Capitulo 18

1014 Palavras
O rosto de William estava estranhamente calmo, uma máscara de mármore que escondia o turbilhão interno. Quando seu olhar encontrou o de Katherine, seus olhos azuis brilharam por um átimo com uma malícia antiga, mas logo voltaram a ser inexpressivos, frios como o oceano no inverno. — Você pode ficar à vontade. A casa agora é sua; familiarize-se com ela quando se sentir capaz — ele disse, desviando o rosto para o vazio. — Vou levá-la para o seu quarto agora. Katherine franziu o cenho, o coração apertando com a rejeição implícita. — Como? Eu não vou ficar aqui com você? — questionou, a voz tingida de uma vulnerabilidade que raramente mostrava. William soltou um sorriso de lado, amargo e desprovido de alegria. — Este quarto é o único lugar da casa onde posso ficar à vontade, Katherine. E acredite... você não vai querer me ver sem o que me protege. A expressão dele mudou drasticamente, uma sombra de tristeza profunda cruzando suas feições. Katherine sentiu o impacto daquela dor; era evidente que as cicatrizes na alma de William doíam muito mais do que as marcas físicas em seu corpo. Movida por um instinto de conforto, ela se levantou com dificuldade, as pernas trêmulas protestando a cada centímetro. William a encarou, a carranca voltando ao lugar. — Não deve se esforçar assim! — ralhou, segurando-a pelos braços para evitar que caísse. — E você não deve me dizer o que eu quero ou não ver — ela rebateu, envolvendo os ombros dele com os braços, apoiando seu peso no peito sólido do marido. — Por que não tira isso? Deve incomodar... A mão dela subiu em direção à máscara, mas William gelou. Ele reagiu como se tivesse sido atingido por uma descarga elétrica. — Não faça mais isso! — ele quase berrou, a voz carregada de uma mistura de raiva e pânico puro. O Refúgio no Escuro Katherine recuou, assustada pela reação violenta, mas não sentiu medo. Ela via através da agressividade dele: era o medo da rejeição gritando mais alto. — Eu não me importo, William. A aparência não muda quem você é. Os olhos dele buscaram os dela. Ela parecia sincera, mas para William, a sinceridade era um luxo que ele não podia pagar. — Katherine, não seja teimosa. Entenda de uma vez: eu não quero que você me veja. Nunca tente isso de novo. Não é um pedido, é um fato. — Mais alguma ordem, senhor? — ela esbravejou, o sarcasmo voltando como sua melhor defesa. William percebeu que fora rude demais. Eles eram um casal agora, e o silêncio pesado entre eles o incomodava. Ele esticou o braço, pegou o controle sobre o criado-mudo e apertou um botão. As cortinas automáticas se fecharam com um zunido suave e as luzes se apagaram. A escuridão total reinou novamente. Ele deslizou as mãos pela cintura dela, sentindo Katherine gemer baixo com o toque. — Desculpe por ter sido ríspido. Eu simplesmente não consigo, tudo bem? Apenas aceite isso. — Eu entendi — ela murmurou no escuro. Ele se aproximou e selou os lábios dela em um beijo demorado, mas a máscara era uma barreira física incômoda. William soltou um suspiro frustrado. Ali, no breu onde ele se sentia seguro, ele retirou a máscara. — Você me deixa maluco, sabia? — ele confessou contra a pele dela. — É recíproco — ela respondeu, sentindo o corpo vibrar. — Você me fez esperar por um longo ano, Katherine. Estou sedento por você. — Ele a trouxe para mais perto, enroscando os dedos em seus cabelos, beijando seu pescoço com uma fome que a fez arfar. — E ainda terei que esperar você se recuperar plenamente... Como farei isso se eu já a quero agora? — Eu... eu estou bem — ela mentiu, a libido falando mais alto que a exaustão. — Não minta para mim. Eu odeio mentiras. — Ele a pegou no colo com facilidade e a depositou na cama. — Você está fraca, e eu preciso de você forte. O Toque Proibido William começou a beijá-la com uma ternura que Katherine nunca experimentara vinda dele. Era suave, lento, exploratório. Encorajada, ela tentou desabotoar a camisa dele, querendo sentir a pele de seu peito. Ele parou o beijo imediatamente, segurando as mãos dela. — Não toque em mim — ele ordenou. O pensamento de que ela sentisse as texturas das cicatrizes de queimadura era insuportável; ele se sentia nojento e tinha certeza de que ela sentiria o mesmo. — Está brincando comigo? Nós temos i********e! — ela protestou, tentando libertar as mãos. — Você só aceita ser tocada por mim porque ainda não me viu — ele disparou, a insegurança agindo como um veneno. — Esqueceu que nosso casamento é por conveniência? Katherine sentiu o sangue ferver. A raiva subiu como uma maré. — E o que mais? Vou t*****r com você por conveniência também? Você é um babaca, William! Sai daqui agora! — Este é o meu quarto, caso tenha esquecido — ele rebateu, mas antes que a discussão escalasse, duas batidas na porta ecoaram. — William, a sua sogra está aqui — a voz de Norma anunciou. A tensão mudou de rumo. William pulou da cama, colocou a máscara com agilidade e acendeu a luz. O brilho repentino fez Katherine piscar, furiosa. — Não diga nada sobre o nosso acordo para sua mãe, entendeu? Katherine apenas balançou a cabeça, recusando-se a olhar para ele. Ela jamais contaria a Ana que se casara com um "estranho" no mesmo dia do divórcio. Mas, no fundo, a dor era outra: ela estava perdidamente apaixonada por aquele homem quebrado, e ele parecia determinado a vê-la apenas como um negócio. Quando William abriu a porta e viu Ana Carolina, o seu rosto relaxou por um milésimo de segundo, mas logo endureceu. Atrás dela, estava Tarcísio. — O que esse doutorzinho faz aqui? — William perguntou, a voz transbordando um ciúme gélido e perigoso. Quando William abriu a porta e viu que Ana não estava sozinha, ele ficou extremamente irritado. __ O que esse doutorzinho faz aqui?
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