Capitulo 17

868 Palavras
William ficou estático por alguns segundos, as palavras de Katherine ecoando em sua mente como um som impossível. Ela disse sim? A possibilidade parecia surreal, um absurdo lógico que ele não conseguia processar de imediato. — Você me ouviu? — Katherine repetiu, a voz firme rompendo o silêncio. — Eu disse sim, William. Um sorriso de vitória, predatório e amargo, surgiu no canto dos lábios dele. Mas o triunfo foi efêmero. Em segundos, o peso daquele compromisso o atingiu. Casamento significava i********e; significava ter Katherine em sua casa, cruzando seus corredores todos os dias. Antes do acidente, essa ideia o teria deliciado; agora, era uma sentença de exposição. Ele podia esconder as queimaduras do corpo com roupas sob medida, mas o rosto... o que faria com o rosto? O lado esquerdo era um mapa de dor e cicatrizes. Seus empregados não o olhavam nos olhos por medo, mas ela não era como eles. Katherine o desafiaria, o buscaria, e ele não suportaria ver o brilho de desejo nos olhos dela ser substituído por náusea. — Ok — ele respondeu em um tom seco, afastando-se da cama como se o toque dela o queimasse. — Vou providenciar o divórcio e os papéis do matrimônio. Trago tudo para você assinar em breve. Descanse. Mandarei servirem algo para você comer. Ele saiu do quarto apressado. Katherine permaneceu imóvel, sentindo o vazio deixado por sua frieza. “É apenas um jogo para ele”, pensou, sentindo uma pontada de mágoa que se recusava a admitir. Para William, ela era uma transação conveniente; para ela, a esperança de que houvesse algo além de um coração de pedra desmoronava a cada palavra ríspida dele. William desceu as escadas e encontrou Norma na cozinha. A governanta, uma mulher de meia-idade que o criara desde o berço e conhecia cada demônio que habitava sua mente, não se intimidava com sua carranca. — Oi, Norma. Ela está melhor. Está no meu quarto — William disse, tentando soar indiferente. Norma abriu um sorriso conspiratório, mas ele a cortou de imediato. — Sem risinhos. Não é nada do que você está pensando. Apenas não poderia trazê-la até aqui sem que ela me visse no caminho. — Você precisa parar de engrandecer sua condição, filho — Norma repreendeu, cruzando os braços. — Ela poderia muito bem nem ligar para isso se você desse uma chance. William soltou uma gargalhada sem humor. — Passou a contar piadas agora, Norma? Esqueça isso. Apenas sirva algo para ela comer. Ela está fraca demais. Norma suspirou. Ele era turrão demais para aceitar que alguém pudesse amá-lo além de suas cicatrizes. Ela montou uma bandeja farta e subiu ao quarto. Ao entrar, deparou-se com o breu absoluto. — Escuro como sempre... como ele consegue andar aqui sem cair? — Norma resmungou, tateando a parede. — Também não entendo — a voz suave de Katherine soou na escuridão, fazendo Norma rir baixinho. Quando a luz finalmente inundou o quarto, Norma viu Katherine. Mesmo pálida e debilitada, a jovem possuía uma beleza serena e olhos que transbordavam inteligência. Norma soube, naquele instante, que Katherine era diferente de todas as mulheres soberbas que William trouxera antes do acidente. — William pediu que eu trouxesse isto senhora. Sou Norma — apresentou-se com um carinho maternal. — Sem "senhora", por favor Norma. Apenas Katherine. Enquanto Katherine comia com a fome de quem despertara de um sono de mil anos, as duas conversaram. Norma sentia uma esperança renovada: talvez aquela moça fosse a luz necessária para tirar "seu menino" da escuridão. O Pacto Assinado A porta se abriu e William entrou. Ele usava uma máscara n***a que cobria exatamente a metade desfigurada de seu rosto. Katherine o encarou, analisando a nova barreira entre eles. — Pode nos deixar a sós, Norma? — William pediu, a voz tensa. — Trate-a bem ou vai se ver comigo — a governanta advertiu antes de sair, deixando um William incrédulo para trás. “Até ela está contra mim?”, pensou. Ele se aproximou da cama e estendeu o envelope. — Assine. — Eu não esperava um casamento com véu e grinalda, William, mas você não poderia ser menos grosseiro? — Katherine o encarou, mas logo desviou o olhar, sentindo o peso da atmosfera carregada. — O que foi? — William explodiu, interpretando m*l o gesto. — A máscara não é suficiente? Está difícil olhar para mim mesmo com metade do rosto escondido, Katherine? A insegurança dele era uma ferida aberta, latejando em cada palavra. — Não seja i****a — ela levantou o olhar, sustentando o dele com firmeza. — Eu não me importo com a sua aparência. Eu já disse isso. — Já chega! Apenas assine — ele jogou os papéis sobre o colo dela. — Com os dedos? — ela caçoou, tentando quebrar o gelo com o sarcasmo de sempre. William reprimiu um sorriso, entregando-lhe uma caneta. Katherine assinou primeiro o divórcio de Pierre — um suspiro de alívio — e, em seguida, o contrato que a ligava a William. “Livre e presa no mesmo dia”, pensou ironicamente. Ao recolher os papéis, William a olhou através da máscara, um brilho possessivo e sombrio nos olhos. — Seja bem-vinda, esposa.
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