Dom apertou Aninha contra o peito, aguardando a resposta de Marvila, que o observava com uma serenidade que ele achou suspeita. — O que está acontecendo? — repetiu ele, com a voz firme, mas baixa. Marvila respirou fundo. Ela não podia usar as palavras de Dayenne, nem as suas, que revelariam a carta. Ela precisava falar a língua dele: a da autossabotagem. — Você está confuso, Dom. — respondeu ela, voltando a olhar para a televisão, como se estivesse a comentar um noticiário. — Eu sei o que está a acontecer. Você me acolheu, cuidou de mim, e agora... agora a bebê nasceu, a emergência acabou, e você está a olhar para o futuro e a pensar: O que é que eu fiz?. — Talvez esteja arrependido. E não quer, me magoar. Aquilo a atingiu, mas também o feriu. Ele deu um passo para trás, balançando

