William Trajano não perdia tempo. Eficiência era sua religião; ele resolvia problemas com um tiro e uma cremação. Simples, limpo e definitivo. Mas aquela mulher era uma variável que seu algoritmo de frieza não previra. A palavra "desafio" parecia pulsar sob a pele de Katherine, e, para sua própria surpresa, William deu-se conta de que estava gostando.
Dono de um dos cassinos mais luxuosos do Rio de Janeiro, William usava o brilho do ouro e das roletas como fachada para seu verdadeiro império: a Máfia. Comandante do maior cartel do mundo, ele retornara ao Brasil após anos no exterior, expandindo a conexão México-Brasil até tornar-se intocável. William reduzia problemas ao pó — literalmente. Se alguém o desafiava, ele não pensava duas vezes em "desencarnar" a alma do infeliz e jogar as cinzas ao mar.
Esse era o plano original para Pierre.
Há semanas, o traste frequentava seu cassino, consumindo as bebidas mais caras e acumulando dívidas astronômicas. A paciência de William se esgotara na noite anterior, quando Pierre teve a audácia de oferecer a própria esposa como pagamento. William, que estava em viagem, voltou furioso. Ele pretendia resolver o problema da forma mais rápida: deixando Katherine viúva.
Porém, ao vê-la — audaciosa, linda e com fogo nos olhos — seus planos mudaram instantaneamente. Ela não era apenas um "pagamento"; era uma obsessão em potencial.
O Jogo de Poder
O trajeto até a entrada da casa foi um caos. Katherine insultava William com um vocabulário que faria um marinheiro corar. Ela se lançava contra ele no carro, tentando tomar a direção, forçando-o a usar reflexos de mestre para não bater. Para William, aquilo era o prelúdio mais excitante que tivera em anos.
— Dá para ficar quieta? Você esperneia demais! — rosnou ele, arrancando-a do carro assim que estacionaram.
— Você invade meu carro, minha casa, e espera que eu fique imóvel? — Katherine tentava se soltar com golpes de jiu-jitsu, mas William era uma muralha de músculos e cicatrizes. O esforço dela era inútil contra a força bruta dele.
— Pierre, seu desgraçado! Apareça! — ela gritava, mas a casa permanecia em um silêncio sepulcral.
William sentou-se no sofá da sala com uma elegância predatória, cruzando os braços. — Ele não está. E eu não vou embora — disse ele, um "não" seco e definitivo.
Katherine balançou a cabeça, incrédula com a petulância do invasor. — Você está brincando, né? Sai da minha casa!
Em um movimento rápido, William a puxou pelo pulso. Katherine caiu sobre ele, os rostos a milímetros de distância. O cheiro dele — uma mistura inebriante de fumo caro e notas amadeiradas — invadiu os sentidos dela.
"Estúpida! Você não pode estar gostando disso", ela gritou mentalmente, tentando repelir a atração magnética que sentia.
— Me solta, William — ela pediu, mas sua voz não tinha a firmeza de antes.
William sorriu, um brilho diabólico nos olhos. Ele entrelaçou os dedos nos cabelos negros dela e puxou suavemente, forçando-a a encará-lo. — Você não parece estar tão m*l aqui. Na verdade, pelo seu olhar sedento, acho que você está adorando estar exatamente onde está.
Um calafrio percorreu a espinha de Katherine. Ele estava certo, e isso a apavorava. Ela acabara de sair de um relacionamento tóxico e agora estava nos braços de um homem que exalava perigo em cada poro.
— Você é abusado, arrogante e prepotente! — ela disparou, tentando recuperar o controle.
— Sério? — William soltou uma risada baixa, sentindo a resistência dela vacilar. — Então, o que acontece se eu te mostrar o quão abusado e prepotente eu realmente posso ser?
Ele ajeitou-se no sofá, aproximando os lábios do ouvido dela, a respiração quente causando arrepios em Katherine. Ela fechou os olhos, lutando contra o impulso de se entregar àquela loucura imprudente.
— Que o jogo comece, bebê.