William a pegou no colo com uma facilidade desconcertante, invertendo as posições. Ele a deitou no sofá e posicionou-se entre suas pernas, cercando-a com seu corpo maciço e sua presença esmagadora.
— O que... o que você está fazendo? — a voz de Katherine saiu em um fio, perdendo-se na proximidade perigosa.
Ele não respondeu com palavras; as mãos grandes e precisas de William falavam por si. Ele iniciou uma carícia lenta por sua perna, subindo com uma calma torturante.
— William! — ela protestou, mas o som parecia mais um convite do que um aviso.
O vestido leve que ela usava facilitava o percurso. Os dedos dele deslizaram pela pele aveludada, subindo pela coxa até pararem, com uma pressão deliberada, na curva da virilha. Katherine sentiu o ar escapar de seus pulmões.
— O que você...
— Estou sendo abusado e prepotente, Katherine — ele sussurrou, antes de selar o destino daquela frase nos lábios dela.
O beijo foi um incêndio. Katherine sentiu o corpo entrar em chamas, uma vibração elétrica que ela não experimentava há anos. William a devorava com uma voracidade irresistível. Nem nos melhores dias com Pierre ela fora tocada com tamanha intensidade. William era o oposto da mornidão; ele era fogo puro.
Katherine viu-se querendo mais. Por alguns segundos, os tapas que tentava dar nos ombros dele transformaram-se em dedos cravados em seus músculos, retribuindo o beijo com a mesma urgência.
"Sinceramente, Katherine, o que você está fazendo?", sua consciência gritava. Ela sempre abominara aquele tipo de homem — bruto, autoritário, perigoso. E agora, ali estava ela, deleitando-se no caos. Ridícula!, pensou, enquanto sua alma se rendia.
O Chamado do Dever
William afastou-se apenas o suficiente para olhá-la. Katherine estava corada, o peito arfando e os lábios inchados. Ele achou a cena divinamente divertida.
— O que tem a dizer sobre meu jeito "abusado" agora? — caçoou ele, os olhos brilhando com o triunfo.
Katherine permaneceu em silêncio, sem palavras para descrever como aquele abuso a fizera sentir-se viva. O silêncio só foi quebrado pelo toque seco do celular de William.
— Fala! — ele atendeu, a voz cortante de quem odiava ser interrompido no ápice do prazer.
— O "pintor" está aqui, patrão — informou o segurança do outro lado, referindo-se ao paradeiro de Pierre.
— Pronto! Agora você já pode ir — Katherine disse, aproveitando a distração. Ela empurrou o peitoral de William com força. Sentiu a solidez daquela musculatura sob suas mãos, mas não recuou. Por um triz, ele não se desequilibrou.
William apenas ignorou o empurrão. Desligou o aparelho, guardou-o no bolso e voltou a se aproximar de Katherine, que estremeceu por inteiro. Uma de suas mãos rodeou a cintura dela, colando seus corpos novamente, enquanto a outra afastava delicadamente uma mecha de cabelo de seu rosto.
O perfume amadeirado dele a embriagou mais uma vez. Ele era delicioso na medida exata do seu pecado. Katherine poderia lutar, poderia correr para longe daqueles braços, mas a verdade é que ela não queria.
William inclinou-se, distribuindo beijos lentos pelo pescoço dela até atingir o lóbulo da orelha. Katherine rendeu-se completamente, soltando um suspiro baixo que o fez sorrir contra sua pele. Quando ele atacou seus lábios mais uma vez, não houve resistência ou bofetadas. Foram os segundos mais intensos e proibidos de sua vida.
— É... agora eu posso ir — William disse ao se afastar, com o olhar de quem sabia exatamente o rastro de destruição que havia deixado no coração da jovem.
Ele virou-se para sair, mas, antes de cruzar a porta, parou e olhou por cima do ombro, lançando o aviso final que selaria o destino dela:
— Mas eu volto.