Ao se levantar e ver o bilhete, Cora fica preocupado e envia para Tomás que sai imediatamente após ler.
- Essa mulher vai ser minha morte. - Resmunga enquanto tira o carro.
Passava pouco das oito quando entra no Café. Ao ver Mel no uniforme de Garçonete, seus sentimentos eram complicados.
- Que pensa que está fazendo Melissa? - Se aproxima assustando a moça.
- Todos no local pararam olhando para o belo homem que pega Mel pelo braço, fazendo com que a cor suma do seu rosto.
- Trabalhando ! - responde baixo. - Nao e todo mundo que nasce com a vida feita.
- Vá se trocar e vamos embora. - Tomás ordenou m*l contendo seu desgosto.
- Não vou...
- Melissa Moraes ou sai andando ou te carrego. Você escolhe.
- Vou me trocar. - Saiu indignada, pisando duro.
Ao sair Tomás estava impaciente parado a porta. Sob o olhar espantado dos colegas de trabalho, Tomás lhe segura o braço e a coloca no banco do carona.
- Porque demorou tanto? Indagou dando partida no carro.
- Fui avisar o gerente que não voltarei. - informou baixando a cabeça, enquanto lágrimas desciam pelo seu rosto indignado. - Preciso trabalhar.
Vendo Mel aos prantos, Tomás estaciona.
- Melissa, em breve nos casamos. Não envergonhe o nome da minha família. O contrato é seu trabalho. Como ela não respondeu, continuou. - Está recebendo para isso.
- Não me faça isso de novo. - liga o carro e sai. - Vamos almoçar com minha família. No domingo todos se reúne.
Mel não respondeu.
Cora não estava no apartamento quando chegaram e Mel se sentou no sofá.
- Mel se apressa - ele a olha com impaciência.- Vá se arrumar.
- Estou bem assim. - responde emburrada.
- Melissa, você está proibida de usar essas roupas baratas. Te comprei um guarda roupa decente. - Ele já está furioso. - Vai se trocar ou eu te troco pessoalmente.
Mel saiu correndo para o quarto. Não duvidando das palavras daquele louco. Mas a verdade é que ela já está cansada de receber ordens.
Após o banho, Mel estava de frente ao armário sem saber o que vestir. Experimentou várias peças e se decidiu por um vestido floral de saia solta abaixo dos joelhos, saltos baixos e prendeu os cabelos no alto da cabeça.
Maquiagem só um batom rosado. Sua visão fez os batimentos cardíacos de Tomás elevar. Ele deu um passo a frente abraçando e lhe dando uma beijo na testa.
- Está linda ! - Diz enquanto puxa o elástico soltando seus cabelos. - Agora melhor ainda.
Deu um selinho em seus lábios e com gentileza a conduz a porta, deixando Mel confusa. Para ela seu humor muda rápido e constantemente. O acompanha em silêncio e entra no carro.
- Não esqueça de parecer feliz e apaixonada, afinal estamos para nos casar.
- O que você ganha neste casamento?
- Agrado o padrinho. E ter você não vai ser nenhum sacrifício. - Deu uma piscada, fitando ela de forma descarada, fazendo seu rosto corar.
Mel não tinha experiência com homens. Deu uns beijinhos na fase escolar e nada mais.
Estava focada nos estudos, e depois que seu pai faleceu a vida já não era fácil.
Com a mãe doente, não saia de casa exceto para trabalhar e acompanhar ela nas consultas e exames.
Seu salário sozinho não dava para cobrir as despesas e arcar com o tratamento da mãe.
Então, namorar era um assunto que nem pensava. A maioria das colegas de sua idade já era casadas e mães.