Capitulo 19

1097 Palavras
Território Marcado Ana Carolina observou William de cima a baixo. Ele era uma presença imponente, alto e de ombros largos, com uma aura de autoridade que parecia dobrar o ar ao seu redor. Os olhos verdes, vibrantes e gélidos, contrastavam com a metade do rosto oculta pela máscara n***a. Era uma visão peculiar, quase intimidadora, mas o alívio de ter sua filha de volta era maior que qualquer suspeita. William, no entanto, não estava para cortesias. Ele ignorava a "sogra" enquanto fixava um olhar predatório em Tarcísio, que o encarava com uma mistura de choque e indignação profissional. — Como pôde tirar uma paciente em coma do hospital? — Tarcísio disparou, a voz trêmula de raiva. — Saiba que cometeu um crime e será preso por isso! William soltou uma risada curta e seca, um som desprovido de qualquer humor. — Preso? Eu? — debochou, inclinando a cabeça com um desdém que fez o médico recuar um passo. Tarcísio virou-se para Ana, desesperado. — Você ficou maluca, Ana? Como compactuou com essa barbaridade? Este é o mesmo homem que estava com ela no acidente, o que ficou deformado! Ele deve ser um lunático. Vamos tirar Katherine daqui agora, antes que ela saia em um caixão! As palavras de Tarcísio foram o gatilho. Quando ele tentou forçar a entrada no quarto, William agiu. Com uma brutalidade repentina, ele prensou a mão no peito do médico, empurrando-o contra a parede. — Abaixe a bola, doutor, ou quem sairá daqui num caixão é você — sibilou William. Com a mão livre, ele afastou o paletó, revelando o cabo da arma reluzindo na cintura. — Katherine não está morta. Ela estaria se continuasse sob seus cuidados medíocres. Ela está bem viva. Com um empurrão violento, William lançou Tarcísio para longe e deu passagem a Ana. — Pode ver sua filha agora, senhora. O Predador e o Intruso Enquanto Ana corria para os braços de Katherine, William fechou a porta e voltou sua atenção para Tarcísio, que ainda tentava recuperar o fôlego no chão. O médico o encarava com ódio, mas William apenas via um inseto barulhento. Ele agarrou Tarcísio pelo colarinho, levantando-o e começando a arrastá-lo pelo corredor como se fosse um fardo incômodo. — Sugiro que não se aproxime da minha mulher novamente — rosnou William. — Sua mulher? — Tarcísio soltou um riso cínico, apesar do medo. — Você pode ter o dinheiro que for, mas ela precisa de um médico. Acordar não significa que ela está bem! William parou abruptamente, trazendo o rosto do médico a centímetros do seu. Sua mão já repousava sobre a arma. O limite da sua paciência fora ultrapassado. — Eu posso conseguir os melhores médicos do mundo para a minha mulher. Nenhum deles precisa ter a sua cara. Sai daqui agora antes que eu perca o resto do meu controle. Ele soltou o colarinho com força, fazendo Tarcísio cambalear em direção à escada. A valentia do médico desapareceu no instante em que ele percebeu que William não estava apenas ameaçando; ele estava pronto para executar. Mentiras Necessárias Dentro do quarto, após o reencontro emocionado, Ana não pôde conter as perguntas. — Quem é esse homem, filha? A mulher lá embaixo me chamou de "sogra". E por que ele anda armado? Ele intimidou o Tarcísio! Katherine sentiu um frio na espinha. Ela adorava o ciúme de William, mas sabia que para sua mãe, ele parecia um criminoso perigoso. Ela precisava de uma mentira convincente, e rápido. — Não ligue para o jeito dele, mãe. Ele é... da polícia — mentiu Katherine, sentindo o peso da ironia. — Ele é um pouco duro, mas é uma boa pessoa. — Polícia? — Ana pareceu levemente aliviada, mas ainda desconfiada. — Vou convencê-lo a deixar o Tarcísio te examinar. Você está fraca, Katherine. Antes que Katherine pudesse protestar, Ana saiu. Na escadaria, ela convenceu William — que fingiu um sorriso calmo por puro respeito à sogra — a permitir um exame rápido. O clima no quarto tornou-se insuportável quando os três entraram. Tarcísio, querendo marcar seu território, abraçou Katherine com força. — Graças a Deus você acordou! William sentou-se na beira da cama, a aura de violência emanando dele como calor. — Veio examinar ou matar a saudade, doutor? — perguntou, a voz gélida. O exame começou tenso. Mas quando Tarcísio levou a mão aos botões do pijama de Katherine para checar os batimentos, William explodiu. Ele jogou o médico para o outro lado do quarto com um empurrão fulminante. — Ela bateu a cabeça, não os p****s! — rugiu William. — É medicina, seu maluco! — Tarcísio gritou. — Você não tem ideia do quão maluco eu sou quando um abusado tenta tirar casquinha da minha mulher na minha frente. — William virou-se para as duas, que assistiam à cena em choque. — Não se assustem. Vou apenas varrer o lixo do quarto. Ele arrastou Tarcísio para fora, trancou a porta e deu ordens pelo rádio. O som dos gritos do médico sendo retirado pelos seguranças ecoou pelo corredor. Minutos depois, William voltou, sorrindo docemente para a sogra. — Amanhã trarei um médico de verdade. Agora, com licença. Entre o Ciúme e a Entrega Horas depois, após Ana se recolher, William entrou no quarto e encontrou Katherine com os olhos abertos. — Você não estava dormindo? — Fingi. Se não fizesse isso, minha mãe não sairia daqui nunca — ela confessou. William subiu na cama, posicionando-se sobre ela, o peso do corpo criando uma pressão deliciosa e perigosa. Seus olhos brilhavam com uma fúria m*l resolvida. — Você e aquele médico... Já tiveram algo? Responde! — Não! — Katherine revirou os olhos. — Ele queria, eu não. E então você apareceu... William não a deixou terminar. Ele invadiu os lábios dela com uma voracidade que falava de posse e alívio. Entre beijos famintos, ele sussurrou contra a boca dela: — E agora? Acha ele bonito? — Você está falando sério? — Katherine soltou uma risada incrédula. — Ele não é feio, William, mas não me interessa em nada. Fui clara? William relaxou os ombros, percebendo o quão ridícula era sua insegurança, mas o desejo falava mais alto. Ele a queria, e a presença de outro homem apenas incendiara sua necessidade de reafirmar que ela era dele. — Desculpa — ele murmurou, o rosto mascarado roçando o dela. — É só que... — É só você sendo você — Katherine completou, puxando-o para mais perto, aceitando que, por mais babaca e possessivo que ele fosse, era nos braços daquele "monstro" que ela se sentia finalmente em casa.
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