevolente. Katherine se lembrava do antigo William, o homem impecável que ela conhecera. Ele não queria mais despejar suas frustrações sobre ela. Precisava de um momento de trégua. Apagou as últimas luzes, retirou a máscara e puxou-a pela cintura, colando o corpo dela ao seu.
— Quer ajuda para um banho? — Mudou de assunto, a voz agora tingida de uma malícia perigosa.
— Eu ia adorar — ela sorriu, mordendo o lábio inferior. — Mas minha mãe já me ajudou antes de você entrar. E... tive que mexer nas suas coisas. Atrevi-me a pegar uma camisa sua.
William analisou a silhueta dela. A camisa branca dele ficava enorme em Katherine, as mangas dobradas e o tecido descendo até o meio das coxas. Ele puxou a barra do pano sutilmente, de forma provocante. — Não tem problema. Fica bem melhor em você do que em mim.
O olhar dele se tornou incandescente. Ele tentava manter o controle, sabendo que ela ainda estava frágil, mas Katherine não estava ajudando. — Não está usando nada por baixo?
Katherine sentiu o rosto queimar na escuridão. Como não havia nada dela na casa, optara por ficar apenas com a camisa. — Não — sussurrou, desviando o rosto.
William trouxe o queixo dela de volta, forçando o olhar mesmo no breu, até que seus lábios estivessem a milímetros dos dela. — Você quer me deixar louco?
— E se eu quiser? — a ousadia de Katherine floresceu. Ela abandonou qualquer resquício de hesitação e mordeu levemente o lábio inferior dele após um beijo casto.
— Se a ideia era essa — ele rosnou entre beijos que se tornavam cada vez mais profundos e urgentes —, você fez um trabalho excelente.
O Predador e a Presa
Pela primeira vez, William odiou a escuridão que ele mesmo criara. Ele desejava vê-la, assistir ao prazer desenhando-se em cada linha do corpo dela enquanto a despia. Como a visão não era uma opção, sua imaginação trabalhou dobrado. Ele deslizou a mão pela perna dela, subindo lentamente pela coxa sedosa.
— O que você quer, Katherine? — perguntou, a voz carregada de segundas intenções.
— Eu quero você. Agora.
A resposta dela foi o selo de sua rendição. William desceu os beijos para o pescoço dela, explorando cada ponto sensível. Com delicadeza, ele removeu a camisa, sentindo a pele dela vibrar sob seus dedos. Katherine enroscou as mãos nos cabelos dele, apreciando a possessividade do toque. Mas, quando a mão dela escorregou para o lado esquerdo do rosto dele, onde a pele era áspera e marcada, William estancou.
— O que eu disse antes? — ele segurou os pulsos dela com uma força bruta, o pânico de ser "sentido" superando o prazer.
— Eu quero tocar você! — ela insistiu, lutando contra o aperto.
William não queria brigar, mas não permitiria que ela mapeasse suas deformidades. Em um movimento ágil, ele soltou a própria gravata. Com habilidade de predador, ele imobilizou os pulsos de Katherine e os prendeu na cabeceira da cama.
— Teimosa! — ele sibilou, pairando sobre ela.
Katherine não protestou; ela queria ser a presa dele. Queria sentir o peso e a fúria daquele homem. William desceu o corpo, beijando-a até chegar onde a sentiu pela primeira vez. Ela delirava, contorcendo-se contra as amarras enquanto a língua dele trabalhava com um esplendor c***l e maravilhoso.
— William... eu não aguento mais! — ela gritou quando o clímax a atingiu, as ondas de prazer fazendo-a arquear as costas.
— Delícia — ele murmurou, subindo novamente. — Agora, você vai ser minha de verdade.
O Silêncio do Pós-Auge
Quando ele entrou, o mundo de Katherine se resumiu ao calor e ao ritmo dele. Foi intenso e rápido, movido por um ano de fome acumulada. Mas ele não parou. Continuou até que ela alcançasse o ápice novamente, entregando-se em um gemido que ecoou pelo quarto silencioso.
William desamarrou as mãos dela e a puxou para o seu peito. Katherine repousou a cabeça ali, ouvindo o coração dele galopar. Ela ainda podia sentir o calor emanando do corpo dele através das roupas que ele se recusara a tirar.
— Aquele banho agora? — ele sugeriu, mas o brilho de desejo em seus olhos era contido.
Katherine sentiu uma pontada de decepção. Ela esperava que o banho fosse uma extensão daquela i********e, um momento para lavarem a alma juntos. Mas, quando ele recolocou a máscara e preparou a banheira para ela, permanecendo vestido e fora da água, a realidade voltou a se impor.
William não tiraria a roupa. Ele não permitiria que ela visse as marcas em suas pernas, no braço e no peito. Ele não estragaria a imagem de "perfeição" que ela guardava dele com a visão deplorável do que restara de seu corpo. O banho seria solitário, e a escuridão continuaria sendo o terceiro elemento naquele casamento.